A verdade era que apesar de estarmos cientes de qual o tipo de alimentação da nossa espécie, ficamos preocupados não exatamente pela vida humana, sim é trágico, mas já estávamos acostumados como de tempos vemos alguns vampiros com sua alimentação normal o problema é que não queríamos ter consequência de sermos expostos. E para que toda essa confusão que fiz? Para no fim a realidade vir como um balde de água, Camila não fez exatamente nada além de manter sua alimentação e pelo visto nem sequer deve matar humanos para isso. E novamente o que eu fiz foi julgá-la sem ser culpada. Eu realmente tenho que parar de continuar a ser essa i****a que estou sendo. Apesar de arrogante e sádica ela não merecia isso.
Nenhum dos meus irmãos ousou dizer uma palavra sequer nos primeiros minutos, não adiantava mais entrar nessa hora na aula. O intervalo havia tocado faz tempo.
Depois de um tempo ainda sem nos mexermos, pois estávamos perdidos em nossos pensamentos resolvemos entrar.
A próxima aula começaria daqui a pouco.
– Tá legal, nossa moral está lá em baixo. – Dinah falou dramaticamente.
Encarei-a séria, não era hora para piadas. O clima até alguns minutos atrás estava muito tenso, mas não podia reclamar das palavras de minha irmã ela estava certo.
– Dinah, por favor. – Mani disse balançando a cabeça em negativo.
– Mas o que posso dizer além disso? Elas estão certas desde que elas chegaram nós só fizemos merda. – Ela deu de ombros.
– Eu acho melhor discutir esse assunto em casa, aqui não é o melhor lugar para isso. – Eu me pronunciei.
– Lauren está certa vamos para a aula e em casa conversaremos com Michael. – Suspirou Troy.
Todos concordaram e cada um seguiu para sua respectiva aula quando deu horário. Eu nem ao menos prestei atenção na aula. Minha cabeça estava em outro lugar um lugar onde a garota de olhos castanhos aparecia o tempo todo. Através da mente dos alunos consegui acompanhar seus movimentos até a última aula, desde ontem eu gastava um momento ou outro vigiando-a, nem mesmo com meus irmãos fazia isso, mas saber o que ela vai fazer é bem intrigante, e ver suas reações e seu rosto era melhor ainda.
Finalmente a aula havia acabado, saí da sala rapidamente e no meio do corredor encontrei meus irmãos.
Fomos juntos para o carro, assim que saímos pela porta vimos Shawn encostado em sua moto de braços cruzados.
Era estranho vê-lo de calça jeans e uma jaqueta de couro preta, pois sempre estava de bermuda e parecia não conhecer a palavra camisa. Ele nos viu e acenou com a cabeça em forma de cumprimento.
– O que o cachorro quer com a gente, Lauren? – Troy sussurrou baixinho.
Li a mente de Shawn.
– Er... Conosco nada. – Me virei para a entrada e encontrei Camila de roupa trocada saindo. – Mas por outro lado com ela parece que muito. – Apontei discretamente para Camila com a cabeça.
Meus irmãos nem precisaram se virar para saber de quem eu estava falando. Nós continuamos seguindo até o carro e paramos lá para ver a cena, não só nós mais todos os alunos que observavam Shawn correndo até Camila que tinha acabado de chegar em frente ao seu carro.
– Camila. – Shawn falou assim que chegou perto. – Oi.
Ela virou para olhá-lo e sorriu meiga?
– Shawn. – Seu sorriso se tornou debochado após pronunciar seu nome. – O que faz aqui? – Falou sarcástica.
Antes que Shawn pudesse responder Sofia chegou e o impediu de falar, pois ele se manteve calado e preferiu contemplar a beleza dela com a maior cara de bobo apaixonado. Sofi o encarou e pareceu meio sem graça.
– Oi. – Ela disse um pouco nervosa.
Os olhos de Shawn brilharam de uma maneira impressionante era a primeira vez que ela falava com ele, parece que foi demais para o cachorro até achei que ele ia ter um infarto, porque ele ficou com mais cara de i****a apaixonado se fosse possível.
Sua mente estava a mil, só rodava na direção dela e o desejo dele era poder toca-la nesse momento.
– Camila? – Como Shawn não a respondeu Sofi dirigiu a palavra para sua mãe.
Quando ela cortou a ligação entre os olhares dele. Shawn voltou à realidade e se xingou mentalmente por ter feito aquele papel na frente da sua impressão. O Quileute balançou a cabeça e olhou em direção a Camila que estava quase entrando no carro.
– Espera! Aonde você vai? – Shawn perguntou apressado. – Eu preciso falar com você.
– Pra casa, e se você precisasse falar algo para mim, não ficaria calado babando na Sofi no meio do estacionamento quando te fiz uma pergunta. – Camila respondeu sorrindo zombeteira apoiada na porta aberta do carro com o queixo sobre as mãos. Shawn ficou constrangido e olhou para baixo.
– Camila! – Sofia falou ríspida pelo divertimento de sua mãe às suas custas.
Era engraçado ver aquela cena, Camila nesse momento não parecia ser aquela vampira sarcástica e perigosa. Era incrível como ela não foi contra o imprinting do cachorro achei que quando ela soubesse ela chutaria a b***a dele o mandando para longe, mas ao contrario disso ela sempre faz piadinhas ou deixando constrangido.
– Está bem, não está mais aqui quem falou. – Camila levantou as mãos como se rendesse. – Não sou eu quem vai ficar de quatro por você mesmo, apesar que essa função deveria ser a sua Sofia e não de Shawn. – Ela alargou um sorriso malicioso para a filha que a encarava de boca aberta.
Shawn engasgou com a própria saliva.
Eu e meus irmãos não acreditamos que ela falaria algo do tipo para a filha e rimos baixinho. Dinah por sua vez não aguentou se segurar e deu uma gargalhada estrondosa chamando atenção de muita gente principalmente de Camila. Ótimo, era agora que ela nos xingaria por estarmos escutando sua conversa.
Esperei pela bomba, mas para nossa surpresa ela riu, e não havia nenhuma ironia ou falsidade na risada ela simplesmente riu divertida.
Eu estava espantada com sua atitude assim como meus irmãos, tirando Dinah que ainda dava gargalhada.
Sofia bufou e entrou no carro emburrada. Shawn se sentiu m*l pelo estado dela. Ele resolveu terminar logo com o assunto antes que piorasse a situação para a filha de Camila. Ele pigarreou chamando atenção de Camila novamente.
– Então Camila, eu vim fazer um convite. – Ele encarou-a desconfiado. – Nesse sábado, vai ter as lendas em volta da fogueira e você com Sofia são as convidadas de honra para comparecerem em La Push.
Se eu não tivesse lido em sua mente antes que ele faria o convite, com certeza eu estaria boquiaberta e desacreditada como meus irmãos estavam agora.
– Eu não sei se vou. Sua cara de desconfiado não está ajudando em nada. – Ela fez uma ceninha.
– Qual é Camila! – Ele falou baixinho olhando em volta para ver se nenhum humano escutaria. – Eu não faço ideia de quem você seja, mas como você tinha dito eu falei para o sábio da tribo o seu nome e ele mandou chamá-la este fim de semana, mas como você, ele ficou quieto quando perguntei de onde te conhecia... É chato ficar de fora.
– Não se preocupe Shawn tenho certeza que as lendas nesse fim de semana serão bem interessantes. – Ela falou no mesmo tom que Shawn e sorriu misteriosa. – Nos encontraremos sábado.
– Obrigado, estaremos te esperando assim que o sol se pôr. – Shawn olhou para Sofi e sorriu. – Tchau Sofi espero te ver lá.
Ela não respondeu apenas assentiu e manteve o olhar irritado para baixo, pelo visto ela ainda estava brava com a brincadeira de Camila. Shawn se afastou do carro para que Camila desse a partida e fosse embora. Eu ainda não acreditava que ela tinha aquele carro, uma Mercedes Classe E só seria lançado daqui a dois anos no mercado. Shawn correu até sua moto, mas antes de ir embora olhou para nós.
– Sinto muito Jauregui, mas a decisão final ainda é a do conselho se eles permitiram a entrada delas eu não posso impedir.
Ele sorriu e foi embora. Não podíamos criticá-lo e questioná-lo primeiro porque não tínhamos nada a ver com a história deles, a não ser a aliança que era para ajudar um ao outro e segundo ele não poderia desrespeitar uma ordem do conselho eles deviam ter motivos muito importante para deixá-las entrar em suas terras.
Depois que Shawn saiu, um burburinho entre todos os alunos do estacionamento começou a surgir.
– OMG... Que gato é aquele?...
– Aquele não é um daqueles garotos de La Push que andam em grupo? Ele está apaixonado por Sofia?...
– Eu não acredito que aquele cara conhece as gostosas da escola, merda...
– Ah não, ele não pode estar interessada por Sofia...
Tá bom, estava ficando chato demais ouvir os comentários dessas pessoas, entrei no carro ainda frustrada com a conversa dos dois. Liguei-o e fui para casa.
Quando chegamos Ally relatou o dia de hoje para nossa mãe, nós só iriamos esperar Michael chegar do trabalho para falar sobre o assunto.
A tarde passou rápida Michael chegou.
– Está tudo bem? – Ele perguntou assim que viu nossas caras nada felizes.
– Não. Hoje tivemos um desentendimento com as Cabello. – Respondi.
Ele nos olhou assustado.
– O que houve?
– Camila se alimentou isso é o que houve.
– Meu Deus, de quem ela se alimentou? – Michael questionou preocupado, ele já sabia que alguma coisa estava errada caso contrário não haveria motivos para falarmos nada.
– Newton, só que acho que a julgamos precipitados. – Ally disse meio cabisbaixa. Ela ainda estava triste pelo jeito que Camila falou hoje, mas sabia que tinha culpa nisso que todos tínhamos culpa.
– Por quê? – Ele não sabia como isso era possível.
– Você já ouviu falar se é possível vampiros se alimentar de humanos sem matá-los e muito menos transformá-los? – Perguntei curiosa.
Se ele soubesse eu e meus irmãos estaríamos sabendo muito pouco sobre a nossa espécie e nossa capacidade de autocontrole.
– Não. Em toda a minha existência nunca vi ou ouvi falar sobre um vampiro ser capaz disso. – Respondeu confuso. – Isso é impossível.
– Se é impossível a Camila consegue tornar possível porque vi aquela boquinha no pescoço de Mike e ele saiu caminhando mais humano que nunca. – Dinah ainda conseguiu fazer graça.
– Vocês querem dizer... Que ela se alimentou sem machucá-lo? – Ele estava perplexo.
– Bom, só machucou na hora que bebeu o sangue dele, mas depois que tomou nada aconteceu para prejudicá-lo. – Falei séria para meu pai.
Michael estava estupefato sentou-se no sofá ainda não acreditando o que tínhamos acabado de contar. Ele estava tentando entender, nunca ouviu falar sobre essa possibilidade e questionou se mais vampiros fossem capazes de morder sem afetar um humano.
Ele nos encarou com os olhos brilhando.
– Isso é incrível, já pensou o quanto de vida humana seria salva se todos os vampiros forem capazes de fazer o mesmo que Camila? Eu sei que nós somos contra a alimentação da nossa espécie, mas achamos repugnante por não sermos capazes de poupar a vida humana.
– É o que pensamos, mas até antes de Camila nos explicar nós a julgamos novamente. – Falei meio sem graça. – Como no primeiro dia e ela não gostou muito.
– Mas dessa vez ela não atacou ninguém, porém julgou nas nossas caras as nossas atitudes e ela estava muito furiosa. – Ally comentou.
– Talvez ela esteja certa, não sei bem o que aconteceu hoje, mas pelo menos a nossa atitude do primeiro dia não foi justa e muito menos certa. – Michael justificou.
– Nós sabemos. – Comentei. – Apesar de não termos culpa dessa vez não fomos amigáveis e muito menos agradáveis. Camila está certa ela disse que nós só soubemos tirar conclusão precipitada e a jugar desde o dia que chegou e depois a única coisa que sabemos fazer é só pedir desculpas. – Encarei minha família me sentindo culpada. – E tudo isso é culpa minha em todas às vezes fui eu quem a julguei e coloquei a minha família em perigo eu sinto muito mesmo, fiz sem pensar e agi como uma i****a espero que me perdoem.
Só de pensar sobre minha ignorância que fiz com ela por algum motivo me deixou extremamente m*l eu não podia fazer isso de novo não mais.
Meu pai se levantou e veio até mim colocando sua mão em meu ombro compreensivo.
– Não se culpe minha filha, tudo bem que você se precipitou, mas enxergou seu erro. Ninguém te culpa. Você é minha filha e sei que tomará a decisão certa, assim como todos nós que também nos precipitamos.
Meus irmãos me deram apoios com as palavras do meu pai. Eu me senti melhor, minha família estava do meu lado e como sempre me faziam me sentir melhor. Agradeci a todos pelo apoio e me senti bem.
Um pensamento me chamou atenção.
Troy se questionava como Mike se afastou de nós como se nada tivesse acontecido.
– Você está certo, Troy. – Minha família me encarou e Troy me olhou intrigado com meu pronunciamento. – Troy estava querendo entender à atitude de Mike que saiu como se nada tivesse acontecido e eu não sei o que aconteceu lá, mas quando fui ler a sua mente ela estava em branco e depois durante as aulas ele não pensou nada sobre nós ou Camila é como se ele não tivesse presenciado nada.
Todos me olharam assustados, ninguém soube o que realmente aconteceu e principalmente o que Camila fez. Não sabíamos a explicação certa disso, mas teríamos que descobrir. Para completar não só eu quem mais prejudicou, mas como minha família teríamos que tomar cuidado com nossas atitudes e saber quem é Camila Cabello.
– Michael? – Troy chamou nosso pai num tom sério e pensativo. A pergunta que ele iria fazer me fez gelar. Todos o olharam curioso. – Qual é a possibilidade de um vampiro ter mais do que um dom?