Fabrício ficou calado por alguns segundos. Me acompanhou com o olhar, depois largou o corpo no encosto do sofá de novo, como quem sabia que vinha mais bomba. — “E não foi só isso.” — falei, já na porta da varanda, encarando o céu que clareava, mas sem aliviar nada por dentro. — “Vi a Patrícia ontem.” Ele ergueu as sobrancelhas. — “A filha do juiz?” Assenti, com um meio sorriso que não chegava nos olhos. — “A própria. Tava no coquetel.” — “E aí? Cê foi no modo CEO... ou Coringa?” Me virei só o suficiente pra ele ver a expressão no meu rosto. — “Comecei CEO... terminei quase com sangue nas mãos.” Fabrício se endireitou, já mais sério. — “Que que ela fez?” — “Nada. Só abriu a boca.” Parei, respirei fundo. O copo ainda pesava na mão. — “Falou de mendiga como se fosse bicho. Chamou

