CAPÍTULO 13 — O ATAQUE QUE ELA NÃO ESPERAVA

870 Palavras
Hana tentou trabalhar no dia seguinte, mas sua mente parecia presa na chuva da noite anterior. Em cada respiração, ela sentia a dor do olhar de Ji-Won, a culpa, a confusão, o peso das palavras. Ela ainda desejava acreditar nele. Mas não podia ignorar o que sentiu: a ferida se abrindo… novamente. Mesmo assim, ela decidiu ser forte. Se havia algo que a vida tinha lhe ensinado era: ninguém além dela podia decidir quem ela era. Ela chegou cedo, sentou-se à mesa, abriu o computador. E congelou. Um arquivo aberto na tela. Um e-mail enviado da conta dela. Para um jornalista. O conteúdo? Informações sigilosas sobre o setor internacional da Haneul Corp. — O quê…? — Hana sussurrou, apavorada. O envio estava marcado para às 4h da manhã. Ela estava dormindo. Com certeza estava dormindo. Seu sangue gelou. Foi então que ouviu um clique suave. O perfume doce, artificial, insinuante atingiu o ar. Soo-Yeon. A vilã entrou devagar, com o sorriso preguiçoso de quem já ganhou antes mesmo de começar a jogar. — Vejo que encontrou o arquivo — disse, apoiando-se na mesa com elegância forçada. Hana se levantou imediatamente. — O que você fez? — perguntou, a voz baixa, mas firme. Soo-Yeon suspirou como se estivesse entediada. — Eu? Nada. — Ela piscou. — Você é quem enviou isso para a imprensa, não é? Talvez tenha se confundido… talvez estivesse nervosa… talvez quisesse chamar atenção. — Você invadiu minha conta. — Hana apertou os punhos. — Você armou isso. — Prove. — Soo-Yeon abriu os braços, provocando. — Sem registros. Sem rastros. Sem testemunhas. Somente você… e sua palavra. Hana sentiu o estômago virar. Soo-Yeon sorriu ao perceber o impacto. — Por que está fazendo isso? — Hana perguntou, com a voz presa entre raiva e incredulidade. A vilã se aproximou até ficar a poucos centímetros dela. — Porque, minha querida — disse com veneno puro — você está ocupando um espaço que não é seu. Um espaço ao lado dele. Um espaço que É meu. Hana recuou, mas Soo-Yeon a seguiu. — Eu esperei anos para reconstruir minha vida ao lado do Ji-Won. — Seus olhos brilharam com ódio. — E então você aparece… com esse seu jeitinho de coitada forte… e ele começa a baixar a guarda. Começa a olhar para você como NUNCA olhou para mim. Hana sentiu o coração apertar, mas manteve a postura. — Nada disso dá o direito de você destruir meu trabalho — ela disse. Soo-Yeon riu suavemente. — Oh, Hana… você ainda não entendeu. — Ela ergueu o tablet e mostrou a imagem novamente. — Eu não quero destruir seu trabalho. Eu quero destruir você. O ar sumiu dos pulmões de Hana. — Quando o conselho vir isso… — Soo-Yeon continuou — você será suspensa. Talvez demitida. Talvez processada. Sua carreira termina antes mesmo de começar. — Ji-Won não vai acreditar nisso — Hana disse, mesmo com o medo apertando seu peito. Soo-Yeon arqueou uma sobrancelha. — Tem certeza? Por um instante, o mundo parou. Porque, no fundo, Hana sabia: Ji-Won estava tentando confiar… mas ainda estava quebrado demais. E Soo-Yeon sabia explorar exatamente esse ponto. — Ou melhor — a vilã continuou, com um sorriso venenoso — você quer arriscar? Quer ver o que ele acredita primeiro? Ou prefere… desaparecer por conta própria? Hana respirou profundamente, a raiva queimando, mas o medo lutando junto. — Eu não vou sair daqui — ela respondeu. — Não porque você quer. Soo-Yeon estreitou os olhos, irritada pela resposta. — Veremos — disse, virando-se com elegância ensaiada. — Sua queda começa hoje, Hana. E saiu da sala como uma sombra venenosa. Min-Ho entrou minutos depois e encontrou Hana sentada, pálida, encarando a tela do computador. — Hana? — ele perguntou, preocupado. — O que aconteceu? Ela virou o monitor para ele. Min-Ho arregalou os olhos. — Ela… isso é sério. Isso é gravíssimo. — Eu sei — Hana sussurrou. Ele respirou fundo, depois segurou suas mãos. — Eu posso provar que não foi você. Vou começar a chamar analistas agora mesmo. Vou atrás dos registros. Não vou deixar isso te destruir. As palavras dele eram um alívio. Mas o medo permanecia. — Min-Ho… — Hana murmurou — e se o Ji-Won pensar que fui eu? De novo? O médico suspirou, cheio de dor pelo que ela sentia. — Então ele vai perder você… de um jeito que ele nunca mais vai conseguir recuperar. Enquanto isso, no andar superior… Ji-Won digitava furiosamente no computador, tentando encontrar a origem do vazamento mais recente. A cabeça pulsava. Os olhos ardiam. Ele não dormiu. Não conseguia. Só pensava em Hana. Na chuva. Na dor no olhar dela. “Eu preciso confiar nela. Eu preciso.” Mas então… um alerta apareceu na tela: ACESSO SUSPEITO – ARQUIVO VAZADO USUÁRIO: Hana Albuquerque O coração dele congelou. — Não… — Ji-Won sussurrou. — Não pode ser… Um barulho atrás dele o fez virar. Soo-Yeon entrou devagar, com uma expressão falsa de preocupação. — Ji-Won… sinto muito — disse ela. — Mas parece que Hana fez de novo. E sorriu. Um sorriso tão pequeno que ninguém veria. Exceto ele. E ao ver esse sorriso… Ji-Won percebeu. Algo estava errado. Muito errado.
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