PILOTO NARRANDO Puxei ela pela cintura assim que ela abriu o portão. Melissa subiu na garupa com aquele jeitinho marrento de sempre, mas eu senti o sorriso no canto da boca dela. A moto ronronava pela rua, e eu ali, com o peito inflado de satisfação — poucas coisas me davam mais onda do que pilotar com ela colada em mim, segurando forte na minha cintura como se confiasse de verdade. Chegando em casa, entrei com ela direto pela garagem. Estacionei a moto com cuidado, tranquei o portão e já soltei: — Vem cá que eu tenho um bagulho pra te mostrar. — Ih, lá vem você com esse papo desde quando me buscou, hein? Cadê? Quero ver logo esse mistério todo. Soltei uma risada de canto, guiando ela pela mão até o corredor. A casa tava com aquele cheiro bom do incenso que minha vó deixava de vez em

