Kanahlic e a sua comitiva transportaram-se para a biblioteca da Basílica, em seguida, foram para o salão e se reuniram em frente ao balcão de recepção, logo após, vários guardas reais, guerreiros e guardiões foram entrando na Basílica pelas construções anexadas.
Organizadamente, saíram para a entrada do recinto e a rainha, acompanhada por Azaryn, levou Valéria para outro lugar, uma das salas anexadas.
Era a Secretaria, estava repleta de papéis e objetos, num canto, havia um pequeno móvel como se fosse um guarda-roupa e a rainha puxou as portas de madeira pelas maçaneta.
Lá haviam várias placas de vidro, pequeninas e quadradas, organizadas em prateleiras horizontais. Um côncavo no chão daquele compartimento era onde Valéria encaixaria o seu bastão para conjurar o feitiço patenteado por Vincent.
— Veja, Audaxy, cada plaquinha desta contém o DNA das pessoas registradas no meu Castelo e na minha Basílica. Estes de cima são os principais, os quais temos certeza de que me traiu, quero todos aqui. A minha comitiva inteira está trabalhando para que tudo saia como planejamos — a rainha olhou para Valéria com os olhos bem arregalados. — Chame-os para cá.
Valéria não perdeu tempo, ela encaixou o seu bastão de ébano no côncavo, a sua Pedra de Vírnam roxa brilhou e cada plaquinha das prateleiras brilhou uma luz roxa em harmonia, começou de baixo e terminou em cima.
Valéria sentiu cada um, sentiu que todas aquelas pessoas estavam a ser transportadas para a entrada da Basílica e daí começou-se os murmúrios de multidão.
— Sim! Sim! — Kanahlic ficou contente e Valéria terminou com a magia. — Audaxy, agora, eu quero que você vá a um lugar para mim, onde eu tenho certeza de que estão alojados os meus traidores. Traga-os vivos, se Zadahtric não estiver lá, pode estar em outro lugar, mas quem estiver a ajudando vai perecer. Você consegue?
— Óbvio — respondeu Valéria convencida. — Onde a senhora quer que eu vá?
— Na mansão da Feiticeira Sal.
— Onde fica?
— Azaryn vai te levar.
— Larissa vem comigo.
— Que seja. Só quero olhar nos olhos dos meus inimigos e contemplar a sua derrota. Pensaram que eu declararia guerra, mas eles já estão derrotados.
— Vamos lá.
Azaryn bateu o seu bastão no chão e transportou-se com a Allogaj e com a Larissa para a entrada da mansão da Feiticeira Sal.
— Olha só, portões de ouro — disse Valéria assim que pousaram.
Ela os arrebentou com um feitiço de impacto.
— Agora é com você — falou Azaryn e sumiu num portal.
— Vamos lá — chamou Larissa, e foram andando tranquilamente pela estrada de paralelepípedos.
Assim que chegaram, havia um largo bem em frente da mansão que era enorme, mas não puderam continuar a andar porque uma barreira translúcida formou-se. Valéria encostou a mão e sentiu a resistibilidade.
Toda a mansão estava dentro de um círculo de arbusto. Valéria lançou um contra-feitiço na barreira Protekti, mas Sal, por ainda estar viva e forte, resistia com muito esforço.
Valéria sentiu a mancha preta no seu braço se espalhar aos poucos e parou com o ataque.
— O que houve, minha preciosidade? — perguntou Larissa preocupada.
— É uma p******o muito poderosa, se eu continuar, pode me prejudicar depois. Sal tem que ser morta.
— E os traidores?
Valéria levantou o nariz.
— Terão uma surpresinha.
Ela colocou a mão direita na barreira que se manchou como petróleo, depois fluiu das suas veias algo como lava de vulcão. Da mancha caíram várias criaturas do tamanho de um ser humano adulto, como se estivessem a ser paridos.
Se assemelhavam com chimpanzés, mas estavam carbonizados, sem pelos, porém, as peles eram esticadas e liberavam muco em abundância, a área do nariz era tapada, os olhos eram ocos como um abismo, as bocas eram desdentadas, mas salivava uma gosma preta e as suas patas tinham unhas grossas e negras.
Ao total foram vinte e três demônios.
Valéria sentiu a sua mancha do seu braço espalhar-se novamente e interrompeu a invocação. Os demônios se aglomeraram na frente de Valéria, diante da barreira, como patinhos a querer alcançarem a mãe pata.
— Vão, meus bebês, tragam-me o pessoal desta casa, se espalhem e não deixem ninguém escapar.
Como estavam longe, as criaturas demoníacas correram para a mansão e Valéria conjurou, por cima do feitiço Protekti, outra p******o que os manteriam lá dentro. Ninguém entrava, também ninguém sairia.
Larissa aplaudiu como uma louca.
— Você é a melhor, Audaxy.
Valéria lhe lançou um sorriso de canto de boca, a agarrou pela cintura e jogou-se para o chão a abrir um portal embutido. Queria sair dali com estilo.
Assim que voltou para a Basílica, explicou à rainha que estava tudo sob controle e que mais tarde ela teria os seus traidores. Kanahlic não questionou, confiou na segurança da sua serva mais poderosa.
***
Zadahtric, Escálius, o pessoal Prodígio e Nabyla estavam na grande sala da mansão à discutirem, queriam saber o que fazer depois que parte da equipe, e a mais poderosa, sumiu num chamado-portal.
Nabyla insistia em querer levar a Zadahtric para o antigo covil secreto de Lidarred de volta, mas a mulher de cabelos prateados se recusava a querer voltar para aquele "buraco".
Escálius, que era um mago das cinzas, mas se voltava mais para as luzes, concordou com Nabyla.
Zadahtric não suportava feiticeiros das cinzas, nem mesmo o próprio mago, mas como ele a ajudou a ser rainha, ela o tolerou no Castelo, por isso não tinham amizade alguma.
Ela não tinha mais o seu próprio Conselho, qual tanto confiava, então decidiu obedecer. Nabyla usou o seu medalhão para poder voltar ao estado vítreo e flutuou diante do pessoal. Mas ela ficou parada com o cenho franzido a expressar o seu incômodo.
— E então, sipritiana? — apressou Zadahtric. — Por que está aí parada? Faça alguma coisa.
A Transcendentis olhou ao redor, para o pessoal que, confuso, a encarava.
— Há alguma coisa muito estranha acontecendo — disse ela.
— O quê? — berrou Zadahtric.
— Não estou sentindo as outras dimensões, não consigo me teleportar.
Escálius logo se pronunciou.
— Dêem-me licença, eu sou velho e estou sem o meu cajado mágico — ele foi para onde ninguém sabia, se esconder talvez, era esperto demais para não entender o que provavelmente iria acontecer.
— Se você não consegue se teleportar é porque a magia de p******o não está permitindo a a******a de portais — falou Naty.
— Sal não faria isto com a gente. E agora? — questionou Bris.
De repente, fizeram silêncio, pois, ouvia-se uns barulhos aos redor da casa, como se estivessem a escalando.
— É melhor vocês empunharem os seus bastões — avisou Layra.
De repente, alguém tentava arrombar a porta a assustá-los, depois um demônio atravessou uma janela para cima de Nabyla e a prensou contra o chão.
— Se escondam — gritou Érrio que pegou na mão da rainha e correram para a parte de cima da casa.
Um demônio apareceu de algum lugar e os perseguiu pelo extenso corredor, o prodígio usou o seu bastão e conjurou o feitiço Kolizio para impulsioná-lo para longe.
O restante do pessoal se espalhou pela casa, ninguém conseguia abrir um portal, o jeito era lutarem até cansar.
Naty usou o seu bastão para lançar longe a criatura de cima de Nabyla. A Transcendentis voou para a porta para segurá-la e gritou:
— Fuja, Naty, eles não podem me machucar enquanto eu estiver assim.
Naty então saiu da sala o mais depressa possível, não sabia onde se esconder, mas entendeu que os demônios foram mandados para capturarem-nos.
Todos e todas procuravam um lugar para se esconder, as criaturas eram atraídas pelo que viam e ouviam. Também por outra coisa.
Fama entrou dentro de um guarda-roupa do quarto da Feiticeira Sal e segurou a respiração, um demônio a perseguiu até lá e desatou a procurá-la. Ela ficou nervosa e para ela foi impossível não ofegar.
Sendo assim, a criatura foi aproximando-se lentamente, o único som que saía da sua bocarra desdentada era como se estivesse a baforar de cansaço. Ele chegou mais perto e ela não resistiu e saiu, porém, a conjurar a luz.
A criatura se afastava, mas sempre avançava incessantemente para tentar pegá-la, ela precisava pôr mais intensidade, entretanto, em algum momento ela não iria sustentar mais a luz que emitia do cristal, que ela uma conjuramento que exigia bastante energia e não sabia como escapar daquela situação.
Ela estava a perder as forças, quando a criatura ia avançar mais uma vez, Dulca entrou no quarto com uma espada e enfincou o demônio no chão de madeira.
— Vamos sair daqui, essas criaturas não morrem — Dulca levou Fama para outro lugar. — Esta casa está cheia de armas por aí, vamos tentar usá-las.
— Eles temem a luz — disse Fama.
— Eu vi, se soubéssemos antes não teríamos nos espalhado e sim, juntado forças.
Layra foi perseguida por dois demônios, como a mansão era muito grande, ela tentou se esconder na cozinha.
A medida que corria, usava o feitiço Duobligi Min e as suas cópias corriam para todos os lugares, até onde ela podia resistir.
Assim que chegou à cozinha, se escondeu dentro da dispensa, onde havia várias alimentos não perecíveis.
Pelo buraco da fechadura ela via os demônios agarrarem as suas cópias, que no caso, foram quatorze, e vê-las se desmancharem como fumaça. Aquilo manteria as criaturas ocupadas enquanto ela estivesse escondida.
Nabyla não consegui segurar a porta e quatro demônios a escancarou, depois, avançaram para cima da Transcendentis a segurá-la pelos pés, fazendo com que fosse prensada novamente no chão, três deles a segurava enquanto outro, sem sucesso, tentava arrancar o medalhão do seu pescoço.
Ela não sentia dor, mas sentiu o incômodo de estar presa, depois de tanto ter libertado tantas pessoas.
Naty refugiou-se numa sala de música e fechou as portas, os dois demônios que a perseguiram começaram a se esbarrarem nela para tentarem arrombá-la.
Ela respirou fundo, se concentrou e começou a agitar o seu bastão e a repetir o conjuramento Akvo Produktis.
À medida que gesticulava, gotas de água iam se formando e se agrupando até chegar a uma quantidade em litros que poderia preencher duas banheiras.
Ela preparou a armadilha, no momento em que as portas foram arrombadas e os demônios avançaram, ela os envolveu na água e conjurou outro feitiço chamado Glacio Produktis que os congelou completamente.
O monólito de gelo caiu pesado no chão e se arrastou, Naty saiu do caminho e a geleira chocou-se contra um piano.
Ela correu para fora dali bem rápido, já que eram criaturas quentes e fortes, podiam sair dali ao se esforçarem. Naty não conjurou o gelo diretamente porque ainda não adquiriu aquela habilidade.
Aina, Terza, Vesta e Lubini trancaram-se numa grande sala de estar com portas de correr.
Colocaram os móveis para impedirem a entrada dos demônios, mas foram seguidas e os ruídos que fizeram apenas atraiu mais alguns que começaram a se esbarrarem nas portas.
— Alguém viu quantos foram que nos seguiram? — perguntou Vesta aflita.
— Eu vi três — respondeu Terza.
— Agora deve ter mais, eles são atraídos por barulhos e nós fizemos muitos — disse Aina.
— Como vamos combatê-los? — questionou Vesta. — Eu nunca encarei um demônio antes.
As meninas lamentavam e as portas de correr estavam perto de se abrirem. Elas estavam sem escapatória, a sala tinha apenas uma saída que era pela chaminé, mas era tão estreita que nem mesmo uma das criaturas poderia passar por ali.
Nesse exato momento, Lubini começou a retirar os seus adornos, calçados, brincos, e a entregá-los às meninas quais começaram a comemorar.
— Procurem uma túnica para mim, e que seja do jeito que eu gosto — disse Lubini.
Ela era uma metamorfo, e os metamorfos de Dorbis eram humanos que se transformavam em leões-das-cavernas.
— Acaba com eles, minha diva — torceu Aina.
Sem cerimônia, Lubini transformou-se num enorme leão-das-cavernas marrom, as suas vestes foram completamente rasgadas.
O interessante era que leões-das-cavernas não tinham juba, e sim um pescoço grosso, enrugado e peludo, mas Lubini era a única que tinha juba, ainda por cima, era preta e como trançada como os seus cabelos.
Quando as portas se abriram, a poderosa e enorme "leoa" avançou para cima dos cinco demônios que não esperavam por aquilo e lutou bravamente. As meninas ficaram na torcida.
Érrio, levou Zadahtric para a ala de alquimia da Feiticeira Sal, era pequena e repleta de coisas.
— Pelos deuses, por que eu sempre paro num laboratório de alquimia? — resmungou Zadahtric. — Isso aqui é uma piada perto da magia.
Érrio, que procurava pelas prateleiras algo que ele sabia que tinha ali, respondeu à sua Majestade:
— Acredite, minha rainha, a senhora, vai me agradecer depois.
— Espero que sim... — Zadahtric se interrompeu ao gritar pelo susto que levou, o demônio que foi espantado por Érrio voltou e queria entrar na ala. — Ai, que ódio. Mate esta criatura, meu Prodígio.
— Eles não morrem, Majestade, mas se desintegram — Érrio se voltou para a rainha com um vaso de vidro na mão com um um papel colado escrito alguma coisa.
Dentro do vaso havia um líquido transparente.
— O que é isto? Água? — a rainha destronada fez uma careta.
— Não água comum, Majestade, Sal chamou isto de Lágrimas de Maria.
— De quem?
— Não sei, só sei que é encontrado em Gorbis e é poderosa — Érrio apontou o seu bastão para o líquido e conjurou a luz, assim, o líquido passou a reluzir em sincronia.
— Como é possível alguma coisa poderosa vir daquele mundo não-mágico?
— Não sei explicar, só sei...
O rapaz não concluiu o seu discurso, a porta foi arrombada pelo demônio que sibilou para a Zadahtric e por impulso, ela pegou o vaso de vidro e o atirou bem no rosto da criatura, o vaso se espatifou e o líquido a molhou completamente, ela correu para fora tresloucada e começou a se desintegrar até virar um lodo e depois **.
A mulher de cabelos prateados se apressou em fechar a porta e colocou uma cadeira na frente.
— Você é um gênio — disse a mulher a ofegar como se tivesse feito muito esforço. — Tem mais dessa água?
— Não, Majestade — disse Érrio boquiaberto —, aquela era a única quantidade. Podíamos ter desintegrado uns três demônios com o que tínhamos.
— Agora que você me diz? Se aparecer outro desses você deverá me proteger com a sua vida — berrou Zadahtric.
— Ai! Meus deuses — exclamou o rapaz.
***
Kanahlic, na Basílica, cercada pelos seus fiéis súditos, discursava a respeito de traição e que ela não perdoava esses tipos de atos no seu reinado, enquanto isso, Cesar, agarrado às demais meninas, procurava por Belisa por todo o canto.
Entretanto, houve um momento em que o discurso foi parado porque trouxeram cinco pessoas com balestras adaptadas na cabeça.
Eram a Feiticeira Sal, o seu guardião confidente Javier, Beltenor e outros dois homens quais o Cesar não conhecia, mas eram amigos de Beltenor.
Puseram-lhes de joelhos de frente para o público. Dessa vez, Kanahlic escolheu a Basílica porque pensava que ali não haveria como ter escapatória.
As balestra adaptadas tinham os arcos ao contrário e mais curvos para se encaixarem na cabeça, na parte de trás havia outra aste fixada a uma argola de ferro que foi posta no pescoço de cada um, no topo havia um virote acionado com a ponta virada para o crânio dos condenados.
— Estas pessoas foram condenadas por traição — disse Kanahlic — e esta é a condenação para tal ato. Vamos começar pelos menos importantes, os ajudadores — Kanahlic se aproximou dos dois últimos rapazes quais eram desconhecidos para o Cesar. — Vocês informavam para o dono da Taverna mais famosa do Reino assuntos que ouviam no Castelo já que trabalham aqui. Não sei quais os seus nomes e nem quero saber, menos ainda vos darei a honra das últimas palavras.
Kanahlic, com o seu cetro real, bateu, levemente, na ponta de cada virote que disparou-se como um tiro para cada cabeça, e os cadáveres caíram como se estivessem apenas a dormirem.
— Retirem estes lixos daqui — ordenou a rainha alguns guardas puxaram os corpos, ela foi para o próximo, Javier, o amigo de Sal. — Agora você, mexicano, qual lutou ao meu lado para eu reconquistar o meu trono e hoje ajudou os meus traidores para que eu fosse envergonhada perante a minha própria população no meu próprio...
— Ah! Acaba logo com isto, cabrón — berrou o mexicano.
Kanahlic ficou com tanta raiva que bateu o cetro com força no virote que o coitado caiu no chão de boca aberta.
— Tirem este miserável da minha presença — outros guardas foram pegar o corpo, ela, então, prosseguiu para o próximo condenado. — Chegamos à reta final, às cabeças das cobras. Você, Beltenor, irmão de Beltenaz, o mestre dos Feiticeiros Prodígios do Castelo, traidores que fugiram ao invés de ficarem e lutarem como todo mundo. Eu sempre desconfiei de você, dono da Taverna mas famosa do Reino — a rainha falou com deboche. — Era de se esperar, o seu irmão lutou contra mim, agora você, sempre estava a escorregar por entre os meus dedos e hoje tive a certeza da sua traição. Algumas últimas palavras?
Beltenor não pôde levantar a cabeça por causa do mecanismo, mas se mostrou forte e firme, e disse:
— A Treva nunca será maior que a Luz.
— Ha, ha! — debochou a rainha outra vez. — Coitado — ela bateu o cetro no virote que matou o homem instantaneamente. — Preciso pedir?
Aquela indagação fez dois guardas se moverem para retirarem o corpo daquele honrado homem dali.
Bem nessa hora, Valéria apareceu no recinto com a Larissa que ficou chateada por não ter presenciado as outras execuções, mas ficou contente em saber que os corpos seriam queimados.
A rainha andou até à última condenada, em silêncio e com vagareza. Os estudantes ficaram apreensivos.
— Finalmente, a responsável por tudo — Kanahlic se voltou para o pessoal. — Veja, meu povo, uma Immortalis, abençoada pela Grande Harpia com a Imortalidade, contudo, há uma questão. Assim como os elfos, a sua matéria não perece como a nossa, mas é certo que ela pode ser morta. Quantos anos ela tem? Ninguém sabe. Já viram uma Immortalis morrer? Se não, contemplem hoje o que acontece com uma traidora, mulher qual eu confiei para ser a Diretora da Primeira Escola de Magia do Reino de Ic. Tenho sido benevolente com este Reino, tenho mostrado a minha competência, tenho suado para ver o meu povo bem e mesmo assim, quererem me destronar...
— Você prega a supremacia das trevas — gritou Sal.
— Eu ainda não te dei a palavra — gritou Kanahlic de volta, depois se recompôs. — Agora que você me interrompeu, diga as suas últimas palavras.
Sal a olhou com compaixão.
— Você não entende o que está acontecendo?
— Não me olhe assim — disse a rainha severamente.
— Você n******e ficar no trono, você está trazendo o caos para o mundo, Tenecae...
Kanahlic bateu o cetro na ponta superior do virote que enfincou-se no cérebro da Immortalis, ela morreu imediatamente, mas o seu corpo não apodreceria, de qualquer maneira seria queimada com os outros. E retiraram-na dali.
Larissa foi a única que sorriu e bateu palmas.
Cesar chorou, não somente ele, mas a maioria dos alunos que respeitavam-na como Diretora e gostavam dela chorou.
— Vocês estão chorando? — indagou Kanahlic ironicamente. — Por uma traidora? Alguém quer morrer com ela? — esta pergunta fez os alunos se calarem. — Foi o que eu pensei. Audaxy, onde você está?
Valéria se aproximou a dizer:
— Estou aqui, Majestade.
— Hora da conversão.
Valéria sorriu, empunhou o seu bastão e moveu um imenso tonel de cobre com um fluido preto que estava encostado nos portões do antigo quarto da rainha.
Em frente ao Castelo de Ic, uma fumaça preta com centelha formou-se, o que significou que alguém abria um portal ali.
Ao dissipar-se, revelou que Sarah, com seu bastão mágico com a sua Pedra se Vírnam de cor lilás, havia acabado de saltar do seu mundo para aquele.
— Ah! — ela exclamou de alívio. — Finalmente, consegui.
Dois das centenas de guardas reais foram ao seu encontro para impedi-la de prosseguir, apontaram os seus bastões contra ela e um deles gritou:
— Alto! Identifique-se, forasteira.
Sarah, com olhar de indiferença, arregaçou a manga direita da sua blusa e mostrou a tatuagem da serpente, então os guardas descansaram.
— Perdoem-nos, Milady — os guardas a reverenciaram, quem possuía aquela gravura do ombro direito era considerada uma pessoa honrada pela rainha e tinha acesso livre pelo Reino. — O que desejas no Castelo?
— Estou procurando por Valéria, eu tenho certeza que ela não está morta — Sarah falava como se estivesse sozinha, também estranhava ver todos aqueles guardas reunidos na frente do Castelo.
— Quem? — perguntou o mesmo guarda.
— Valé... — daí, ela lembrou-se dos pseudônimos. — Audaxy, a Allogaj.
— Ah! Sim, Milady, ela se encontra na Basílica, hoje é dia de execução.
— O quê? Kanahlic vai m***r a irmã, e na Basílica? Pensei que iria só desmagnificar. E por que demorou tanto assim...
— Não, Milady, não é nada disso.
Sarah ouviu os pensamentos deles.
— Não, meu bem. Não estou sabendo de nada deste Reino, deste continente, ou deste mundo.
— Deseja que eu te leve para a Basílica, Milady?
— Por favor!
O guarda estendeu o braço e Sarah o segurou, bateu o bastão no chão e abriu um portal para a biblioteca da Basílica.
— Que lugar é este? — indagou Sarah.
— Um anexo da Basílica, foi construído para se tornar uma biblioteca.
— É! Estou vendo.
— A Audaxy está do outro lado desta porta, Milady — o guarda a reverenciou e pediu licença antes de sumir num portal.
— Ai! — Sarah suspirou. — O que será que esta garota está aprontando agora?
A loira abriu a porta e entrou no Grande Salão da Basílica que estava repleto de pessoas.
Ela chegou bem no momento em que presenciou a Valéria usar o seu bastão mágico para dominar um fluido preto de dentro de um tonel de cobre flutuante e jorrá-lo sobre as pessoas, contudo, o fluido se transformou em fumaça e tomou a todo o ambiente.
Não se podia ver mais nada, apenas a escuridão.