Capítulo 7 – Resistência e Orgulho

1091 Palavras
O ambiente estava carregado de uma eletricidade palpável. A noite avançava em um ritmo lento, como se estivesse tentando entender a tensão entre Isabela e Caio. Eles estavam a poucos metros de distância, mas a pressão entre eles parecia sufocar o ar, tornando o salão do evento de gala pequeno e apertado. A música suave se misturava com o burburinho das conversas, mas para Isabela, tudo o que ela conseguia ouvir era o silêncio entre ela e Caio, intercalado pelos batimentos acelerados do seu próprio coração. Ela o observava de longe agora, mas ele, aparentemente, não a via. Ou, pelo menos, era isso o que ele queria que ela acreditasse. Ele se afastara, retornando ao centro do salão com a mesma postura inabalável de sempre, sua expressão um perfeito reflexo da indiferença. Ele falava com outros convidados, trocando cumprimentos e sorrisos falsos, mas Isabela sabia que, por dentro, ele estava tão perturbado quanto ela. Era difícil ignorar a sensação de que algo maior estava acontecendo. Algo que ambos estavam tentando resistir, mas que se tornava mais evidente a cada segundo. Isabela ainda conseguia sentir a intensidade do olhar de Caio, queimando-lhe a pele. Ele tentava se manter distante, mas as pequenas manifestações de seu desejo se tornavam mais evidentes a cada movimento, a cada palavra dita entre sorrisos forçados. Ela balançou a cabeça, tentando afastar a confusão que tomava conta de sua mente. Não podia ceder a isso. Não agora. Eles haviam sido separados pelo tempo, pelo destino e pela distância. O que haviam compartilhado no passado era algo que deveria ficar onde estava, enterrado no fundo de suas memórias. Mas, ao olhar para Caio, ela sabia que era impossível esquecer o que acontecera entre eles. O desejo ainda estava lá, latente, escondido sob camadas de orgulho e frustração. Isabela respirou fundo e começou a caminhar na direção oposta, tentando se afastar do foco daquela tensão. Ela tinha que manter sua dignidade, tinha que ser racional. Nada poderia acontecer entre eles, não depois de tudo. Mas, para sua surpresa, a mão de Caio surgiu do nada, segurando seu pulso com uma firmeza inesperada. Ela olhou para baixo, vendo a força que ele exercia, e sua respiração falhou por um instante. Ele a havia pegado de surpresa. — Não vá. — A voz dele era baixa, quase como um sussurro, mas a autoridade estava claramente ali. — Não me deixe sozinho com essa maldita sensação. Isabela olhou para ele, sentindo o calor da sua mão se espalhando por todo o corpo dela. A proximidade dele era intensa, como um magnetismo que a puxava para ele, mais forte do que ela jamais imaginara ser possível. — Eu não estou fazendo nada, Caio. — Ela tentou retirar o pulso, mas ele a segurou com mais força, o olhar dele agora fixo nela com uma intensidade que lhe cortava a respiração. Ele a observava de maneira implacável, seus olhos escuros queimando de desejo, mas com um véu de controle. Ele estava tentando manter as aparências, mas Isabela podia ver a luta interna que ele travava. Ele estava resistindo, assim como ela. Mas ele sabia o que estava em jogo. Eles dois sabiam. — Você sempre foi boa em se fazer de indiferente, Isabela. Mas não posso mais fingir que não vejo. — Ele disse, os dentes apertando as palavras como se quisesse mastigá-las. — Eu te desejo. Eu sempre te desejei, e você sabe disso. Isabela engoliu seco, sentindo uma onda de calor subir por seu corpo. Cada palavra de Caio era um golpe direto no seu orgulho, mas também uma chama que acendia algo muito profundo dentro dela. Ela não sabia como responder. Não podia ceder agora. Não depois de tudo o que havia acontecido. Ela levantou a cabeça, desafiando-o com o olhar, tentando esconder a fraqueza que ela sentia por dentro. — Você acha que eu não sei disso? — Ela respondeu, a voz firme, mas com um leve tremor. — Você acha que eu não percebi o quanto você me desejou? Mas não adianta, Caio. O que foi entre nós, já acabou. Ele soltou um riso seco, uma risada vazia de qualquer humor, como se aquilo fosse o cúmulo do absurdo. — Não minta para mim, Isabela. — Ele se aproximou dela, seus olhos brilhando com um desejo palpável que não conseguia mais esconder. — Não agora. Nós dois sabemos o que está acontecendo aqui. Isabela tentou se afastar, mas ele não a deixou. Ele ainda segurava seu pulso, agora com uma força que fazia seu corpo arrepiar. Ela estava tentando se manter firme, mas era como se o magnetismo entre eles fosse impossível de resistir. — Deixe-me ir. — Sua voz saiu mais baixa do que ela pretendia, mas as palavras estavam cheias de um apelo reprimido que ela tentava, a todo custo, ignorar. Caio olhou para ela com uma expressão de dor e frustração, como se ele estivesse lutando contra algo que não pudesse controlar. Ele parecia querer dizer algo, mas nada saiu. Ele não conseguia mais esconder o que sentia. A tensão entre eles estava à flor da pele, e Isabela sabia que ele estava tão próximo do limite quanto ela. Ele respirou fundo, tentando se recompor, e soltou seu pulso lentamente, como se aquele gesto fosse uma concessão. Mas o olhar dele ainda estava carregado de algo mais profundo, mais intenso. Isabela podia ver o desejo ali, mais forte do que qualquer orgulho ou resistência. Ela sentiu uma dor aguda em seu peito, a sensação de que algo estava prestes a quebrar. Eles estavam se aproximando de um ponto sem volta, e nem ela nem ele estavam prontos para enfrentar o que isso significaria. — Você não pode se afastar de mim para sempre, Isabela. — Ele disse, sua voz mais suave agora, quase como uma promessa. — Não depois de tudo o que aconteceu entre nós. Ela olhou para ele, os olhos brilhando com a luta interna que ambos travavam. Eles estavam tentando resistir, mas a verdade era que o desejo, o orgulho e a dor estavam se misturando de uma forma que os tornava inseparáveis. Isabela respirou fundo, mais uma vez se afastando, sem saber o que seria deles. Mas ela sabia que não poderia ignorar o que estava acontecendo. Não agora. Não mais. Ela olhou para ele pela última vez naquela noite, sentindo seu coração pulsar de uma maneira caótica e incontrolável. Eles ainda estavam ali, no mesmo espaço, mas algo já havia mudado entre eles. E ela sabia que não havia como voltar atrás.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR