A semana seguinte parecia perfeita demais para ser real.
Hana e Ji-Won estavam em sintonia, como se, depois de tanta luta, o universo finalmente tivesse decidido dar trégua.
As manhãs vinham com mensagens simples — “Café às 9?”, “Dormiu bem?”, “Sinto sua falta.” — e as tardes, com encontros rápidos entre uma reunião e outra.
Era leve.
Era calmo.
Era real.
Mas a paz tem um jeito c***l de ser interrompida.
Na quinta-feira, Hana chegou à empresa e encontrou um clima estranho.
Os olhares estavam diferentes — curiosos, tensos.
Ao passar pela recepção, ouviu murmúrios, cochichos abafados.
— Você viu o que saiu?
— Está em todos os sites.
O estômago dela se revirou.
Abriu o celular.
E lá estava.
“CEO Ji-Won Kang e funcionária são flagrados em romance secreto — conflito de interesses dentro da Haneul Corp.”
A foto anexada mostrava os dois no parque, mãos entrelaçadas, sorrisos leves.
O coração de Hana parou.
As mãos começaram a tremer.
O barulho ao redor desapareceu.
O que restou foi o som alto da própria respiração.
Não… não agora.
Antes que pudesse reagir, o telefone do setor tocou.
A secretária a chamou com urgência:
— Hana, o conselho quer falar com você. Agora.
A sala de reuniões estava cheia.
Diretores, advogados, e Ji-Won — em pé, com expressão tensa, segurando firme o controle da situação.
Quando ela entrou, o silêncio caiu.
Um dos conselheiros começou:
— Senhor Kang, senhorita Lee. Essa situação é delicada. A empresa não pode se envolver em escândalos internos.
— Não é um escândalo — Ji-Won respondeu. — É um relacionamento pessoal.
— Um relacionamento entre CEO e funcionária — o diretor rebateu. — Isso coloca em risco a imagem da companhia.
Hana manteve a cabeça baixa.
Cada palavra era uma agulha.
Um dos advogados pigarreou:
— A imprensa quer pronunciamento. A pergunta é simples: vocês assumem ou negam?
Hana olhou para Ji-Won, o olhar aflito.
Ele respirou fundo.
— Assumo.
A sala explodiu em murmúrios.
— Ji-Won… — Hana sussurrou.
— Eu não vou negar o que é verdadeiro — ele disse, firme, olhando para ela. — Eu não tenho mais medo de assumir o que sinto.
Ela sentiu o peito apertar, entre o orgulho e o medo.
O conselho, porém, não compartilhou da mesma emoção.
— Isso pode gerar um processo ético, senhor Kang.
— Eu assumo as consequências — respondeu, sem hesitar.
Mais tarde, já no escritório, Hana o encontrou sozinho, olhando a janela.
— Você não precisava fazer isso — disse, baixinho.
Ji-Won virou-se, exausto, mas com um brilho tranquilo no olhar.
— Eu precisava, sim. Passei tempo demais tentando salvar minha imagem. Agora só quero salvar o que é real.
Ela suspirou, se aproximando.
— Eles vão usar isso contra você. Contra nós.
— Que usem. — Ele deu um meio sorriso. — Você me ensinou que confiança é escolha, lembra? Eu escolho a gente.
Hana sentiu os olhos marejarem.
— Ji-Won…
Ele segurou as mãos dela, com cuidado.
— Eu prometo que, dessa vez, não vou deixar a tempestade te atingir sozinha.
E, como se o destino ouvisse, o celular dele vibrou na mesa.
Uma nova notificação de e-mail, anônima.
Assunto: “Você acha mesmo que o conselho vai aceitar?”
Havia um arquivo anexado.
Quando abriu, a tela mostrou um contrato confidencial, manipulado, sugerindo que Hana recebera vantagens por causa do relacionamento.
Um golpe.
Um novo ataque.
Ji-Won ficou pálido.
— Isso é falsificado. — Ele olhou para ela. — Eles querem te destruir de novo.
Hana inspirou fundo.
— Então a gente vai lutar. Juntos, dessa vez.
O olhar dele suavizou, emocionado.
— Juntos.
Ele a puxou para um abraço.
Lá fora, as nuvens começaram a se formar no céu — uma nova tempestade à vista.
Mas, dentro daquela sala, havia algo mais forte: dois corações prontos para enfrentá-la lado a lado.
Horas depois, quando todos já tinham ido embora, Hana ficou sozinha, revisando documentos.
A empresa dormia.
A cidade lá fora também.
Mas ela sentia que algo novo estava começando dentro dela — uma força tranquila, o tipo de coragem que vem quando você ama sem se esconder.
Ji-Won apareceu na porta, com duas xícaras de café.
— Pensei que você ainda estivesse aqui.
Ela sorriu, cansada.
— Não consigo dormir.
Ele se aproximou e pousou a caneca na mesa.
— Então não dorme sozinha.
Os dois ficaram em silêncio, lado a lado, observando o nascer do sol pela janela do escritório.
E, mesmo que o futuro ainda trouxesse riscos, Hana sabia: não importava o que viesse — eles estavam juntos de verdade agora.
O amor não era mais um refúgio.
Era uma decisão.
E eles tinham acabado de tomá-la.