A manhã seguinte amanheceu ensolarada, o céu limpo como se a chuva da noite anterior tivesse lavado tudo — as ruas, o ar, os medos.
Quando Hana abriu os olhos, o primeiro pensamento que veio não foi dor, nem dúvida, nem lembrança r**m.
Foi um nome.
Ji-Won.
Ela se espreguiçou, sentindo algo no peito que há tempos não sentia: leveza.
O celular vibrava na mesinha.
Uma mensagem simples, mas que fez o coração dela sorrir:
“O café ainda é melhor quando você está nele. Te espero às 9.”
Ela sorriu sozinha.
Primeiro encontro oficial.
Sem planos de trabalho, sem segredos, sem desculpas — só os dois.
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O café escolhido por Ji-Won não era o luxuoso de costume.
Era pequeno, cheio de plantas e com música suave tocando no fundo.
O tipo de lugar que parecia respirar calma.
Quando Hana chegou, ele já estava lá.
Casual, com as mangas da camisa dobradas e o sorriso mais tranquilo que ela já tinha visto nele.
Nada de postura rígida, nada de formalidade — só o homem que aprendeu a se permitir ser.
— Pensei que você gostava de lugares silenciosos — ela brincou.
— Eu gostava — ele respondeu. — Mas ultimamente tenho aprendido a gostar de lugares com som. Principalmente o da sua risada.
Hana riu, balançando a cabeça.
— Você ficou terrivelmente bom com palavras.
— Culpado. — Ele levantou as mãos, divertido. — Tive uma boa professora.
O garçom chegou, e os dois pediram o mesmo café com leite e bolo de amêndoas.
Simples, doce, perfeito.
Enquanto esperavam, Ji-Won observava Hana com um olhar tranquilo, quase encantado.
Ela notou e arqueou uma sobrancelha.
— O que foi?
— Nada. — Ele sorriu. — Só estou tentando gravar essa cena na memória.
— Por quê?
— Porque por muito tempo, quando eu pensava em futuro, via planilhas. Hoje… vejo isso.
O coração dela apertou.
E, ao mesmo tempo, se abriu.
— Cuidado — ela disse, fingindo leveza. — Isso soa como confissão perigosa.
— Então eu confesso direito. — Ji-Won se inclinou um pouco. — Eu amo isso. Amo estar aqui. Amo… você.
O tempo parou.
As palavras ficaram flutuando no ar, suaves, mas com o peso exato do que é verdadeiro.
Hana piscou, surpresa, e o sorriso veio devagar.
— Você escolheu um bom momento pra dizer isso.
— É que eu aprendi que não existe hora certa — ele respondeu. — Só o medo errado.
Ela o olhou por longos segundos antes de dizer:
— Então… obrigada por ter coragem.
O garçom chegou bem nesse instante, interrompendo o silêncio doce.
Os dois riram juntos, quebrando a tensão, e o clima voltou a ser leve — mas o mundo já tinha mudado.
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Depois do café, caminharam pelo parque próximo.
O vento balançava as folhas e o som da cidade parecia distante.
Sem perceber, os dedos deles se entrelaçaram de novo.
— Sabe o que é engraçado? — Hana disse. — Quando eu te conheci, eu não suportava você.
— Eu lembro. — Ji-Won riu. — Você me olhava como quem queria me processar.
— Eu ainda posso — ela provocou.
— Eu prefiro que me perdoe.
Hana olhou para ele, e o riso se transformou em algo mais terno.
— Eu já perdoei, Ji-Won. Só estava esperando você perceber.
Ele parou de andar, puxando-a suavemente pela mão.
— Eu percebi. Tarde, mas percebi.
O vento soprou entre eles.
Ji-Won levantou a mão e afastou uma mecha de cabelo do rosto dela.
— E agora? — Hana perguntou, num tom leve, mas com o olhar profundo.
— Agora eu só quero te ver sorrir. Todos os dias.
Ela riu, encostando o rosto no peito dele.
— Isso é um plano ambicioso.
— Eu sempre gostei de desafios.
Ficaram ali por minutos, abraçados no meio da rua calma, o mundo correndo ao redor sem pressa de atrapalhar.
Era simples, era bonito, era real.
O tipo de amor que não precisa de promessas — só de presença.
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Quando se despediram, Ji-Won segurou o rosto dela entre as mãos e a olhou como se quisesse decorar cada detalhe.
— Obrigado por ter me deixado começar de novo — ele disse.
Hana sorriu, encostando as mãos nas dele.
— Eu não deixei. Eu comecei com você.
Ele a beijou.
Dessa vez, sem medo, sem pressa, sem passado.
Um beijo leve, mas cheio de futuro.
O sol os envolveu, o vento soprou, e pela primeira vez desde o início de tudo, havia paz.
Não era o final da história.
Era o primeiro dia do amor deles.
Simples. E absolutamente certo.