O hospital parecia engolir o tempo. As paredes brancas, os corredores frios e o cheiro forte de desinfetante misturado com medo. A madrugada já tinha se alongado além da conta, mas ninguém do grupo conseguiu pregar o olho. Cada vez que um médico passava perto, a respiração deles prendia, esperando alguma notícia. Foi só no início da manhã que uma médica diferente apareceu, chamando: — Parente da paciente Letícia? Charada avançou antes mesmo de terminar a frase. — Sou eu. Me fala, doutora… pelo amor de Deus, me fala. A médica manteve o tom sereno, mas os olhos demonstravam o peso da notícia. — A paciente Letícia sofreu muito com o choque do ferimento. O corpo dela reagiu, mas agora está em estado de sono profundo. Fora de risco imediato, mas… precisamos esperar ela acordar. Charada

