A sala de estar um silêncio sepulcral. Noah já tinha sido levado para o quarto. Richard estava de pé junto a mala que Susan ainda não tinha visto no canto da porta.
Susan (com lágrimas nos olhos) – Richard por favor... eu só tive medo. O Cristian me destruiu uma vez, eu não podia deixar que ele destruísse a nossa amizade. Eu menti para te proteger também.
Richard: Me proteger? (ele solta uma risada amarga sem nenhum humor) – Você me deixou criar um filho por cincos anos acreditando numa história que você inventou, eu amei o Noah como se fosse meu filho.
Susan: Mas para mim você é o pai dele.
Richard: Mas a confiança é como um cristal, você pode colar os pedaços, mas as rachaduras sempre estarão lá, toda vez que eu olhar para o Noah eu vou ver o rosto do Cristian e a sua mentira. E pior vou ver a Helena Xavier tomando café na sua mesa enquanto você sorrir para ela, escondendo tudo de mim.
Susan: Eu não sabia quem ela era, as a Samanta me contou tudo.
Richard (pegando a alça da mala) – Mas você sabia quem era o pai. E você teve mil chances de me contar. No dia em que ele voltou, no dia em que vimos no evento. Você preferiu o silêncio.
Susan (desesperada segurando o braço dele) Aonde você vai? Não faz isso, Noah vai perguntar por você de manhã cedo.
Richard (olhando-a com uma tristeza profunda) - Eu vou para casa da minha mãe. Preciso de tempo, Susan. Preciso entender quem é você e quem sou eu nessa história que você escreveu sozinha.
Richar sai e o som da porta batendo ecoa pela casa. Susan desaba no chão da sala. Ela está sozinha com um segredo que agora todos sabem, se sem o apoio do único homem que sempre a ajudou.
Conflito...
Samanta ajudou Susan a esconder a gravidez pode cinco anos porque acreditava que Cristian não merecia o filho depois de priorizar sua carreira.
A cafeteria ainda estava com as luzes meio apagadas quando Samanta entrou. O cheiro de café recém – passado, que acostumava ser acolhedor, parecia pesado naquela manhã. Susan estava debruçada sobre o balcão, os olhos vermelhos e inchados de quem não dormiu.
Samanta: Susan? O que foi? Aconteceu alguma coisa com o Noah?
Susan (levantando o olhar exausta) – o Noah está bem..., mas o Richard... eu não aguentava mais olhar para ele e ver o homem maravilhoso que ele é, sabendo que eu estava sustentando uma mentira.
Samanta (sentindo o coração desesperar) – Do que você está falando?
Susan: Eu contei tudo, Samanta. Ontem a noite. Contei que o pai do Noah não foi um erra de uma noite com um desconhecido, como disse a cinco anos atrás, eu contei que o pai dele é o Cristian. Que o homem me deixou para assinar um contrato é o mesmo sangue que corre nas veias do filho que Richard criava como dele.
Samanta (sentiu um nó na garganta). Como ele reagiu?
Susan (com a voz embargada) – Ele não gritou, ele só ficou em silêncio por um longo tempo, falou...enfim, ele pegou as chaves do carro dele e foi embora. Disse que precisava de um tempo. Sam, ele amou o Noah desde o primeiro dia! Ele cuidou das febres, ele estava lá em casa aniversário... E agora eu sinto que destruí a base de tudo que construímos.
Samanta deu a volta no balcão e abraçou a amiga. Ela pede mesmo sabendo da dor da amiga, que ela não fale nada para Helena.
Susan respira fundo, limpando as lágrimas com o avental. O peso da revelação com o Richard ainda a amarga, mas a notícia sobre Helena trazia um tipo de medo: o medo de perder o filho para uma família poderosa.
Susan: Você está me pedindo para servir café para sua mãe? Para a mãe do homem que me deixou sozinha com um teste de gravidez na mão?
Samanta: Eu sei que é pedir muito, Susan, mas se você explodir agora, a minha mãe pode usar isso contra você. Ela vai dizer que você é instável. Me deixa ir até em casa primeiro, eu vou exigir que ela conte a verdade, que peça perdão e que ela encare você de frente, não pelas costas.
Susan (com o olhar endurecido) - Tudo bem eu vou ficar calada. Mas se ela tocar no Noah de um jeito que parece que ela quer levá-lo, eu não respondo por mim, Samanta.
O CONFRONTO NA MANSÃO XAVIER
Samanta sai da cafeteria direto para a casa da família. Ela entrou na sala de estar e parou por um segundo. A imagem era irônica: sua mãe Helena, e seu irmão, Cristian, sentados no sofá cercados por álbuns de fotos antigas, rindo de memórias de infância.
No andar de cima, o som abafado de seu pai ao telefone no escritório lembrava a todos quem ainda comandava os negócios da família.
Samanta: Que cena linda. Pena que é baseado em mentiras.
Cristian levantou os olhos, confuso, enquanto Helena fechou o álbum lentamente, o rosto assumindo uma expressão de cautela.
Helena: Samanta, querida, não comece...
Samanta: Não comece? Mãe a senhora está enganando uma mulher que não te fez nada! Susan é minha amiga, eu exijo que a senhora conte a verdade para ela agora. Chega de visitas “disfarçadas” na cafeteria.
Helena suspirou e, para surpresa de Samanta, seus olhos brilharam com uma sinceridade rara. Ela colocou a mão sobre uma foto de Cristian quando era pequeno.
Helena: Eu vi o Noah Samanta, ele é... ele é... um doce. Um Xavier legítimo. E a Susan...eu confesso que ela o criou muito bem sozinha, ela é uma mulher de fibra. Meu coração se quebrou ao ver como ela olha para aquele menino. Eu vou falar com ela, só estava tomando coragem. Vou dizer quem eu sou, e pedir perdão por ter entrado na vida deles assim.