Capítulo 9 – O Jogo de Poder

1109 Palavras
O silêncio entre Isabela e Caio estava se tornando insuportável. Cada encontro, cada palavra trocada, parecia uma batalha travada em um campo de minas, onde cada passo poderia resultar em uma explosão. A tensão entre eles era palpável, como um fio prestes a se romper a qualquer momento. Mas, por mais que ela tentasse ignorar, Isabela não conseguia escapar da força magnética que a atraía para Caio. Ele tinha algo nela, algo que não podia ser explicado, mas que estava presente a cada olhar, a cada gesto. Naquela tarde, o encontro foi inevitável. Isabela estava em uma reunião importante no escritório, sentada em uma mesa de vidro, rodeada por documentos e relatórios. Ela tentava se concentrar, mas a presença de Caio estava em todos os seus pensamentos. Cada palavra que ele havia dito, cada gesto desafiador, se repetia em sua mente. Ela sabia que ele estava testando seus limites, empurrando-a para um lugar onde ela não queria ir, mas onde, ao mesmo tempo, não conseguia resistir. De repente, a porta do escritório se abriu com um estrondo. Ela olhou para cima e o viu entrar, seu olhar intenso fixo nela, um sorriso leve, mas provocante, nos lábios. Ele não precisava dizer uma palavra. O simples fato de estar ali já era um desafio. Ele sabia o efeito que causava nela, e, pelo jeito, estava se divertindo com isso. — Isabela. — A voz dele soou suave, mas havia algo nela que indicava que ele estava no controle. — Precisamos conversar. Ela não respondeu de imediato. Fechou os olhos por um momento, tentando recuperar a compostura. Mas, ao abrir os olhos e encarar Caio, uma onda de calor percorreu seu corpo. Ele estava ali, perto dela, a proximidade já suficiente para acelerar sua respiração. Ele sabia disso. Ele sabia o poder que tinha sobre ela. — Sobre o quê, Caio? — Isabela perguntou, tentando esconder a tensão em sua voz. Ela não queria dar a ele a satisfação de ver que estava abalando sua tranquilidade. Não dessa vez. Ele deu um passo em direção a ela, mais perto do que ela queria, e o calor aumentou instantaneamente. A presença dele era como um fogo prestes a consumir tudo em volta. — Sobre o jogo que estamos jogando. — Ele disse com uma calma perturbadora. — Você sabe do que estou falando, Isabela. Não adianta tentar se esconder. Ela engoliu em seco, mas manteve o olhar firme. — Eu não estou jogando nenhum jogo, Caio. — Ela respondeu, tentando dar a ele uma impressão de controle. Mas as palavras soaram vazias, mesmo para ela mesma. Ele riu, um som baixo e rouco que fez seu estômago revirar. — Você está, sim. — Caio se inclinou para mais perto, seu cheiro envolvente invadindo suas narinas, e ela se obrigou a não recuar. — E você sabe disso. Está jogando comigo, Isabela, assim como eu estou jogando com você. E no final, quem vai perder... bem, talvez seja você. Ele parou em frente a ela, observando-a com uma intensidade que a fazia sentir-se exposta, como se ele fosse capaz de ver através dela, de ler seus pensamentos mais secretos. Mas, mesmo assim, ela não cedeu. Tentou manter a postura, a força que ele estava tentando minar. — Você não me conhece, Caio. Não mais. — Ela disse, com mais firmeza do que realmente sentia. — E não tem o direito de me provocar dessa maneira. A reação dele foi imediata. Ele avançou um passo, fechando ainda mais a distância entre eles. O olhar de Caio não era mais de desafio, mas de pura intensidade, como se ele estivesse em busca de algo. Algo que ela não sabia se queria revelar. — Não? — Caio murmurou, sua voz agora mais baixa, mais intimista. — Então por que está aqui, Isabela? Por que está me deixando fazer isso com você? Se você não quer, por que ainda está me enfrentando, me provocando? Isabela engoliu em seco. Cada palavra dele era como uma flecha certeira em seu coração, atingindo-a com uma precisão dolorosa. Ela sabia o que ele estava fazendo. Ele estava testando seus limites, empurrando-a para o fundo, forçando-a a confrontar tudo o que ela estava tentando ignorar. Ela não sabia mais o que queria. Queria odiá-lo por tudo o que ele havia feito, mas a verdade era que ela estava completamente perdida em sua presença. Ele a desafiava de uma maneira que nenhum outro homem jamais fizera. E, embora tentasse resistir, algo dentro dela queria ceder. Algo dentro dela queria que ele continuasse a provocá-la, a empurrá-la para um lugar onde ela pudesse finalmente se entregar àquela atração avassaladora. Mas ela sabia que não podia. Ela tinha um noivado arranjado, um compromisso que não podia quebrar. Não importava o quanto Caio estivesse perto, o quanto ela o desejasse. Ela não podia se render a ele, não dessa forma. — Eu não sei o que você quer de mim, Caio. — Ela disse com uma firmeza renovada, embora sua voz trêmula betrayasse sua insegurança. — Mas eu não vou ceder a esse jogo. Eu sou mais forte do que você pensa. Ele a observou por um momento, como se estivesse analisando suas palavras, pesando cada uma delas. E, então, finalmente, um sorriso sinuoso surgiu em seus lábios. Não era um sorriso de vitória, mas de pura diversão, como se soubesse exatamente o que ela estava pensando, como se estivesse se deliciando com o conflito interno que ele havia causado nela. — Você acha que é forte, Isabela? — Caio se aproximou mais uma vez, e a pressão entre eles aumentou, mas ela permaneceu imóvel, forçando-se a manter o olhar. — Você não é nada perto do que eu posso ser. — Ele disse com uma voz suave, quase sussurrada. — E eu vou continuar te provocando até você admitir o que realmente quer. Isabela sentiu o peso de suas palavras, e uma onda de raiva e desejo a invadiu. Ela queria gritar, queria afastá-lo, mas sabia que isso só alimentaria o fogo. Eles estavam presos nesse jogo, esse jogo de poder onde ninguém queria admitir a verdade. Ele se afastou lentamente, mas não sem antes deixar um último olhar penetrante sobre ela. — Eu estarei esperando, Isabela. Não pense que vai escapar de mim tão facilmente. Isabela ficou ali, sozinha no escritório, o coração batendo acelerado, a mente cheia de pensamentos conflitantes. Ele estava certo. Ela não conseguiria escapar dele. Não dessa vez. E, no fundo, algo dentro dela queria que ele continuasse. Queria que ele jogasse com ela, porque, de alguma forma, ela sabia que não conseguiria resistir àquele jogo por muito mais tempo.
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