CAPÍTULO 2 — O PRIMEIRO IMPACTO

583 Palavras
A chuva fina continuava a deslizar pelos vidros da Haneul Corp, deixando o mundo lá fora com um brilho azulado e melancólico. Hana tentava se concentrar no computador, mas seus dedos tremiam. O ar da sala parecia pesado… ou talvez fosse o peso do olhar de Ji-Won atravessando suas costas. Ela respirou fundo. Não faça besteira, Hana. É seu primeiro dia. — Você está nervosa — a voz profunda dele cortou o silêncio. Não era uma pergunta. Era um diagnóstico. Hana virou-se devagar, com aquele sorriso automático de quem tenta esconder dor. — Só um pouco. É muita informação… tudo tão novo. Ji-Won a observou por alguns segundos. Ela tinha um jeito que o desconcertava — e ele odiava ser desconcertado. — Aqui ninguém tem espaço para erros — ele disse, frio. — Aqui ou em qualquer lugar? — Hana retrucou suavemente. Ele franziu o cenho. Ela continuou: — Às vezes… as pessoas só precisam de uma chance. Ji-Won ficou em silêncio. Apertou os lábios, desviou o olhar. Ela era… estranha. Ou talvez fosse exatamente o que ele não sabia que precisava. — Vamos revisar o projeto — ele disse, tentando recuperar o controle. Enquanto caminhavam lado a lado pelo corredor, Hana percebeu algo curioso: Ji-Won mantinha sempre exatos três passos de distância. Nem mais. Nem menos. Como se aproximar demais pudesse queimá-lo. Na sala de reuniões, Hana se atrapalhou com os slides. O controle caiu da mão dela e deslizou pelo chão. Ji-Won fechou os olhos como se aquilo doesse. Ele se abaixou para pegar o controle ao mesmo tempo que ela. Os dedos se tocaram. Hana congelou. Ji-Won também. Por um segundo, o mundo pareceu parar — o ar ficou quente, a respiração curta, o tempo lento. Ela o encarou. E viu algo no olhar dele. Algo profundo… intenso… triste. Ji-Won foi o primeiro a desviar. Levantou-se rápido, limpando a palma da mão no terno como se tivesse sido queimado. — Preste mais atenção — ele murmurou. Hana não respondeu. Só olhou para ele com aqueles olhos que enxergavam mais do que ele gostaria. Horas depois, quando o expediente acabou e Hana estava prestes a sair, começou a chover forte. Ela não tinha guarda-chuva. — Ótimo… — murmurou, encolhendo os ombros. De repente, uma sombra se projetou ao seu lado. Ji-Won. Segurando um guarda-chuva preto. O mesmo que você pediu para aparecer na capa. — Eu te levo até o metrô — ele disse, sem emoção aparente. Hana arregalou os olhos. — Obrigada, mas… eu posso ir correndo. Não precisa— — Eu insisto. Andaram juntos, o guarda-chuva grande o suficiente para cobrir apenas se ela ficasse perto. Bem perto. A cada passo, Hana sentia o perfume dele. E o coração acelerado. E aquele olhar dele… que parecia segurá-la pelo rosto sem tocá-la. Quando chegaram à esquina, ela sorriu. Um sorriso tímido, doce… apaixonado sem querer. Ji-Won desviou o olhar novamente. Como se o sorriso dela fosse perigoso demais. — Boa noite — ele disse. — Boa noite, senhor Kang. Ela se virou para ir embora. Mas ele a chamou. — Hana. Ela congelou. Ji-Won hesitou. Como se lutasse contra algo dentro dele. Mas então disse, com a voz baixa: — Não chegue atrasada amanhã. Ela sorriu de novo. Ele quase sorriu também — mas se conteve. E quando ela virou a esquina… ele ficou ali, parado, olhando para o vazio, percebendo que aquela mulher seria um problema. Um problema que ele não sabia se queria resolver… ou manter por perto.
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