VIVIAN NARRANDO Eu já tava em casa fazia um tempo, sentada no sofá, pé pra cima, aquele copo d’água com limão que eu tomo todo fim de tarde e a cabeça cheia de coisa, porque ser mulher do dono do morro não é só batom e escova progressiva, não. É atenção redobrada o tempo inteiro. E eu sempre fui de ouvir o que ninguém percebe. Soldado cochicha na rádio, eu escuto da cozinha. Da sacada, escuto até o barulho da mão puxando a pistola da cinta. E foi isso. Tava um dos soldados na porta, com o rádio ligado no baixo, mas eu peguei o recado. “Cê viu, mano? O Coroa mandou o Batoré, o Neguinho e o Vado segurar o MT pra pegar a arma dele. Os três caíram na porrada com ele no campo. O MT não quis entregar, não. Rolou no chão com os três. Fumaça do caralho.” Foi isso que eu ouvi. Só precisei de uma

