CAPÍTULO 14 — QUANDO O PEDIDO DE PERDÃO CHEGA TARDE DEMAIS

810 Palavras
A tarde se arrastava pesada, como se a empresa inteira estivesse segurando a respiração. Hana não conseguiu trabalhar depois do que viu. O mundo parecia girar muito rápido, enquanto ela ficava parada no mesmo ponto — frágil, cansada, machucada. Quando finalmente decidiu sair, precisava apenas de ar. Respirar. Fugir de todos os olhares que pesavam sobre ela. Ela pegou sua bolsa e desceu pelas escadas, passo a passo, tentando controlar o tremor nas mãos. Não queria chorar ali dentro. Não queria dar o gosto a ninguém. O vento frio a atingiu assim que empurrou as portas de vidro. E foi então que ela ouviu: — Hana! A voz que ela não sabia se queria ouvir. Ela fechou os olhos por um instante. Respirou fundo. E virou bem devagar. Ji-Won estava ali. Ofegante. Como se tivesse corrido. Os cabelos um pouco bagunçados. O olhar… desesperado. Não era o CEO impecável. Era um homem tentando desesperadamente não perder algo importante. Ele deu alguns passos na direção dela. — Hana… — disse, com a voz baixa, mas cheia de urgência — precisamos falar. Agora. Ela apertou os dedos ao redor da alça da bolsa. — Eu não tenho nada para dizer, Ji-Won. Ele parou a menos de um passo dela. — Mas eu tenho. — O tom dele tremeu, quase imperceptível. — Por favor… só me escuta. Hana olhou para o chão. Por um segundo, quase cedeu. Mas a dor era maior. — Eu estou… cansada — ela disse, finalmente encarando-o. — Cansada de ter que explicar que eu não fiz nada errado. Cansada de você olhar para mim e… e hesitar. Sempre hesitar. Ji-Won respirou fundo, como se cada palavra dela fosse um golpe. — Eu vi o arquivo — ele confessou, com dificuldade. — O acesso saiu do seu nome… — Você achou que fui eu — Hana completou, fria. — De novo. Silêncio. Ele tentou dar mais um passo. — Eu estou tentando, Hana. Eu juro que estou tentando confiar— Ela recuou. — Confiar não é tentar — sua voz quebrou. — Confiar é escolher. Ele ficou parado. Como se ela tivesse arrancado o ar dos pulmões dele. Hana continuou: — Você quer que eu acredite que está mudando… mas sempre que algo acontece, sempre que algo ameaça sua imagem, sua empresa, sua zona de conforto… você me vê como a variável mais fraca. Aquela que pode ter errado. Aquela que pode ter feito algo errado. Aquela que você precisa “confirmar”. Ji-Won fechou os olhos, sentindo a verdade bater forte demais. — Eu sei — ele disse, com a voz falha. — Eu sei que falhei com você. Eu sei que te feri de novo. Mas… — ele abriu os olhos, sinceros, desesperados — …Hana, eu não quero te perder. A frase jogou o mundo dela em silêncio. A chuva, que começara fina, agora escorria mais forte pelos vidros da entrada da empresa. O vento frio acariciou os cabelos dela. Hana deu um passo para trás. — Ji-Won… às vezes querer não basta. Ele sentiu o chão abrir. — Me diga o que fazer — pediu, quase suplicando. — Qualquer coisa. Eu faço qualquer coisa para consertar isso. Hana engoliu em seco. — Você não precisa fazer. Você precisa SER. Ser alguém que confia. Ser alguém que acredita. Ser alguém que não me olha como uma ameaça. Ji-Won abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Hana respirou fundo, tentando se manter firme. — Eu não posso te ensinar isso — ela disse suavemente. — E você não pode aprender enquanto eu estiver aqui… levando o impacto de cada erro seu. As lágrimas vieram — dela e dele — quase ao mesmo tempo. — Hana… — a voz dele quebrou. — Por favor… — Eu preciso ir — ela sussurrou. E virou de costas. A chuva começou a despencar de verdade, batendo no chão como se acompanhasse o som do coração dele partindo. Ji-Won deu um passo à frente, como se fosse alcançá-la. Mas parou. Porque havia algo no jeito dela andar daquela vez… algo definitivo. Algo que dizia que se ele a segurasse naquele momento… poderia perdê-la para sempre. Ele ficou ali. Imóvel. Molhado. Destruído. Vendo Hana desaparecer pela calçada cinzenta. Minutos depois, Min-Ho entrou apressado pela porta. — Onde ela está? Eu vi ela sair chorando— Ji-Won não respondeu. Só encarava o vazio. Os olhos vermelhos. A camisa colada ao corpo pela chuva. — Eu estraguei tudo — ele disse, quase sem voz. E pela primeira vez, Min-Ho viu Ji-Won não como CEO… mas como um homem quebrado, lutando contra demônios que não sabia controlar, enquanto perdia a única pessoa que começava a trazer luz para dentro dele. E do lado de fora… Hana caminhava sob a chuva, sentindo que a vida estava mudando. E que, talvez, essa mudança fosse necessária. Mesmo que doesse.
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