Sentimento Apresentado

918 Palavras
Tomás Grilmadi foi seguido pela figura conhecida como Jeniffer, que havia acabado de receber dele uma boa quantia em dinheiro. Ainda era cedo, mas o bordel estava cheio; Romana seria a atração principal. — Eu vou chamá-la, aí você entra. Ela vive de portas trancadas, parece que ainda não entendeu onde está. Tomás acenou com a cabeça. — Cassandra, Cassandra querida. — Estou abrindo, Jeniffer, só um minuto. — Ok, querida. Tomás sentia as batidas aceleradas do coração. Seria realmente a mesma mulher? pensava ele. Quando Romana abriu a porta, ela quase não acreditou que estava frente a frente com Tomás, e que ele a havia seguido. — Já dizia um sábio: a pressa é inimiga da perfeição — comentou ela, fingindo indiferença. Queria dizer que, se ele não tivesse tanta pressa ao sair do convento, talvez ela não tivesse sido seguida sem perceber. Romana olhou para Jeniffer. — Achei que o chefe tinha sido claro sobre privacidade e nada de visitas em horários de caracterização. Mas, pelo visto, a palavra dele não vale muito por aqui. Jeniffer deu de ombros e saiu caminhando, bem plena e com o bolso cheio de dinheiro, deixando Romana e Tomás frente a frente. — Cassandra? — Pois não? — Há alguns minutos atrás você não era Carlita? Romana puxou Tomás para dentro do quarto. Ela usava uma lingerie preta, maquiagem carregada e batom vermelho. Tomás ardia em desejo. — O que você quer? — Saber quem é você, só isso. — Quer continuar vivo? Cai fora daqui enquanto é tempo. — Quem é você? Carlita ou Cassandra? — Eu não sei do que você está falando, não faço ideia. Tomás sorriu. — Está mentindo. — Cara, o que vai ganhar em saber quem eu sou? Cassandra ou Carlita, eu não entro no seu caminho, é só você não entrar no meu. — Está roubando dinheiro do orfanato? É isso? — c****e, já mandei você sair. Ele percebeu o fone no ouvido dela. Era uma escuta. Tomás lutou com Romana por alguns instantes, tentando entender o que era aquilo. Quem era ela, afinal? Uma prostituta ou uma freira? Ou nenhum dos dois? Ele já notava que não teria sucesso sem ser mais firme, mas estava com receio de machucá-la. m*l sabia ele que Romana só não o tinha esfolado vivo porque não tinha como se livrar do corpo de um homem daquele tamanho. Estavam em um embate corporal, até que ouviram batidas na porta. — Você precisa se esconder, agora. — Não vou me esconder, eu... — Já mandei calar a boca. Ela o puxou e empurrou para dentro do minúsculo banheiro. — Fica aí, esses caras não estão para brincadeira. — Nem eu. — o****o. Ela trancou a porta e ouviu mais batidas. — Cassandra, sou eu, Rômulo. Ela abriu a porta com um sorriso sedutor para o c*****o. — Está belíssima, Cassandra. — Eu sei. — Gosto desse seu jeito. Rômulo se aproximava de Romana, mas ela se afastou, fingindo que ia colocar os brincos. — Já está na hora da apresentação? — Sim, a casa está cheia e temos uma visita especial. — Quem é? A curiosidade dela era para saber quem estava por trás de Rômulo. — Você vai saber assim que seu show terminar. Depois das apresentações de vocês dois, aí sim estarei liberado para te experimentar, mas até lá, devo esperar. Romana se aproximou dele, fingindo sedução. — Por quê? Ela cheirou o pescoço do homem, que se enrijeceu ao toque dela. Ela só queria arrancar informações preciosas que lhe dessem vantagem. Romana era uma mulher muito sedutora, não precisava se esforçar. — São ordens do chefe, bebê. Mas depois será nossa festinha particular. — m*l posso esperar. Ela continuava sorrindo, desejando se livrar do c*****o o quanto antes. — Ouviu? — disse Rômulo. — Não. Mas Romana tinha ouvido muito bem. — Chamaram seu nome. Chegou sua hora. Vamos? — Sim. — Pronta? — Sempre. Tomás se mordia de raiva, trancado no banheiro. Romana saiu acompanhada por Rômulo. Era a hora da verdade e da sua apresentação. Ela fez o favor de trancar a segunda porta para Tomás. A apresentação de Romana seria um pole dance, com direito a striptease. Romana já havia feito um striptease antes naquele mesmo bordel, e por sorte — ou azar — foi exatamente no dia em que Tomás Grilmadi esteve lá. Ele nunca conseguiu esquecer aquela mulher misteriosa e indecifrável. Tomás precisou abrir as duas portas sem fazer muito barulho. Ficou fascinado ao ver Romana no pole dance; ela dançava sensualmente e tinha os olhos fixos nele. A presença de Tomás ali passou despercebida pelos demais, afinal, homens circulavam livremente no bordel, especialmente aqueles poderosos e da alta classe. Algumas prostitutas se aproximaram de Tomás, mas ele recusou cada uma, pois só tinha olhos para Romana. Ela, por sua vez, se perguntava como ele havia conseguido abrir aquelas duas portas com tanta facilidade. Mas, assim como ela, Tomás também era rodeado de segredos e habilidades. Quando a dança terminou, houve um alvoroço; alguns homens queriam que Romana fosse a leilão, mas o chefe tinha outros planos. Ele segurou Romana pela cintura, e um quarto já estava reservado. Era óbvio que ela não iria para a cama com o velho; nunca precisou se sujeitar a isso para conseguir o que queria. Mas Tomás queimava de ciúmes. Quando Romana caminhava em direção ao quarto, Tomás não conseguiu se controlar. O ciúme o dominava. Ele a queria, não importava quem ela fosse.
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