CAPÍTULO 44 — QUANDO A MÁSCARA COMEÇA A RACHAR

625 Palavras
Yoon-Hee percebeu antes de todos. Não foi uma ligação. Não foi uma manchete. Foi o silêncio. Hana tinha parado de reagir. Nenhuma resposta. Nenhum recuo. Nenhum pedido de explicação. E isso era pior do que confronto. — Ela sabe… — murmurou Yoon-Hee, andando de um lado para o outro no escritório. — E agora está pensando. Ela apertou o celular com força. Pensar sempre foi a maior ameaça. Yoon-Hee não suportava perder o controle da história — muito menos da pessoa que, por tanto tempo, ela conseguiu manter pequena. — Não — sussurrou. — Isso não termina assim. A primeira tentativa foi sutil. Uma nota anônima enviada a um jornalista conhecido por furos escandalosos. Nada comprovado. Apenas “sugestões”. Mas a resposta veio fria: “Sem provas novas, não publico.” Yoon-Hee jogou o celular na mesa, furiosa. — Covardes. Ela respirou fundo, tentando recuperar a compostura. Pensou rápido. Rápido demais. Decidiu pular etapas. Hana estava em casa naquela tarde, organizando documentos, quando o interfone tocou. — Senhora Lee? — a voz do porteiro soava tensa. — Tem uma mulher aqui dizendo que precisa falar com você. Diz que é urgente. O estômago de Hana se contraiu. — Qual o nome? Houve uma breve pausa. — Yoon-Hee. Hana fechou os olhos por um segundo. Respirou fundo. — Diga que não vou descer. — Ela… — o porteiro hesitou. — Ela disse que vai esperar. — Então deixe-a esperar. Hana desligou e sentou no sofá, o coração acelerado, mas a mente clara. Minutos depois, o celular vibrou. “Você não pode fugir de mim para sempre.” Hana não respondeu. Outra mensagem: “Se não falar comigo, eu falo com o mundo.” Hana respirou fundo, digitou com calma: “Faça o que quiser. Eu não me escondo mais.” O indicador de digitação surgiu… e desapareceu. Silêncio. Do outro lado da cidade, Yoon-Hee perdeu a compostura. — Insolente — murmurou, os olhos ardendo de raiva. — Você acha que venceu? Ela abriu uma gaveta e tirou um pen drive. Antigo. Guardado como última carta. — Então vamos ver até onde vai sua coragem. Naquela noite, Ji-Won recebeu uma ligação urgente. — Senhor Kang — disse o chefe jurídico. — Precisamos conversar agora. Yoon-Hee entrou com uma ação preventiva. Ji-Won sentiu o sangue gelar. — Contra quem? — Contra Hana. — Com que base? — Alegações de difamação e danos morais. Ela quer silenciar qualquer denúncia antes que aconteça. Ji-Won fechou os olhos por um instante. — Ela está desesperada — murmurou. — Sim — o advogado confirmou. — E pessoas desesperadas são perigosas. Hana recebeu a notificação judicial na manhã seguinte. Leu com atenção. Sem tremer. — Então é assim — disse para si mesma. — Quando não controla mais… tenta calar. Ji-Won chegou pouco depois, preocupado. — Você está bem? Hana assentiu. — Estou. — Olhou para ele. — Ela está com medo. Ji-Won franziu a testa. — Isso não te assusta? — Assusta. — Hana foi honesta. — Mas também confirma que estou no caminho certo. Ela segurou a mão dele. — Não quero que você resolva isso por mim. Ji-Won assentiu, sério. — Então vamos resolver juntos. Mas do jeito certo. Naquele mesmo dia, um boato começou a circular nos bastidores corporativos: Yoon-Hee estava pressionando aliados. Comprando silêncio. Queimando pontes. E, em seu escritório, sozinha, ela encarava o reflexo no vidro. Não havia mais sorriso. Só tensão. — Você devia ter ficado quieta — murmurou, imaginando Hana. — Agora vai pagar por isso. Mas, pela primeira vez em muito tempo, a ameaça soou vazia. Porque Hana não estava mais correndo. E vilões que perdem o controle… acabam revelando demais. A máscara de Yoon-Hee estava rachando. E a queda… tinha começado.
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