A chuva fina continuava a deslizar pelos vidros da Haneul Corp, deixando o mundo lá fora com um brilho azulado e melancólico.
Hana tentava se concentrar no computador, mas seus dedos tremiam.
O ar da sala parecia pesado… ou talvez fosse o peso do olhar de Ji-Won atravessando suas costas.
Ela respirou fundo.
Não faça besteira, Hana. É seu primeiro dia.
— Você está nervosa — a voz profunda dele cortou o silêncio.
Não era uma pergunta.
Era um diagnóstico.
Hana virou-se devagar, com aquele sorriso automático de quem tenta esconder dor.
— Só um pouco. É muita informação… tudo tão novo.
Ji-Won a observou por alguns segundos.
Ela tinha um jeito que o desconcertava — e ele odiava ser desconcertado.
— Aqui ninguém tem espaço para erros — ele disse, frio.
— Aqui ou em qualquer lugar? — Hana retrucou suavemente.
Ele franziu o cenho.
Ela continuou:
— Às vezes… as pessoas só precisam de uma chance.
Ji-Won ficou em silêncio.
Apertou os lábios, desviou o olhar.
Ela era… estranha.
Ou talvez fosse exatamente o que ele não sabia que precisava.
— Vamos revisar o projeto — ele disse, tentando recuperar o controle.
Enquanto caminhavam lado a lado pelo corredor, Hana percebeu algo curioso:
Ji-Won mantinha sempre exatos três passos de distância.
Nem mais.
Nem menos.
Como se aproximar demais pudesse queimá-lo.
Na sala de reuniões, Hana se atrapalhou com os slides.
O controle caiu da mão dela e deslizou pelo chão.
Ji-Won fechou os olhos como se aquilo doesse.
Ele se abaixou para pegar o controle ao mesmo tempo que ela.
Os dedos se tocaram.
Hana congelou.
Ji-Won também.
Por um segundo, o mundo pareceu parar —
o ar ficou quente, a respiração curta, o tempo lento.
Ela o encarou.
E viu algo no olhar dele.
Algo profundo… intenso… triste.
Ji-Won foi o primeiro a desviar.
Levantou-se rápido, limpando a palma da mão no terno como se tivesse sido queimado.
— Preste mais atenção — ele murmurou.
Hana não respondeu.
Só olhou para ele com aqueles olhos que enxergavam mais do que ele gostaria.
Horas depois, quando o expediente acabou e Hana estava prestes a sair, começou a chover forte.
Ela não tinha guarda-chuva.
— Ótimo… — murmurou, encolhendo os ombros.
De repente, uma sombra se projetou ao seu lado.
Ji-Won.
Segurando um guarda-chuva preto.
O mesmo que você pediu para aparecer na capa.
— Eu te levo até o metrô — ele disse, sem emoção aparente.
Hana arregalou os olhos.
— Obrigada, mas… eu posso ir correndo. Não precisa—
— Eu insisto.
Andaram juntos, o guarda-chuva grande o suficiente para cobrir apenas se ela ficasse perto.
Bem perto.
A cada passo, Hana sentia o perfume dele.
E o coração acelerado.
E aquele olhar dele… que parecia segurá-la pelo rosto sem tocá-la.
Quando chegaram à esquina, ela sorriu.
Um sorriso tímido, doce… apaixonado sem querer.
Ji-Won desviou o olhar novamente.
Como se o sorriso dela fosse perigoso demais.
— Boa noite — ele disse.
— Boa noite, senhor Kang.
Ela se virou para ir embora.
Mas ele a chamou.
— Hana.
Ela congelou.
Ji-Won hesitou.
Como se lutasse contra algo dentro dele.
Mas então disse, com a voz baixa:
— Não chegue atrasada amanhã.
Ela sorriu de novo.
Ele quase sorriu também — mas se conteve.
E quando ela virou a esquina…
ele ficou ali, parado, olhando para o vazio, percebendo que aquela mulher seria um problema.
Um problema que ele não sabia se queria resolver…
ou manter por perto.