Quando Cesar acordou, viu-se completamente sozinho naquela estranha biblioteca do Castelo de Barboa que funcionava como uma Assembleia para as Criaturas Primevas.
Ele ficou tonto, sentia dor de cabeça, depois tudo passou num piscar de olhos, então subiu à escadaria para ir embora dali, deu uma pausa no meio para continuar a subir e quando chegou, encontrou o Primevo a esperar por ele.
— Olá, Allogaj Rasec, eu o trouxe para cá, eu te levarei embora — falou a Harpia.
Eles começaram a caminhar.
— Obrigado! Mas não saberei o que fazer depois, vou estar totalmente perdido, fora que posso enfrentar muitos perigos da noite fora dos limites do Reino de Ic — falou o rapaz. — Não há como fazer isto amanhã pela manhã? Eu durmo em qualquer lugar, juro.
— Tu não tens um lugar para ir?
— Tenho, mas não sei onde se localiza, não pude ouvir o recado da localização porque você me levou embora antes.
— Eu posso levar-te até às tuas amigas, se quiseres.
— Sério? Isto seria ótimo.
— Habilidades de um Primevo. Tu também podes adquirir esta habilidade, mas apenas se usares o teu bastão mágico. Enfim, somente precisarás dar-me um nome e uma região, e que sejam informações verdadeiras, eu localizarei e levar-te-ei até à pessoa referida.
— Que ótimo! Procure por Natybinle no Reino de Ic.
O Primevo parou de andar para olhar para o nada e em três segundos ele voltou ao normal.
— Localizado.
— Ah! Que alívio, eu fico muito grato.
— Não precisas agradecer-me, é a minha função, apenas não digas nada a ninguém sobre isto, não posso usar as minhas habilidades de qualquer maneira.
— Sabe, você é um Primevo diferente dos outros.
— Acostumei-me a ouvir isto. Tu também és um feiticeiro bastante incomum, além de ser Allogaj.
— Como assim?
— Tu és um Allogaj, sem dúvida, entretanto, tu não és como os primeiros mágicos do mundo, és único, pois, a magia das luzes te possuiu porque os Trealtas... — Elokventa parou de falar porque sentiu um forte incômodo em seu cerne. — Creio que não tenho permissão para revelar-te.
— O quê? Ah, não! Vai me deixar na curiosidade?
— Sinto muito, nós Primevos somos mais limitados do que muitos pensam, exceto o Vigla, ele faz o que quer. Tu terás que descobrir sozinho, ou de outra maneira.
— Ai! Tudo bem, não sou tão curioso assim. Mas isto não vai sair da minha cabeça tão cedo, sempre que eu penso que já sei de tudo sobre mim aparece outra novidade.
— Mas saiba, o seu poder é benigno porque... — Elokventa interrompeu-se de dor novamente.
— Não! Não precisa dizer mais nada, eu não quero que sinta dor — preocupou-se o rapaz.
— Grato, bondoso rapaz.
Chegaram ao lado de fora do Castelo de Barboa, mas tiveram que atravessar a ponte para abrir um portal.
Se fosse apenas o Primevo, ele poderia fazer aquilo lá dentro e em qualquer lugar, mas com uma pessoa era diferente, humanos mágicos são extremamente limitados pela Organização Mundial da Magia Universal.
Allogajs quase não tinham limites mágicos, mas algumas magias poderosas eram resistentes aos seus poderes, principalmente as mais antigas.
O Primevo transportou o Cesar diretamente para uma mansão. A imensa sala onde havia várias pessoas e todas elas eram conhecidas por Cesar ficou completamente silenciosa com a sua súbita chegada.
— Estás entregue — falou a Grande Harpia antes de ir embora, do mesmo jeito que entrou.
O pessoal, que conversava calorosamente, emudeceu-se com aquela cena.
— Oi, gente — saudou Cesar com um aceno tímido de mão. — Estava morrendo de saudades de vocês.
A reação do pessoal foi surpreendente, gritaram e aplaudiram, abraçaram e beijaram como nunca, exceto dois ou três, mas a g***o estava, finalmente, completo.
Estavam no recinto as Feiticeiras Prodígios Layranet, Natybinle, Akfama, Terzavany, Lubinine, Delaina, Brisanctis, Vestaréi, Ysizabala, Madulca e Zerayre; as Feiticeiras Oprimidas Gisele, Fabiana, Belisa e Tainara; os Feiticeiros Prodígios Kenezérrio, Balamel, Sabantho, Camnari, Egossyntro e Sonzeon; a Transcendentis Nabyla; o dono da Taverna Beltenor; e a Immortalis Diretora Sal acompanhada pelo seu braço-direito, o guardião Javier.
Estavam na mansão da Immortalis, era um dia muito especial e queriam comemorar com muito júbilo.
Mas a alegria duraria pouco, pois, no dia seguinte, faltaria dois dias para o resgate de Zadahtric e Beltenor já estava a preparar um lugar para abrigá-la, ele havia ganhado uma nova Taverna pelo Reino, mas estava nos limites do Reino então ali não seria muito adequado para escondê-la.
Todos os assuntos possíveis foram tratados, tudo foi falado, mas os relatos do Allogaj eram os mais interessantes, tiveram que se sentarem para ouvirem cada detalhe — exceto as revelações quais fez ele um Pacto de Sigilo para não compartilhar —, principalmente sobre a sua frustrante experiência em conhecer as Sete Criaturas Primevas.
Não puderam se esquecer da Talita, umas das pessoas mais fundamentais daquele g***o, somente puderam desejar o melhor para ela, que ela fosse a melhor Suma-Sacerdotisa de todos os tempos.
***
O resgate de Zadahtric estava muito perto, mais do que imaginavam. Kanahlic estipulou sete dias para a irmã ser desmagnificada com o fluido que as sete bruxas das luzes estavam a preparar e faltavam apenas três para o grande dia.
Valéria não fazia ideia do que acontecia por lá.
Ninguém do Reino de Ic tinha consciência de que as Feiticeiras e Feiticeiros Prodígios quais outrora faziam parte daquele Castelo estavam refugiados no próprio Reino.
A rainha sabia que poderiam planejar a sua derrota, por isto, intentou em desmagnificar Zadahtric, pois, se não era aceitável uma rainha das trevas, era inadmissível uma rainha meã, ou sem magia.
Sobretudo, Kanahlic confiava na sua Allogaj, o Reino passou a ser temido por causa dela e ninguém ousaria confrontá-la, mas o que também não sabia era que surgiu um novo Allogaj no mundo, e era agraciado pela Luz.
A Allogaj feiticeira das trevas acordou bem cedo, passaria um período na Mansão dos Palawitz, seus pais, em Uberlândia, mas acabou por desistir dessa ideia assim que chegou.
Não estava mais acostumada a dormir no seu antigo quarto que estava como ela havia deixado antes de ser expulsa por Gade.
O pai dela queria reformá-lo, mas Colette não deixou, pensava que a filha poderia voltar a qualquer momento e que as suas vidas voltariam ao normal, ou seja, ela a dar dores de cabeça, preocupação e prejuízo para eles.
Às cinco da manhã a paz dominava, mesmo de longe, podia-se ouvir os sons do mundo lá fora a trabalhar, ainda mais no centro da cidade.
Valéria foi para a parte da casa qual mais gostava de ficar, a cozinha. Mas simplesmente ficou sem ânimo, apenas a beber café até alguém aparecer. Alguns empregados as saudaram e ela não respondeu a ninguém, os ignorou como se fossem reles mortais.
Ela passou a usar luvas e camisas de mangas compridas para esconder a mancha das trevas no seu braço.
Gade apareceu, estava de terno e gravata, passou por ela a fingir que não a vira, pegou uma marmita e foi embora. Em seguida Colette chegou na área, pelo menos, tinha tão bom astral, o que deixou Valéria menos desanimada.
— Bom dia, minha filha — falou Colette e não obteve resposta, a mulher arrastou uma cadeira para o lado da filha e se sentou, estava arrumada para ir trabalhar e uma empregada começou a servi-la. — Obrigada, Judite — Colette voltou-se para Valéria. — Filha, por que esta cara?
— Sei lá, Colette, desde que cheguei aqui eu fiquei assim — respondeu Valéria.
Ela se recostou na cadeira e cruzou os braços em cima da barriga.
— Sente algum trauma por ter voltado aqui? — Colette fez essa pegunta a saber que a resposta seria "não", certamente, Valéria quem traumatizou aquela casa.
A grávida fez uma careta.
— Óbvio que não, mas não sei o que está acontecendo, estou muito angustiada.
— Ah! Isto é super normal, mulheres grávidas sentem emoções diferentes a todo momento. Quando eu estava grávida de você...
— Ai! Pode parar, por favor, eu não quero ouvir. Na verdade, eu quero é ir embora.
— Mas... Já? — Colette ficou decepcionada. — Filha, você veio para cá ontem. Não dormiu bem?
— Eu não dormi nada, acho que não era uma boa ideia ter vindo.
— Por quê? O seu pai te disse alguma coisa?
— Não, ele não disse absolutamente nada, eu me senti invisível perto dele. E é assim que eu gosto, não quero que ele me dirija a palavra se não tiver nada de bom para falar.
— Então o que é?
— Eu não sei, quado eu descobrir eu te falo, mas eu vou embora daqui hoje.
— Filha, você está me assustando — Colette choramingou.
— E você já vai chorar? Pelos Trealtas, que mulher frágil.
— Pelo quê? — Colette estranhou aquele comentário, nunca tinha ouvido falar sobre os deuses de Dorbis antes.
— Não interessa, vou esperar o Alejandro acordar para a gente ir embora.
— Espera eu voltar do trabalho, eu levo vocês...
— Não, você vai demorar muito — Valéria estendeu a mão. — Aliás, vou agora, anda, me entregue a chave do seu carro.
— Valéria...
— Anda, Colette, você nunca fez o que eu queria, só estou te pedindo isto — Colette encarou a filha de sobrancelhas erguidas, então a grávida recobrou a fala. — Nunca fez na mesma hora.
Colette suspirou e a entregou a chave com muita relutância.
— Tome, mas você não vai dirigir, vou deixar um motorista preparado para você — Colette levantou-se da cadeira e foi embora.
Nem mesmo a própria Valéria sabia descrever os seus sentimentos, era uma garota inconstante, imprevisível, instável, e etc. Ainda mais grávida, período em que muita coisa mudava.
Alejandro espreguiçou-se na cama. Quando ele acordou, acendeu o abajur, por o quarto ser extremamente escuro, e cheio de objetos de ossos para todos os lados, ele se assustou ao ver a sua mulher sentada num canto da parede numa poltrona preta.
Valéria olhava para o nada pensativa, os seus olhos estavam arregalados e as suas olheiras denunciavam que ela não havia dormido muito bem.
— Amor? Você está bem? — perguntou Alejandro, falava em sua língua nativa, mas se entendiam por causa da magia Vox Universalem refletida para eles na Terra.
Valéria forçou-se para sorrir e respondeu:
— Sim, está tudo bem, estava esperando você acordar, vamos embora.
— Hãn? Agora? Não entendi, não acabamos de chegar, praticamente?
— E daí? Agora vamos partir. Tem alguma coisa contra isto?
— Não, o problema é que... — ele interrompeu-se ao estranhar que ela ainda sorria. — Para de sorrir assim, está me assustando.
Valéria expressou apatia no mesmo instante, ela ficou de pé e andou até a cama.
— Eu estou perturbada e quero ir para casa — ela apoiou as mãos no colchão e se aproximou ainda mais. — Não há problema algum em querer ir para casa.
— Tudo bem — Alejandro ficou assustado —, vamos embora.
— Agora.
— Mas eu estou com fome.
— Problema seu. Eu disse "agora" — gritou a grávida.
Alejandro se apressou em vestir as suas roupas e sair do quarto, nem deu tempo de lavar o rosto, nem escovar os dentes.
Ele queria saber se levariam as coisas que trouxeram, mas como ela simplesmente saiu da casa, entendeu que não.
Ele a seguiu para a garagem e ao chegarem, encontraram um motorista ocioso em frente ao automóvel de Colette e se prontificou quando chegaram.
— Bom dia, senhora, Dona Colette me pediu para... — começou a falar o motorista, mas foi interrompido pelo garota.
— Não precisa, saia da minha frente — Valéria usou a chave para abrir a porta do carro, quando finalmente abriu, Alejandro tomou as chaves da sua mão de surpresa. — O que está fazendo? — questionou ela indignada.
— ¿Qué estás haciendo tú? — rebateu o rapaz.
— Alejandro me devolva a chave.
— No. No vas a conducir este auto, Valéria.
— Tudo bem — irritada, Valéria sentou-se no banco do carona e gritou. — Anda logo, estou com pressa.
Alejandro entregou a chave ao motorista e entrou no carro ao lado dela, mas um pouco afastado a temer o que ela poderia fazer com ele.
— Estás embarazada de nuestro bebé mi amor. Y no está nada bien... — Alejandro tentou justificar que a situação dela não era favorável para ela poder dirigir, mas ela não gostava de ser contrariada, ficaria exasperada o dia inteiro.
Valéria não teve nenhuma complicação aparente na gravidez, o bebê estava saudável, ela estava saudável, por isso, não queria ser tratada como uma mulher fragilizada, apesar de gostar das atenções que estava a ter cotidianamente. Uma garota complicada.
— Ai! Cala a boca — disse para Alejandro.
O motorista arregalou os olhos e deu partida no automóvel.
Agora estavam na rua, mas assim que pegaram a estrada e dobraram uma esquina, um carro que avançou o sinal chocou-se contra o deles, bem ao lado do motorista, e fez o automóvel capotar uma vez até parar com as rodas no asfalto, porém, parcialmente destruído.
A visão de Valéria ficou vermelha, depois tudo escureceu.
***
Sábado, 12 de Maio de 2006, Hospital das Clínicas da UFU — Uberlândia, MG.
Valéria não sentia os pés firmados, também não sentia a gravidade, tinha consciência, mas não conseguia falar, não sentia os órgão da fala, não sentia a si próprio, só sabia que estava em algum lugar e curiosamente não estava ao mesmo tempo.
A sua visão estava turva, afinal, naquele lugar havia apenas fumaça. Parecia que estava de dia, pois, a luz do sol era muito forte, mas não se via o sol em parte alguma. Ela pensava sobre toda a sua vida e não sabia o porquê.
Ao olhar para o lado, viu uma silhueta. Era um senhor de idade e estava no mesmo estado que o dela, depois olhou para outro lado e uma garotinha surgiu. A fumaça não impedia mais que ela pudesse perceber que haviam várias outras pessoas ao seu redor.
Ela falou com elas, queria saber onde estava, mas ninguém a respondeu, pois, a sua voz não ecoou. Ela era a única que percebia a própria situação e a dos outros também.
Tentou se desesperar, sentia-se presa e livre ao mesmo tempo, era um paradoxo muito intenso, uma sensação de ambiguidade extremamente perturbadora. Tudo o que podia fazer era expressar em seu rosto os seus sentimentos.
Ela acalmou-se ao ouvir uma voz conhecida, e dizia: Excitare.
No mesmo instante ela entendeu que alguém usava magia para despertar outro alguém, provavelmente era para ela. A voz usou o encantamento sete vezes até ela sentir a gravidade e cair como um meteoro para onde nem sabia.
Valéria abriu os olhos lentamente, a luz do quarto incomodou muito a sua visão e as pupilas responderam imediatamente. Uma Pedra de Vírnam roxa estava diante dos seus olhos.
Deitada numa maca de hospital, Valéria vestia uma camisola hospitalar, usava uma máscara de oxigênio no rosto, um oxímetro no dedo e tomava soro na veia. Ela arrancou o soro do braço e a máscara do rosto.
Assim que os seus olhos focaram normalmente, viu que Azaryn estava bem ali, diante dela.
— Olá, Audaxy! — saudou Azaryn.
Valéria franziu o cenho a levantar-se da maca para se sentar.
— Azaryn? O que está fazendo aqui?
— Eu vim te despertar do seu coma, a sua ligação com o seu próprio corpo não estava tão tênue quanto a do seu namorado.
— O quê? Não entendi.
— Você estava no Limbo, Allogaj.
— Espera... O que aconteceu? — Valéria se sentia confusa, não lembrava direito do que houve com ela.
— Audaxy, aconteceram muitas coisas, o Castelo de Ic foi invadido, traidores se revelaram mais uma vez e utilizaram de recursos inesperados, a rainha se encontra desolada e somente você pode ajudar. Mas quando eu vim te procurar, soube que você... — Azaryn se interrompeu, apesar de ter demonstrado ser uma pessoa ordinária a vida inteira, mudou completamente depois que as suas irmãs Ézyan e Zayian morreram na batalha no Castelo para ajudarem a recuperar o trono de Kanahlic.
Na verdade, ela mantinha uma imagem, pois, sabia que não dava para demonstrar o que pudesse ser considerado franqueza naquele mundo vil.
— O quê? O que houve comigo?
— Você sofreu um acidente de carro — respondeu a mestra estrige sem pestanejar. — Está há quase três dias desacordada.
Valéria tomou um susto ao, instantaneamente, lembrar-se do episódio, passou a mão pela barriga e sentiu que não estava mais saliente.
— O meu bebê! — sussurrou chocada.
— Você o perdeu, sinto muito — na verdade, Azaryn não sentia, ainda queria convencer a Valéria para que ela fosse ao mundo mágico para apoiar a rainha, pois, Zadahtric foi resgatada e os planos dela de desmagnificá-la foi um grande fracasso, fora outras coisas terem acontecido no mesmo dia. — O seu chofer (motorista) acabou morrendo e Alejandro está em outro hospital em estado de coma profundo, tentei despertá-lo, mas não consegui, minha magia não é tão forte neste mundo. — Azaryn, deu uma pausa para ver a reação da garota, porém, não obteve respostas e continuou: — Eu vim te procurar, a Sarah quem relatou-me tudo e me explicou a sua localização.
Valéria não ouviu uma palavra do que Azaryn disse, apenas, com olhos arregalados, deixou que lágrimas caíssem como cascata em seu rosto.
— Meu bebê! — sussurrou mais uma vez.
— Valéria — Azaryn falou o seu nome verdadeiro para chamar atenção e conseguiu —, a rainha está precisando muito de você agora.
Depois do que ela disse, Valéria mudou a sua expressão de assustada para zangada e uma energia muito forte emanou do seu corpo.
— Saia daqui — disse entre os dentes. — SAIA! — gritou.
Assim, os seus batimentos cardíacos aceleraram e o aparelho que os monitorava enlouqueceu.
Azaryn deu alguns passos para trás, em seguida, dois socorristas e uma enfermeira entraram no quarto da paciente. Encontraram a cena e se preparam para socorrerem-na.
— Ei! Quem é você? — perguntou a enfermeira. — Saia daqui, você n******e ficar. Vamos.
Azaryn olhou para a enfermeira como se fosse um verme e saiu do quarto.
Quando a enfermeira foi preparar algo para injetar na garota perturbada que lamentava a perda do bebê e os socorristas a tentarem acalmá-la, percebeu que os olhos da paciente ficaram totalmente pretos.
— Nossa Senhora! — foi a última e única coisa que deu tempo de ela falar.
Valéria levantou os braços com a palma das mãos voltadas para o teto e conjurou o feitiço Fajro Produktis.
O feitiço foi tão intenso que causou uma explosão no quarto, a princípio o fogo produzido não seria capaz de causar queimaduras profundas nas pessoas, mas como o fogo que incendiou o local e tudo o que nele havia mudou, acabou por m***r aqueles profissionais carbonizados.
A garota apenas protegeu a si própria com o feitiço Protektis ao envolver-se completamente, antes, correu pelas chamas até atirar-se pela janela, mas não foi uma tentativa de suicídio, uma fumaça preta com centelha a envolveu. Aquela criatura fumegante subiu para o céu crepuscular e sumiu num portal.
Pela primeira vez na história da magia dorbiana, uma pessoa muito poderosa atravessou um portal da Terra diretamente para o mundo mágico sem fazer o ritual completo.