Capítulo 3

3697 Palavras
Acordei com o barulho do meu celular vibrando em algum lugar. Minha cabeça latejou e eu resmunguei. Passei a mão pela cama à procura do celular, mas em vez disso achei outra coisa. Abri os olhos e fitei o cara loiro dormindo ao meu lado. Olhei ao redor. Onde eu estava? Eu me lembrava do cara loiro, mas não fazia a mínima ideia de como tinha chegado ali e onde era ali. Sentei na cama e comecei a procurar as minhas peças de roupa pelo quarto. Achei minha calcinha no pé da cama. Saí pela casa procurando o resto das coisas e meu celular. Achei meu sutiã pendurado no lustre da sala, meu vestido no chão e meus saltos jogados. - Meus bebês... – recolhi eles e os calcei. Meu celular voltou a vibrar de novo e o achei em cima do sofá. Era Jennifer. - Alô – atendi - Hei, gata – ela disse, do outro lado – Está na casa do gostosão? - É... estou – procurei por um relógio ao redor – Que horas são, hein? - Quatro da manhã – ela respondeu – Onde você está? - Não sei – me dirigi até a janela e olhei para o lado de fora, procurando por algo que eu reconhecesse – Hm... eu estou vendo o... – estreitei os olhos para um edifício a distância que parecia familiar – Ah, eu estou vendo a torre de TV daqui. E o prédio onde estou é azul. - Entendi. Te encontrei – ela disse – Estou passando por aí em cinco minutos. Fique em um lugar que eu possa te achar. - Okay. Desliguei o celular e fui até o banheiro ver como estava meu cabelo. Como sempre ficava depois de uma noite daquelas, só para variar. Estava em pé e bagunçado. Olhei para o carinha loiro em cima da cama antes de sair. - Desculpa, amigo – eu disse – Mas a primeira regra é sair antes dele acordar. Dei no pé, tomando cuidado para não fazer barulho, e me dirigi até uma pequena praça que tinha ali perto. Fazia frio lá fora e eu estava olhando para os lados a todo momento, com medo que um estuprador aparecesse. Não havia ninguém por ali. Assim que cheguei na praça, vi o carro de Jennifer estacionado. Ela buzinou para mim e eu saí correndo em direção ao carro, morrendo de medo. - Oi – Jennifer me lançou um sorriso malicioso e esticou a mão com um envelope – Passei na farmácia e comprei para você. Remédio para ressaca. Fechei a porta e peguei o envelope, abrindo ele e pegando um comprimido. - Valeu – tomei um gole de água – Minha cabeça está latejando. - Aposto que sim – ela se olhou no espelho e deu uma arrumada nos longos cabelos negros – E então, como foi a noite? Ela deu partida no carro. - Eu só lembro que eu gritei muito – encostei a cabeça no descanso do banco e fechei os olhos. - Vou entender isso como uma resposta positiva. - Vocês são uma péssima influência para mim – eu disse – Eu acabei de fazer dezoito e olha as atrocidades que eu já faço. Ela riu. - Nem venha nos culpar – ela disse – Nós só te mostramos o caminho, quem escolheu segui-lo foi você. - Mas o caminho era muito bom – eu disse. Ela riu novamente. - Considere-se culpada. Você poderia ter escutado seu pai quando ele disse “não ande com pessoas mais velhas” – ela imitou a voz do meu pai – Se você tivesse escutado, agora estaria em casa e seria virgem. Olhei para ela. - Pera aí, você está querendo dizer que eu deveria te agradecer? - Lógico que sim – ela riu – Já pensou que vida sem graça seria a sua sem a gente? - Não – eu ri. Ela parou no semáforo. - E aí, você pelo menos perguntou o nome do gatinho? - Não. Ela riu. - Mas usou camisinha, certo? - Lógico – eu disse – Essa é a segunda regra que eu acho que deveria ser a primeira. - Não amor, a primeira regra é sair antes que ele acorde e não deixar rastros. Eu ri. - De onde mesmo você tirou essas regras? – perguntei. - Eu mesma fiz quando tinha dezesseis. - Dezesseis?! – ela confirmou com a cabeça e acelerou quando o semáforo abriu – Meu Deus, você nunca prestou, não é? - Nenhum de nós realmente presta – ela se olhou no espelho retrovisor e limpou o batom borrado – Será que seu pai sentiu a sua falta? - Duvido. Eu disse que não estava me sentindo bem e tranquei a porta, e considerando que tivemos uma discussão, ele deve ter tentado falar comigo, mas não forçou a barra. - Você vai ter que escalar sua janela, está lembrada né?! Resmunguei. - Não, mas obrigada por me fazer esse favor. Ela parou em frente à minha casa e olhou para o casarão com as luzes todas apagadas. - Vai lá – ela disse – Boa sorte. - Ok – abri a porta – Obrigada. - Disponha. Saí do carro e abri o portão de casa lentamente, tomando cuidado para não fazer barulho. Passei pelo meu carro e dei um tapinha na lataria dele. - Oi, bebê. Dei a volta na casa, até estar abaixo da janela do meu quarto, e comecei a escalar. Não foi fácil, mas eu já tinha feito aquilo mil vezes antes, então eu já estava acostumada. Entrei no quarto, lavei o rosto e caí na cama. Só acordei no dia seguinte com uma batida na porta. - Giovana? – meu pai chamou – Você está acordada? Resmunguei em resposta e olhei para o relógio. Eram dez da manhã. Por que as pessoas sempre me acordavam cedo quando eu saía? - Já estou indo – levantei e abri a porta de cara amassada. Meu pai abriu um sorriso. - Bom dia, meu amor. Dormiu bem? - Eu ainda estou dormindo – eu disse, m*l-humorada. Ele riu. - Estou vendo. Peço desculpas por te acordar, mas é que eu tenho que sair agora e vou ficar o dia fora. Eu encomendei um terno para a reunião de amanhã de manhã e preciso pegar ele hoje, mas não vou estar em casa. Você poderia fazer isso por mim? Bocejei. - Tudo bem, eu pego – virei de costas e voltei para a cama, me jogando nela – Que horas eu tenho que ir? - Três da tarde – ouvi seus passos – Vou anotar o endereço aqui, tudo bem? - Ahã... Eu respondi, mas na verdade já estava dormindo de novo. Nem sabia o que estava falando. - Já estou indo – senti seu beijo molhado em minha bochecha – Até mais tarde. Emiti um som em resposta e voltei a dormir assim que ouvi o barulho da porta. Só acordei mais tarde com outra batida na porta. Resmunguei novamente, enquanto levantava para ver o que era. - O que é?! – perguntei, m*l-humorada. - Giovana? – era a governanta da casa. - Oi? - Seu pai ligou e perguntou se você já tinha ido buscar o terno para ele. Ele disse que não conseguiu falar com você pelo celular e... Olhei para o relógio enquanto ela continuava falando. Eram duas e meia da tarde. Ele tinha dito o que mesmo? Que eu tinha que buscar três horas? - Você tem que pegar o terno três horas – a governanta confirmou para mim. Arregalei os olhos e saí correndo para o banheiro. - Droga! Droga! Droga! Escovei os dentes na velocidade da luz e passei água no rosto para ver se acordava. Peguei a primeira calça jeans que vi na minha frente e uma regata que estava em cima da mesinha do computador, sem nem ter tempo de arrumar o cabelo. Calcei os saltos que tinha usado no dia anterior e saí apressada do quarto. Abri a porta abruptamente e a governanta deu um pulo para trás, assustada. Seus olhos verdes arregalados. - Bom dia, Paola – eu disse – Tudo bem com você? Passei por ela. - Senhora, espera! – ela chamou – O que eu falo para o seu pai quando ele ligar de novo? - Fala para ele que eu já fui e que meu celular descarregou – continuei, mas depois me voltei para ela – E não me chame de senhora que eu me sinto ofendida. Saí correndo escada abaixo, pulando de dois em dois degraus, e corri em direção ao carro. Peguei o papel que ele tinha deixado com o endereço e dei uma olhada. - O que?! – gritei – Isso é praticamente do outro lado da cidade. Droga, pai! Liguei o carro resmungando e saí o mais rápido que eu pude. Por conta do horário, não tinha trânsito, mas por conta da pressa, parecia que qualquer um que aparecia era uma tartaruga andando de ré. Buzinei um milhão de vezes para um milhão de carros até que encontrei o endereço. Eram três e quinze e eu cheguei ofegante na loja. Me joguei no balcão da recepção e tentei recuperar o fôlego enquanto a recepcionista olhava para mim, esperando que eu dissesse alguma coisa. - Posso ajudar? – ela me olhou, estranha. - Eu... eu... – tentei dizer, mas não consegui. Engoli em seco e fiz uma nova tentativa – Eu quero um copo de água, por favor. Ela me lançou um olhar estranho e saiu, rebolando com sua grande b***a, depois voltou com um copo de água na mão. Ela tinha cabelos longos, lisos e loiros. Seus olhos eram azuis e ela tinha o rosto fino e maças proeminentes. Era bonita, mas não tanto. - Aqui. Peguei o copo e virei a água garganta abaixo. - Obrigada – eu disse, passando o braço na boca para secar. Encarei ela e sorri. - Eu vim pegar o terno que está alugado no nome de Gustavo Sartori – eu disse, por fim – Tinha que pegar ele três horas. - Você sabe que não iriamos cancelar seu pedido por chegar atrasada, não é? – ela olhou para o meu cabelo, como se fosse uma prova de que eu havia corrido até ali. - Não, eu não sabia – eu disse. - Tudo bem – ela se virou e foi até onde quer que as pessoas iam para buscar um terno. Sentei no sofá que tinha ali e fiquei esperando enquanto folheava as revistas de moda. Depois de ler gibis, quando tinha, era meu passatempo preferido quando eu precisava esperar por algo. - Aqui está – a moça voltou com o terno na mão. Larguei a revista de lado e me levantei. - Obrigada – peguei o terno. - De nada e volte sempre. Dei as costas para ir embora, mas me voltei para ela. - Posso fazer uma crítica construtiva sobre o ambiente de trabalho em questão? Ela me encarou e enrugou a testa. - Acho que sim... - Ótimo – eu sorri e apontei para as revistas – Está faltando gibis da Mônica. Fica a dica. Saí da loja e fui em direção ao carro. Apertei o controle para destravá-lo e, quando olhei para ele, percebi que havia algo errado. Ele estava meio inclinado para um lado. O lado do motorista parecia mais alto que o do passageiro. Dei a volta e procurei pelo problema. Não foi difícil de achar. - Mas o que?! – encarei o pneu furado. Um prego enorme se encontrava alojado nele – Mas que... Arghhh!!! Abri a porta e coloquei o terno do meu pai no banco de trás, depois dei a volta e entrei no carro. E agora, o que eu iria fazer com um pneu furado?! Liguei o carro e peguei meu celular. Havia quatro ligações perdidas do meu pai. Acionei o GPS e procurei por alguma oficina perto dali. Com aquele pneu, eu não chegaria a lugar algum. Mas a droga do GPS não me mostrou nada do que eu precisava. Resmunguei e soquei o volante do carro três vezes até perceber que eu estava socando a buzina e as pessoas estavam me olhando estranho. - Desculpa – falei para uma mulher que passava com um bebê na frente do carro e me lançava um olhar estranho. Alguém deu duas batidinhas no vidro do carro nessa hora e eu me virei para ver. Era um senhor com cabelos grisalhos. Abaixei o vidro e lhe lancei um sorriso. - Oi – eu disse. - Tudo bem com você, mocinha? – ele perguntou. - Tudo sim – eu disse – Foi só o pneu do carro que furou e eu não faço a mínima ideia do que fazer. - É, eu percebi – ele olhou para frente e apontou em uma direção – Eu tenho um sobrinho que trabalha em uma oficina naquela direção. Talvez ele possa resolver o problema para você. - Ah, obrigada – eu sorri – Muito obrigada mesmo. - De nada – ele sorriu e se afastou do carro. Liguei o carro e segui na direção que ele tinha dito. No começo fiquei meio perdida, mas enfim consegui achar um lugar que se chamava “Oficina do Pleyson”. Entrei com o carro na oficina e estacionei ele. Havia três carros ali, além do meu, e só uma pessoa fazendo algo, que eu não fazia ideia do que era, em um deles. Desci do carro e fui até o cara. - Olá – eu disse – Tudo bem? O cara me olhou. Ele tinha estatura mediana e cabeça raspada. O corpo dele era bem robusto e ele tinha uma cara de gente m*l-humorada. - E aí? – ele disse – Algum problema? - É... – estendi a mão para ele – Meu nome é Giovana. Ele olhou de mim para a minha mão e resolveu ignorá-la. - Meu nome é Pleyson – ele disse. Soltei uma risada sem querer, mas depois me recompus quando percebi que ele estava falando sério. - Fala sério, isso é um nome? – perguntei. Ele me olhou de cara feia e fitou meu cabelo. - Isso é um cabelo? Abri a boca, chocada. - Que maldade – passei a mão no meu cabelo para tentar deixá-lo mais civilizado. - Vai ficar aí rindo do meu nome ou vai me dizer qual é o problema? – ele perguntou, brusco. Levantei as sobrancelhas. - Está bem – eu disse – Desculpa. - Você ainda não disse qual é o problema. Olhei de cara feia para ele, doida para fechar a mão naquela cara sebosa. Me contive porque no momento ele era minha única salvação. - Meu pneu furou e eu preciso trocá-lo, só que não faço a mínima ideia de como fazer isso. Ele resmungou. - Ah, mulheres... – ele esticou o pescoço – Pedro! Será que você pode fazer o seu trabalho um instantinho?! - Eu estou fazendo meu trabalho – o outro cara respondeu – Estou arrumando o som do meu carro. Dei um passo para o lado, procurando pelo outro cara que eu nem tinha visto. Vi sua perna para o lado de fora em um dos carros que tinha ali. Era um carro preto e antigo. - O seu trabalho não é esse! – Pleyson gritou de volta. Será que esse homem só sabia gritar?– Vai resolver o problema para a garota se não quiser ficar sem o dinheiro para pagar sua faculdade esse mês. Ouvi o cara suspirar dentro do carro. Dois segundos depois, ele largou o que estava fazendo e saiu do carro e... .Ah. Meu. Deus. Ele tinha no mínimo 1,90 de altura, ombros largos e braços fortes. Seu cabelo era escuro e jogado para o lado, sua barba era bem desenhada ao redor da boca carnuda e seus olhos pareciam dois buracos negros de tão pretos. Resumindo, ele era a encarnação da beleza. Ele se aproximou de mim e deu um sorriso tímido. Foi o sorriso tímido mais lindo que eu já tinha visto. - Posso ajudar? – ele perguntou, sua voz grave e rouca. De repente eu esqueci até o meu nome. Tudo que eu fiz foi abrir a boca e encarar aquele deus grego que tinha caído do céu, bem ali na minha frente. - Ah... – ele me olhou estranho – Tudo bem? Voltei à realidade quando percebi que ele estava me encarando estranho. - Hm... Sim, tudo bem. Desculpa – eu disse e ri – Eu... eu... – eu o que?!– Eu preciso de um carro trocado. Não! Quer dizer... – suspirei e tentei organizar meus pensamentos – Eu preciso trocar o meu pneu. É isso. Ele deu um sorriso de lado, talvez um pouco assustado comigo. - Tudo bem – ele disse – Só um instante. Ele se virou e caminhou até onde Pleyson estava. No meio do caminho, ele tirou a blusa branca de manga comprida e jogou em um banco que tinha ali. Observei um medalhão pendurado em seu pescoço. Sexy, pensei. - Você viu minha blusa preta? – ele perguntou para Pleyson enquanto eu me contorcia de onde estava para mirar seu corpo moreno e sarado. Será que é possível alguém ser tão gostoso assim? Me perguntei. - Aqui, babaca – Pleyson jogou a blusa na cara dele. - Obrigado pela delicadeza. Ele se voltou para mim enquanto vestia a blusa e parou na minha frente. Eu estava encarando a barriga dele descaradamente, mais especificamente as linhas em formato V, que terminavam um pouco mais abaixo. Ele pigarreou. Olhei para cima de novo. - Hm... – ele engoliu em seco – Você pode me mostrar o problema? - Ah... – encarei seus olhos negros – Tudo bem. Me virei e segui em direção ao carro. Dei a volta enquanto ele me seguia e apontei o problema. - Aqui está – eu disse. - Uau – ele olhou para o carro – Belo carro. - Obrigada. Ele se agachou em frente ao pneu e deu uma olhada no prego e no furo que ele tinha feito. Inclinei a cabeça e fitei ele, maravilhada com tudo que estava vendo. - Você tem um estepe? – ele perguntou. - Tenho tudo – respondi, sem saber exatamente o que estava falando. Ele levantou o rosto e me encarou. Só então eu percebi que essa resposta não tinha soado bem, ainda mais do jeito que tinha dito ela. - Quer dizer... – endireitei a cabeça e tentei consertar o que tinha dito – Eu tenho tudo do carro... – que?! – O carro! O carro tem tudo. Ele sorriu estranho. - Entendi. Ele se levantou e foi até a parte de trás, abriu o porta malas e começou a mexer em algo por algum tempo até que tirou o estepe de lá. Não tirei os olhos dele em nenhum momento. Ele começou a troca de pneus e eu me escorei na parede ali perto, olhando ele fixamente e admirando todos os detalhes que eu podia ver. Pele lisa e morena. Músculos bem definidos. Mãos grandes e, o melhor, sem aliança em nenhum dos dedos. Braços musculosos e cabelos perfeitos. Mesmo sem tocar eu podia sentir a maciez deles. Ah Deus, o que eu não faria para tocar naqueles cabelos lisos e sedosos? - Pronto – ele disse e se levantou, olhando o pneu novo que tinha acabado de trocar – Trabalho feito. - Já? – perguntei, querendo que tivesse durado mais uma eternidade – Quer dizer... foi muito rápido. Achei que iria demorar mais. Ele me encarou. - Você quer colocar um estepe novo ou vai ficar esse aqui mesmo? Fitei ele. - Quanto tempo leva para colocar um estepe novo? – perguntei. - Uns cinco minutos – ele disse – Você está com pressa? - Nem um pouco – eu disse – Fique à vontade. Só havia perguntado para saber quanto tempo mais teria para observá-lo. Mesmo que ele tivesse falado dez segundos, eu ainda teria aceitado. - Tudo bem, só vou pegar o pneu e já volto. Ele seguiu até uma porta no fundo da oficina e desapareceu por ela. Quase que eu implorei para ele voltar, mas me contive. - Vocês são tão discretas – olhei para Pleyson, que me encarava com os braços cruzados – Se eu ganhasse um real para cada mulher que olhasse desse jeito para ele... – ele parou para pensar no que diria – Eu não teria uma oficina chamada “Oficina do Pleyson”. Tentei não rir, mas foi demais para mim. Ri até encarar ele e ver que ele me fitava com um olhar nada amigável. Engoli em seco e pigarreei. - Hm... – comecei – Poderia ser pior. Você poderia ser uma garota. Ele me encarou e bufou. - Obrigado – ele disse – Me sinto bem melhor agora. Ouvi o barulho da porta se abrir e Pedro voltou com um pneu novo em folha. Fiquei observando enquanto ele o colocava no lugar onde estava o anterior. - Fica cem reais – Pleyson disse, me fitando de cara feia e com a mão esticada. Olhei para ele, me perguntando qual era seu problema. - Se demorar mais dois minutos, vou cobrar cento e dois – ele falou, quando continuei parada. - O que?! – perguntei. - Cem! – ele balançou a mão. Resmunguei e dei a volta no carro, abrindo a porta do motorista e pegando minha carteira. Tirei a nota de cem reais que meu pai havia me dado para arrumar meu cabelo e entreguei na mão dele. - Feliz? – perguntei. Ele riu. - Vou ficar feliz quando ele te der o fora – ele meneou a cabeça em direção a Pedro, que estava acabando o serviço no meu carro – Se eu ganhasse um real por cada fora que ele dá nas mulheres que vem aqui, eu juntaria com os outros uns reais que eu ganharia por cada mulher que olhasse assim para ele e iria morar em Paris. Fiz uma careta para ele e fitei Pedro, que acabava de fechar o porta malas do meu carro e vinha na minha direção. - Prontinho – ele disse – Pneu novinho em folha. Olhei para Pleyson de relance, que nos encarava, e sorri. Não vai ser dessa vez, meu amigo. Pensei. - Obrigada – eu disse e abri a porta do carro, entrando sem dizer mais nada. - De nada – Pedro disse e se virou de costas. Olhei para Pleyson. Ele balançava a cabeça lentamente na negativa em minha direção. Dei um sorriso cínico para ele. - Desculpe – eu disse – Mas vai ficar sem seu um real. Ele se virou de costas e saiu. Olhei ao redor, procurando por Pedro, mas ele não estava mais por ali. - E agora, como vou descobrir o número dele? – perguntei para mim mesma. Encarei o carro preto que ele disse que era dele, bem na minha frente. Olhei para a placa do carro e depois para o meu celular. Marcus trabalhava para o Detran, bem onde eu precisava que ele trabalhasse nesse momento. Dei um sorriso e liguei a câmera do meu celular, tirando uma foto da placa do carro. Acionei a ré e saí de lá com um sorriso triunfante no rosto. Aquele cara poderia ter dado vários foras na vida dele, mas dessa vez seria diferente. Ele seria meu ou eu não me chamava Giovana.    
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