CAPÍTULO 15 — O DIA EM QUE ELE DECIDE LUTAR POR ELA

848 Palavras
A chuva continuou durante toda a noite, como se o mundo estivesse lavando as dores de todos — mas Ji-Won não conseguia sentir alívio algum. Ele ficou ali, parado na entrada da empresa por longos minutos depois que Hana desapareceu na calçada. Min-Ho tentou falar com ele. Funcionários passaram olhando com preocupação. Mas Ji-Won não ouvia nada. Só uma frase ecoava como um martelo dentro dele: "Confiar não é tentar. Confiar é escolher." Ele repetia mentalmente, como se aquilo tivesse sido arrancado da alma. E quando finalmente voltou para seu escritório, encharcado, exausto, devastado — algo dentro dele virou uma chave. Ele fechou a porta, apoiou as mãos na mesa e encarou o próprio reflexo no vidro da janela. — Eu não posso perder ela — disse, quase sem voz. — Não assim. Não de novo. Pela primeira vez, ele admitia em voz alta que não era Hana o problema. Era ele. O medo dele. Os traumas dele. O passado que ele nunca enfrentou. E ao perceber isso… ele sentiu algo novo nascer: Vontade. Não de fugir. Mas de mudar. No dia seguinte, a empresa estava em caos. Conselho convocado. Advogados correndo. Rumores crescendo como fogo. Soo-Yeon circulava como uma rainha em seu palácio, convencida de que tinha vencido. Mas Ji-Won entrou na sala de reuniões como um furacão silencioso. Calmo. Firme. Determinado. — Antes de qualquer decisão — ele começou — quero deixar claro que Hana está proibida de ser usada como bode expiatório ou alvo de acusações sem provas. Soo-Yeon arqueou a sobrancelha, sorrindo. — Ainda defendendo ela? Ji-Won virou lentamente o rosto para ela. — Não estou defendendo. Estou protegendo a verdade. O clima na sala ficou tenso. — O sistema interno foi adulterado — continuou. — E eu quero acesso aos logs completos. E quero agora. Soo-Yeon tentou rebater: — Isso não é simples assim, Ji-Won. Quem garante que você não está apenas tentando salvar— — Eu disse AGORA — ele repetiu, sem elevar a voz. Mas a intensidade fez todos engolirem seco. Foi a primeira vez que o conselho viu Ji-Won agir não como um CEO… mas como um homem decidido a salvar algo que realmente importa. Horas depois, Ji-Won estava trancado na sala de TI com três especialistas analisando registros, linhas de código, logs de acesso. Ele não arredou o pé. Não comeu. Não piscou. Em certo momento, um dos analistas hesitou. — Senhor… isso é estranho. Olha isso. Ji-Won se inclinou. O acesso que incriminava Hana… veio de um dispositivo externo. Um que imitava o login dela. Um que só poderia ter sido conectado manualmente. — Quem usou esse dispositivo? — Ji-Won perguntou. O analista engoliu seco. — Só alguém com acesso ao 17º andar. O andar da diretoria. O andar de Soo-Yeon. O olhar de Ji-Won caiu como gelo sobre o monitor. E naquele instante, ele soube: Soo-Yeon fez isso. E ele deixou Hana sofrer por culpa de outra pessoa. A culpa o atingiu como uma avalanche. Ele levantou tão rápido que a cadeira quase caiu. — Quero tudo rastreado. Tudo. — Sua voz saiu como aço. — E quero que o resultado vá diretamente para mim. Somente para mim. Os analistas assentiram, intimidados. Ji-Won fechou os olhos por um momento, a respiração pesada. — Hana… — murmurou. — O que eu fiz com você? Ao final do dia, Ji-Won pegou o celular e ligou para Min-Ho. O médico atendeu de imediato, como se estivesse esperando. — O que foi agora, Ji-Won? — perguntou, cansado, mas firme. Ji-Won respirou fundo. — Eu preciso falar com você sobre Hana. Min-Ho ficou em silêncio. — Eu sei o que você vai dizer — Ji-Won continuou — mas eu preciso que você me ouça. Eu… eu sei que errei. Eu sei que decepcionei ela. Eu sei que fui fraco— — Foi sim — Min-Ho cortou. — E muito. Ji-Won apertou os olhos, aceitando a verdade. — Eu descobri que ela é inocente. Eu descobri quem realmente fez tudo. E eu vou expor. Eu vou defender ela. Eu vou atrás dela. E desta vez… não como CEO. Mas como um homem que finalmente entendeu que não pode viver com medo para sempre. Min-Ho suspirou. — Você acha mesmo que basta dizer isso e ela vai te ouvir? — Não — Ji-Won respondeu. — Eu acho que vou ter que provar. Silêncio. Então Min-Ho disse algo que surpreendeu até ele mesmo: — Se você realmente for lutar por ela… lute direito. Ji-Won fechou os olhos, determinado. — Eu vou. Nem que eu tenha que virar o mundo de ponta-cabeça. Mas eu vou conquistar a confiança dela de volta. — Boa sorte — Min-Ho finalizou. — Ela merece isso. Quando a ligação terminou, Ji-Won ficou olhando para a cidade pela janela. — Hana… eu vou até onde você estiver — disse, com a voz baixa mas cheia de decisão. — Eu vou mudar. Eu vou lutar por você… até o fim. E pela primeira vez, ele acreditou nisso. Não era mais um homem fugindo do amor. Era um homem correndo atrás dele.
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