Os dias desde que descobri sobre a perda do bebê eram um borrão. O hospital, o soro pingando lentamente na minha veia, as conversas com os médicos que se misturavam à dor que parecia eterna. Coringa vinha todos os dias. Cada vez que ele entrava no quarto, com o rosto cansado e os olhos cheios de culpa, eu me afundava mais no vazio que sentia. Naquela tarde, o silêncio pesava entre nós. Ele estava sentado na cadeira ao lado da minha cama, mexendo nas mãos, tentando encontrar as palavras. Eu estava deitada, olhando para o teto, me perguntando como tudo havia desmoronado tão rápido. Me perguntando como eu poderia seguir em frente quando não conseguia nem ao menos respirar sem sentir que uma parte de mim havia sido arrancada. — Vic, por favor... — Ele começou, a voz hesitante. — Eu... não se

