As luzes da cidade passavam rápido pelas janelas enquanto o carro seguia pela estrada. Eu estava sentada ao lado de Coringa, e a proximidade dele era sufocante, mesmo depois de todo esse tempo. Tentei focar minha atenção na estrada, nas árvores, em qualquer coisa que não fosse a presença dele ao meu lado. Mas era impossível. Era como se cada respiração que ele dava estivesse conectada à minha, como se estivéssemos presos no mesmo ritmo, no mesmo silêncio denso que preenchia o carro. Atrás de mim, eu podia ouvir o ronco suave de Paulinho. Ele sempre bebia mais do que devia, e hoje não tinha sido diferente. Ester estava ao lado dele, mexendo no celular, inquieta. Não a culpava; o clima dentro do carro estava tão pesado que nem o ronco de Paulinho era capaz de aliviar. Coringa dirigia em si

