CAPÍTULO 27 — QUANDO O AMOR É COLOCADO À PROVA

792 Palavras
A semana seguinte parecia perfeita demais para ser real. Hana e Ji-Won estavam em sintonia, como se, depois de tanta luta, o universo finalmente tivesse decidido dar trégua. As manhãs vinham com mensagens simples — “Café às 9?”, “Dormiu bem?”, “Sinto sua falta.” — e as tardes, com encontros rápidos entre uma reunião e outra. Era leve. Era calmo. Era real. Mas a paz tem um jeito c***l de ser interrompida. Na quinta-feira, Hana chegou à empresa e encontrou um clima estranho. Os olhares estavam diferentes — curiosos, tensos. Ao passar pela recepção, ouviu murmúrios, cochichos abafados. — Você viu o que saiu? — Está em todos os sites. O estômago dela se revirou. Abriu o celular. E lá estava. “CEO Ji-Won Kang e funcionária são flagrados em romance secreto — conflito de interesses dentro da Haneul Corp.” A foto anexada mostrava os dois no parque, mãos entrelaçadas, sorrisos leves. O coração de Hana parou. As mãos começaram a tremer. O barulho ao redor desapareceu. O que restou foi o som alto da própria respiração. Não… não agora. Antes que pudesse reagir, o telefone do setor tocou. A secretária a chamou com urgência: — Hana, o conselho quer falar com você. Agora. A sala de reuniões estava cheia. Diretores, advogados, e Ji-Won — em pé, com expressão tensa, segurando firme o controle da situação. Quando ela entrou, o silêncio caiu. Um dos conselheiros começou: — Senhor Kang, senhorita Lee. Essa situação é delicada. A empresa não pode se envolver em escândalos internos. — Não é um escândalo — Ji-Won respondeu. — É um relacionamento pessoal. — Um relacionamento entre CEO e funcionária — o diretor rebateu. — Isso coloca em risco a imagem da companhia. Hana manteve a cabeça baixa. Cada palavra era uma agulha. Um dos advogados pigarreou: — A imprensa quer pronunciamento. A pergunta é simples: vocês assumem ou negam? Hana olhou para Ji-Won, o olhar aflito. Ele respirou fundo. — Assumo. A sala explodiu em murmúrios. — Ji-Won… — Hana sussurrou. — Eu não vou negar o que é verdadeiro — ele disse, firme, olhando para ela. — Eu não tenho mais medo de assumir o que sinto. Ela sentiu o peito apertar, entre o orgulho e o medo. O conselho, porém, não compartilhou da mesma emoção. — Isso pode gerar um processo ético, senhor Kang. — Eu assumo as consequências — respondeu, sem hesitar. Mais tarde, já no escritório, Hana o encontrou sozinho, olhando a janela. — Você não precisava fazer isso — disse, baixinho. Ji-Won virou-se, exausto, mas com um brilho tranquilo no olhar. — Eu precisava, sim. Passei tempo demais tentando salvar minha imagem. Agora só quero salvar o que é real. Ela suspirou, se aproximando. — Eles vão usar isso contra você. Contra nós. — Que usem. — Ele deu um meio sorriso. — Você me ensinou que confiança é escolha, lembra? Eu escolho a gente. Hana sentiu os olhos marejarem. — Ji-Won… Ele segurou as mãos dela, com cuidado. — Eu prometo que, dessa vez, não vou deixar a tempestade te atingir sozinha. E, como se o destino ouvisse, o celular dele vibrou na mesa. Uma nova notificação de e-mail, anônima. Assunto: “Você acha mesmo que o conselho vai aceitar?” Havia um arquivo anexado. Quando abriu, a tela mostrou um contrato confidencial, manipulado, sugerindo que Hana recebera vantagens por causa do relacionamento. Um golpe. Um novo ataque. Ji-Won ficou pálido. — Isso é falsificado. — Ele olhou para ela. — Eles querem te destruir de novo. Hana inspirou fundo. — Então a gente vai lutar. Juntos, dessa vez. O olhar dele suavizou, emocionado. — Juntos. Ele a puxou para um abraço. Lá fora, as nuvens começaram a se formar no céu — uma nova tempestade à vista. Mas, dentro daquela sala, havia algo mais forte: dois corações prontos para enfrentá-la lado a lado. Horas depois, quando todos já tinham ido embora, Hana ficou sozinha, revisando documentos. A empresa dormia. A cidade lá fora também. Mas ela sentia que algo novo estava começando dentro dela — uma força tranquila, o tipo de coragem que vem quando você ama sem se esconder. Ji-Won apareceu na porta, com duas xícaras de café. — Pensei que você ainda estivesse aqui. Ela sorriu, cansada. — Não consigo dormir. Ele se aproximou e pousou a caneca na mesa. — Então não dorme sozinha. Os dois ficaram em silêncio, lado a lado, observando o nascer do sol pela janela do escritório. E, mesmo que o futuro ainda trouxesse riscos, Hana sabia: não importava o que viesse — eles estavam juntos de verdade agora. O amor não era mais um refúgio. Era uma decisão. E eles tinham acabado de tomá-la.
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