O silêncio que se seguiu àquele encontro anterior não era uma paz, mas sim uma calmaria inquietante. Isabela m*l conseguia respirar sem se lembrar do toque de Caio, da intensidade de seu olhar, do desejo que transbordava, mas que ele tentava controlar com tanta frieza. Ela não podia ignorar o que acontecia entre eles, e embora tentasse esconder a dor da rejeição que ele lhe impusera, não podia negar que o desejo ainda estava lá, inflamado e pronto para consumi-los.
A noite depois do evento de gala foi um tormento para Isabela. Ela não conseguia dormir. Seu corpo ainda queimava com a lembrança de Caio, a sensação de sua mão firme sobre seu pulso, a tensão entre eles vibrando no ar, como um fio prestes a se romper. Ela passara horas virando-se na cama, tentando bloquear os pensamentos que a atormenta, mas cada vez que fechava os olhos, o rosto dele aparecia, e com ele a lembrança do toque que ela jamais conseguiria esquecer.
Na manhã seguinte, não havia mais como fugir. As consequências de suas escolhas estavam ao alcance de suas mãos, e ela sabia que não poderia mais fugir de Caio. O que havia acontecido entre eles naquela noite estava gravado em sua alma, e não importava o quanto tentasse, ela não conseguiria apagar a memória.
Foi em um dos corredores do imenso prédio onde ela e Caio se encontraram novamente, mas desta vez o destino não era o salão de gala elegante e repleto de convidados. O local era sombrio, com o eco de seus passos soando pesadamente nas paredes de mármore. Isabela estava a caminho de uma reunião, seu coração batendo forte no peito. O destino parecia ter planejado aquele momento, e ela sabia que seria impossível escapar.
Caio estava ali, sozinho, de costas para ela, com os braços cruzados e a expressão de sempre: fria, fechada. Mas quando ele a ouviu se aproximando, seu corpo se virou, e os olhos escuros que ela temia encontraram os dela com uma intensidade avassaladora.
— O que você quer agora, Caio? — A voz de Isabela estava mais baixa do que ela gostaria, mas as palavras saíram com uma carga de frustração e raiva reprimida. Ela não sabia o que mais ele queria dela, mas sabia que não conseguiria mais negar o que sentia. Aquela batalha interna estava pesando, e sua resistência estava começando a desmoronar.
Ele avançou alguns passos em direção a ela, seu olhar agora mais intenso do que nunca, quase como se estivesse tentando penetrar sua alma. A proximidade entre eles aumentava, e o espaço já pequeno parecia se estreitar ainda mais.
— O que eu quero? — Ele repetiu com uma risada seca, quase zombando da situação. — Não se faça de ingênua, Isabela. Você sabe muito bem o que eu quero.
Isabela sentiu um calor subir por seu corpo, suas mãos se apertando contra a saia do vestido que usava, tentando manter algum controle. Ele estava tão perto agora, tão próximo que ela sentia a batida de seu coração quase em sincronia com a dele. Seus corpos estavam à mercê dessa atração avassaladora que não podiam mais ignorar.
Ela respirou fundo, tentando manter a compostura, mas seus lábios se entre abriram e, pela primeira vez, a verdade saiu sem que ela pudesse controlar.
— Eu não posso fazer isso. Não com você, Caio. Não depois de tudo o que aconteceu.
Caio a observava com um olhar que misturava raiva e desejo, e ela sabia que ele estava à beira de explodir. Ele a puxou para mais perto com um movimento rápido e imprevisível, suas mãos agora firmemente em seus ombros, pressionando-a contra a parede. O toque dele a queimava, e, ao mesmo tempo, ela não queria que ele se afastasse.
— Você não entende, não é? — Ele murmurou, seu rosto agora a poucos centímetros do dela, a respiração dele quente contra sua pele. — Não posso mais resistir. E você também não pode. Então, pare de tentar.
Isabela fechou os olhos por um momento, o calor subindo por todo seu corpo. Ela sentia o desejo, aquela força incontrolável, mas também sentia o orgulho e a dor. Eles não podiam se render àquilo, não podiam deixar que os sentimentos tomassem conta de tudo.
Ela afastou-se com um movimento brusco, respirando fundo para tentar recuperar o controle.
— Não é assim que as coisas funcionam, Caio. — A voz dela estava firme, mas, por dentro, ela estava despedaçada. Ele tinha razão, ela sabia. Não podia mais negar o que estava acontecendo entre eles, mas ainda assim, algo dentro dela dizia que eles estavam indo por um caminho perigoso demais.
Ele a olhou com frustração, seus olhos se estreitando enquanto ele a observava com intensidade, como se quisesse descobrir cada segredo escondido atrás de seu olhar. Ele não conseguia mais mentir para si mesmo, e ela também não.
— Então, o que você quer? — Ele a provocou, avançando mais um passo na direção dela. — Me diga, Isabela, o que você quer de mim? O que realmente quer de nós?
As palavras dela saíram antes que ela pudesse controlar o impulso.
— Eu... — Ela começou, mas o som da sua própria voz a fez hesitar. Não sabia como responder. Ela não sabia o que queria. O que realmente desejava.
Caio, percebendo sua luta interna, deu um passo atrás, olhando para ela com uma mistura de cansaço e desejo.
— Eu não sei mais quem somos, Isabela. Mas o que sei é que isso — ele apontou entre os dois com um gesto amplo — não vai terminar tão facilmente. Não posso mais ignorar o que está entre nós.
Ela o encarou por um momento, tentando entender o que ele queria dizer. Ele estava falando de algo mais profundo, algo que ela já sabia, mas que não queria admitir. A verdade era que eles estavam condenados a isso. O desejo, o orgulho, o amor proibido... Era uma tempestade pronta para acontecer.
Isabela deu um passo para trás, sentindo os olhos de Caio em sua pele, mas não podia mais permanecer ali. Ela não sabia o que iria acontecer depois, mas tinha certeza de uma coisa: nada seria como antes.
— Eu preciso ir. — Sua voz estava trêmula, mas ela se virou e caminhou para longe dele, não para fugir, mas para tentar manter o pouco de controle que ainda restava.
Mas, ao fazer isso, ela sabia que o jogo entre eles estava prestes a mudar para sempre. E, no fundo, ela não sabia se estava pronta para lidar com as consequências.