Vovô nos acolheu em sua casa, pegamos as malas, nos acomodamos e ficamos conversando na sala. A casa do meu avô é até que grande, tem a lanchonete na frente, espaçosa, com mesas para as pessoas comerem, e tudo. É bem arrumadinha, bem gostosa. Meu avô abre na hora do almoço, pois eles fazem Marmitex e prato feito, eles encerram às 15h e reabre às 18h atendendo porções, pastéis, salgados, lanches... Aqui é bem movimentado, principalmente a noite, o pessoal ama o ambiente para uma porção, tomar cerveja ... A lanchonete tem um piso branco, que suja bastante e eles lavam todos os dias. As paredes eu amo, tem quadros grandes mostrando a cidade, barzinhos, tipo o rio em diferentes épocas. Ventiladores posicionados de forma estratégica, que ventila e não nos atrapalha. Um grande balcão, um pedaço dele com bancos altos para as pessoas que gostam de beber ali, de frente , do outro lado do balcão uma parede enorme de bebida. Mais para o lado, há salgados em exposição dentro do vidro, e após o caixa. Do lado direito do caixa há um pequeno corredor que dá acesso a aos banheiros e depois uma escada que desce, dando acesso a dispensa, onde meu avô guarda algumas coisas, como descartáveis, e etc. Atrás do balcão, do lado esquerdo, há uma porta que dá acesso a cozinha, uma grande cozinha toda branca, e bem organizada, onde eles preparam tudo. Na cozinha há uma porta que dá acesso ao quintal da casa do meu avô. Um corredor na verdade, que dá acesso a casa, questão de 7 passos já é a porta de cozinha. E ali é onde ele fica, tem uma cozinha pequena, uma sala, um banheiro e um quarto. É onde ele e a Carmem moram.
Quando saímos da cozinha da lanchonete por essa porta que dá acesso ao corredor de fora da casa, a direita após sair da cozinha há um corredor curto para o lado direito, que dá acesso ao quintal onde fica a kitnet e a garagem do meu avô.
Digamos que as casas mais antigas do morro ou de qualquer lugar, não são lá muito planejadas né, costumo dizer que é cada gambiarra, projeto passou longe kk.
Retrocedendo, do lado da lanchonete que fica de esquina, do lado direito dela há um portão, e ali é a garagem do meu avô, entrando na garagem que é de uns 5 metros, temos o pequeno corredor na lateral esquerda como eu mencionei que dá acesso a casa dele, e em frente a garagem, do lado esquerdo há uma escada, na lateral do muro, onde fica uma kitnet.
Subindo a escada, tem uma porta branca, o final dela já é coberto, entrando da acesso a a uma sala, com cozinha americana, a janela da sala tem uma vista legal pras montanhas atrás do morro. Tem um banheiro bem bonitinho, pequeno mas bonito, arrumadinho. E um quarto espaçoso, e é aqui que eu vou ficar. Meu avô arrumou para mim, e disse que se eu não me importasse, seria pra mim aquele espaço, assim eu terei minha privacidade, e eles a deles com suas manias de gente de idade, como ele brincou. Eu achei ótimo. Nada contra meu avô e a Carmem, imagina, dormiria até na sala. Mas achei legal, empolgante um cantinho assim pra mim. Já sorri de orelha a orelha.
Há anos atrás meu avô alugava essa kitnet para um senhor, colega dele, mas esse senhor com sua esposa arrumaram uma casinha térrea, conseguiram comprar ela e pra eles foi melhor, por causa da escada.
Era tarde já, marcavam 22h no relógio, meu avô e a Carmem estavam na lanchonete e eu e meus pais estávamos na kitnet, meu avô recusou nossa ajuda, mas tudo bem, talvez a gente fosse mais atrapalhar eles do que ajudar. Meus pais estavam se preparando para dormir, eu cedi minha cama para eles e dormi no sofá naquela noite.
...
O fim de semana foi tranquilo, meu avô e a Carmem quase não param, mas de domingo eles não abrem. Então fizemos um churrasco no domingo em família e ficamos de boa. Na segunda-feira de manhã meu avô levou eu e meus pais até a universidade, para efetuar minha matrícula no curso. Após fomos comprar meu material, bolsa, acabei comprando umas roupas e tênis com a minha mãe. Ela sempre se empolga. Foi uma correria de manhã, e após o almoço, foi a parte difícil, me despedir dos meus pais, eles precisavam ir embora, voltar para a rotina, serviço... Chorei no último abraço no aeroporto, mas meu avô segurou minha mão e me disse que tudo ia ficar bem, que Deus tinha novas coisas para mim e que eles sempre viriam me visitar, sorri para ele e concordei. Eu fui me acalmando, voltamos para o morro e meu avô foi descansar um pouco antes de reabrir a lanchonete para o turno da noite.
Tenho uma semana antes das aulas começarem, eu não sei bem o que fazer e como ser útil, como mostrar gratidão por tudo que estão fazendo por mim. Mas eu sei que vou me esforçar, e meu avô vai ter que me deixar ajudar eles na lanchonete.
Organizo tudo, vou na vendinha perto da lanchonete, uma mercadinho na verdade, compro coisas como produto de limpeza que eu gosto, itens de higiene, comidas, meu avô deixou tudo arrumado e limpo, e me disse pra comer na casa dele sempre, mas eu expliquei que estou super empolgada com a kitnet, e quero cozinhar pra mim, fazer minhas coisinhas tudo lá, e que eles estão convidados a comer comigo quando quiserem, ele riu, mas gostou da minha empolgação. Então foi minha primeira compra tipo morando sozinha kk, teve porcarias sim, mas fiquei toda orgulhosa comprando verduras, legumes, arroz, feijão, sabendo comprar carnes e tudo como um adulto responsável faria kk. O senhor do mercado deixou eu ir até em casa com o carrinho de compras, e isso foi ótimo, o que não foi ótimo foi subir a escada várias vezes e descer várias vezes, levando as sacolas de compras para a kitnet. Treino do dia tá pago!
Devolvi o carrinho de compras e passei a noite organizando tudo, compras, roupas e tudo mais. Carmem tem um excelente gosto, eu amei a cortina da sala e do quarto, as roupas de cama que ela comprou, escolheu para mim. tapetes tudo. certeza que minha mãe ajudou.