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cenas de um casamento Desfeito

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Sinopse

Cinco anos atrás, Lyana abandonou tudo o lar silencioso, as promessas quebradas, o homem que a olhava como se fosse posse, não amor. Fugiu sem carta, sem adeus, com o coração em ruínas e a esperança de recomeçar longe da dor. Mas o passado tem memória longa... e endereço certo.Agora, Sebastian está de volta. O mesmo olhar frio. A mesma presença sufocante. E a mesma certeza: Lyana ainda é dele.Entre a paz que lutou para conquistar e a sombra de um casamento que nunca cicatrizou, ela precisará escolher: continuar fugindo… ou encarar o homem que jurou nunca mais amar.

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De volta ao passado
A poeira da estrada se levantava atrás do jipe como uma nuvem espessa, tingida de dourado pelo sol da tarde. Lyana mantinha os olhos fixos no caminho à frente, mesmo usando os óculos escuros que escondiam parte da inquietação em seu olhar. Seu corpo estava perfeitamente composto, a postura elegante contrastava com o ambiente rústico ao redor. Vestia roupas brancas impecáveis, como se desafiasse a sujeira e o calor da terra que um dia amaldiçoara. Ela nunca imaginou que voltaria àquela fazenda. Jamais. Durante um ano, viveu ali o que considerava um dos períodos mais sombrios de sua vida. Casara-se aos vinte anos com Sebastião Villar, um homem de olhar enigmático e alma cercada de segredos. Dono de uma renomada vinícola numa pequena cidade no interior da Itália, ele era admirado pelos habitantes locais, cercado por gente sorridente e simples, como se fosse parte de um conto de fadas. Mas dentro daquela casa, entre os vinhedos, Lyana conheceu a solidão mais c***l. Seu casamento, desde o início, foi um erro. Uma ilusão alimentada por promessas que nunca se concretizaram. E agora, cinco anos depois, ela se via obrigada a retornar, não por vontade, mas por necessidade. Sebastião se recusava a assinar os papéis do divórcio, e por conta da lei italiana, ela ainda era, oficialmente, sua esposa. O destino, c***l como sempre, a arrastava de volta para os braços — ou melhor, para a prisão — de um homem que ela desprezava. Durante os anos longe dele, Lyana reconstruiu sua vida. Estudou moda, formou-se com louvor, e estava prestes a lançar sua própria marca. Tinha deixado a garota assustada para trás, mas ainda assim, pensar em encarar Sebastião Villar fazia seu estômago revirar. — Está tudo bem, senhorita? — perguntou o motorista do jipe, quebrando o silêncio. Ela esboçou um sorriso seco, revelando dentes brancos e bem-cuidados. Seus cabelos longos e negros estavam presos em um coque elegante, mas algumas mechas escapavam com charme. Seu rosto era de uma beleza marcante, mas eram os olhos castanho-esverdeados que chamavam mais atenção — olhos que já haviam deixado muitos homens sem chão, inclusive o próprio Sebastião. — Está faltando muito para chegar? — perguntou, retirando os óculos e encarando o motorista. — Não, senhora. Já estamos quase lá. O jipe sacolejou por mais alguns minutos, vencendo buracos e pedras, até que, ao longe, ela avistou os contornos familiares da propriedade Villar. O coração acelerou no peito, os dedos se fecharam com força sobre a alça da bolsa. Por um instante, pensou que poderia desmaiar. Assim que o veículo parou, Lyana saltou com pressa. Pagou o motorista e pegou sua maleta — trouxera apenas uma. O resto da bagagem deixara no hotel na cidade. Já estava decidido: não passaria mais de um dia naquele lugar amaldiçoado. Sacudiu a roupa, tirando o excesso de poeira, e respirou fundo. Os portões da fazenda se erguiam à sua frente como os portais do inferno. E ela era Hades voltando para o próprio castigo. Ao cruzar os portões, foi recebida pelo velho mordomo da casa. O mesmo de anos atrás, com rugas mais profundas, mas o mesmo olhar servil. — Senhora Lyana, que bom que está de volta. Ela o fitou por um instante, sem sorrir. — Bom? Isso aqui para mim é o inferno — pensou, mas manteve o pensamento para si. — Onde está Sebastião? — perguntou, direta. — O senhor Villar está fora, mas deve chegar em breve. Lyana sentiu o suor frio escorrer pela nuca. Nada havia mudado. Sebastião, como sempre, ausente. Um homem que parecia viver mais em aeroportos do que dentro da própria casa. Durante o casamento, ela se sentia como um móvel caro e ignorado — presente, mas sem utilidade real. Seguiu o mordomo até a sala de estar. Era estranhamente familiar. Nada parecia ter mudado. As poltronas, os tapetes, até mesmo o aroma do incenso queimado. Sentou-se em um dos sofás e pegou um livro antigo que descansava sobre a mesa. Tentou se distrair, mas a espera arrastava os minutos como horas. Duas longas horas depois, a porta se abriu com um estrondo. Sebastião Villar entrou com a autoridade de um rei em seu castelo. Alto, imponente, de ombros largos e presença marcante. Usava camisa branca com as mangas dobradas até os cotovelos, os primeiros botões abertos revelando o peito bronzeado. Os cabelos castanhos estavam levemente desalinhados e os olhos azuis, intensos como o céu da Toscana, se fixaram nela com um misto de surpresa e deboche. Lyana levantou o olhar, o coração pulando no peito. Era como se os anos não tivessem passado para ele. Tão bonito e viril quanto no dia em que o conheceu. Maldito. Ele ainda mexia com ela de um jeito que odiava admitir. — Oi, Sebastião — disse, com a voz firme, mas contida. Ele deu um sorriso cínico, os lábios curvando-se com desdém. — Até que enfim, minha esposa fugitiva voltou para casa. A frase bateu como um t**a. Mas Lyana estava pronta para isso. — Não voltei para casa — respondeu. — Só vim buscar minha liberdade. Sebastião não respondeu de imediato. Apenas a observou por longos segundos, como se analisasse cada detalhe dela — a roupa, o tom da pele, o brilho nos olhos. Lyana sustentou o olhar. Não era mais a mesma garota submissa de antes. Estava ali por escolha. Por necessidade. Mas com a alma em punhos. — Vejo que os anos te fizeram bem — ele disse, por fim. — Ao contrário de você — ela respondeu. — Que continua preso aos próprios jogos. Ele riu, um som rouco, quase amargo. — E você continua com a língua afiada. Está aqui pelo divórcio, certo? — Sim. E não vou sair sem ele. — Vamos ver — ele disse, cruzando os braços. — Vai depender se ainda conseguimos conversar como adultos... ou se vai correr de novo como fez da última vez. Lyana deu um passo à frente, firme. — Eu não corri. Eu sobrevivi. Sebastião inclinou a cabeça, quase como se reconhecesse a resposta. Mas o sorriso que surgiu no canto da boca ainda era o de um homem que gostava de controlar. E naquele instante, ambos sabiam: aquele reencontro estava longe de ser apenas uma formalidade. Velhas feridas iam sangrar. E talvez... novos desejos também surgissem.

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