Capítulo 9

4999 Palavras
Edu 10 anos atrás... O jogo estava animado, a quadra estava cheia. Ambas as torcidas gritavam o tempo todo, o nosso jogo seria em seguida e na mesma quadra, grunhi em desgosto ao ver Bianca perder mais um gol enquanto tentava enfeitar os arremessos de merda dela. p**a que pariu, ela faria o time perder um jogo que já estava ganho. Estávamos no segundo tempo, Laura parecia nervosa no início, mas estava completamente focada agora, a minha garota estava pegando todas, era estranho que uma criatura com mãos tão pequenas era uma goleira tão eficiente, é claro, havia o fato de a bola ser menor e tudo, mas mesmo assim o desempenho dela era impressionante, ela é impressionante. Jesus, ela usava o corpo como se fosse uma muralha, quando eu pensava que não chegaria há tempo ela se jogava ao chão usando pernas, braços e todo o resto para impedir a bola de entrar, o placar estava quase igual graças ao exibicionismo inútil de Bianca, ela era irritante. E quando marcava algum gol olhava na minha direção, mas eu a ignorava, então poderia ser isso que estava deixando-a desequilibrada, e como uma deixa, mais uma vez ela perdeu a bola. — p**a que pariu! — Xinguei sem conseguir me manter sentado. Ela havia perdido uma bola na cara do gol enquanto Marina estava livre na direita, o time recuou e mais uma vez Laura fez uma defesa espetacular agarrando a bola num ângulo quase impossível, o treinador bateu palmas eufórico e vi de esguelha Bianca fazendo uma careta. Vadia do c*****o. Ela ia fazer merda. — Se der uma moral pode ser que ela volte a jogar direito. — Biel comentou distraidamente antes de berrar para as meninas prestarem atenção. Jamais faria isso, ela já ficava no meu pé a troco de nada. Eu só torceria para uma pessoa... Laura fez um arremesso certeiro nas mãos de Bianca e a deixou de cara com a goleira, ela gingou erroneamente para a direita dando tempo de formarem a barreira, não havia mais a******a, ela gingou novamente e uma das jogadoras saiu da linha e conseguiu roubar a bola, mas Marina interceptou e conseguiu um arremesso lateral arranjando tempo do time se reagrupar. Estava quase arrancando os cabelos, de longe vi as bochechas de Laura vermelhas, ela estava p*u da vida com as cagadas de Bianca, mas sabíamos que o treinador não iria tirar ela. Laura ladrou instruções ao time e vi Bianca com uma carranca teimosa ao tomar uma dura dela, o time adversário sacou o desequilíbrio das meninas e pressionou, vi de cima da arquibancada a banda do Irmã Dulce indo para trás do gol de Laura, bando de arrombados. Um coro deprimente foi entoado, "Oh Lauraaaa, não chore não, sua camisa vai virar pano de chão". Laura estava quase explodindo em risos, mas manteve-se focada, a p***a de uma zabumba ditava o ritmo, estreitei os olhos quando vi o zagueiro do time de Futsal se dirigindo para lá, já havia notado que ele estava secando até a alma dela. No mesmo instante Bianca fez uma cagada colossal e perdeu a bola para a garota que estava marcando-a, ela desceu com tudo em direção ao gol, dessa vez para o crédito dela a atacante fez um drible brilhante e deixou todo o teime para trás. Ela saltou antes que a barreira estivesse formada, a bola passou direto por baixo das pernas de Laura, a torcida comemorou e a zabumba entrou em um ritmo frenético entoando uma música ofensiva e machista demais para uma torcida de escola religiosa. — Olha aquele cara. — Ignorei o comentário de Arthur. Pesquei a garrafa e entornei um gole generoso de água, desci para ficar perto do alambrado. Caralho, elas não podiam perder esse jogo, Laura tinha que ir para viagem do time, eu já tinha planejado tudo para ficarmos juntos sem os olhares curiosos dessa cidade fofoqueira em cima da gente. — Gente… Eu e Biel começamos a ladrar incentivos pro time, o jogo estava empatado e eu estava ficando irritado. — Galera! — Me virei irritado. — Que p***a, o que é Arthur!? Ele desceu bufando, passou por cima de um monte de gente, segurou a minha cabeça com força e virou na direção do gol de Laura. — Aquele filho da p**a está mexendo com a sua garota! c****e! Os meus olhos focaram imediatamente num gesto obsceno que ele fazia com a língua, abri caminho aos tropeços em direção a ele, sem precisar olhar para trás para saber se os caras estavam lá, eles estavam. No instante em que cheguei o grupinho que estava ali abriu caminho, mas o desgraçado estava grudado no alambrado como um maldito parasita e concentrado em Laura, ela estava dura feito uma estátua, o pescoço ruborizado… — Ah, qual é gata? Nem precisa tirar as luvas. Vem aqui, a minha língua vai te fazer feliz. Silenciei os meus passos e aproximei-me o suficiente para falar no seu ouvido. — Não fale com ela, seu arrombado do c*****o. — Sibilei, ele endireitou-se e forcei a sua cabeça contra as grades. O empurrei com o meu corpo e prendi os seus braços nas reentrâncias, num instante estava em sua b***a enquanto os caras me rodeavam para que ninguém soubesse o que estava havendo. — Dê o fora, se eu o vir aqui de novo te chutarei até chegar na sua casa. Me afastei o suficiente para ele ficar aliviado, ergui os olhos e vi Laura relaxar visivelmente, ele estava mesmo mexendo com ela. O empurrei novamente e ele gemeu. — Para que lado tenho que chutar mesmo? — rosnei em seu ouvido. — Só pro caso de você ter uma memória r**m. — Foi m*l, cara. Não sabia que ela já tinha dono. Dono? O que diabos ela era, um cachorro? Cerrei os dentes, os meus punhos queimando com a vontade de quebrar os seus dentes. — Saia. — Inclinei o queixo na direção em que ele devia ir. Ele se foi, os meus amigos o fuzilando com o olhar, o filho da p**a teve a audácia de olhar uma segunda vez de soslaio para Laura, esse vai dar trabalho. — Deixe isso pro jogo. — Biel comentou segurando o meu ombro, ele sempre sabia quando eu estava prestes a explodir, com dificuldade assenti em concordância. Me virei para a quadra no exato instante em que a artilheira do time adversário descia como um trem desgovernado na direção do gol de Laura, rápida demais, num piscar de olhos elas estavam cara a cara, vi Laura aprumar os pés levemente separados, a jogadora bateu a bola na frente dela se exibindo, mas para o meu assombro Laura sorriu, a garota vacilou e arremessou. A defesa foi espetacular, mas não havia ninguém para receber a bola, Marina se livrou da marcação e se aproximou, eu e Arthur começamos a gritar, não havia ninguém livre e Marina estava prestes a entrar em pânico devido à marcação apertada do teime adversário que se organizou assombrosamente rápido. — c*****o. Sai pro jogo, Laura! — berrei — Vá para a linha! Ela olhou-me confusa, mas saiu correndo com um rosnado, Marina tocou a bola, Laura driblou a artilheira que escorregou na quadra e foi deixada para trás tentando se levantar, mas patinando no lugar, ela devolveu para Marina tentar arremessar, a barreira bloqueou o arremesso e Marina recuperou a bola. — Toca pra Laura! — Arthur berrou exaltado. Marina tocou a bola, Laura recebeu e se impulsionou para saltar e arremessar sobre a barreira acertando um arremesso certeiro no canto, a galera foi à loucura e Marina quase a derrubou na quadra com uma comemoração estrondosa. — AÊ c*****o! — sacudi o alambrado eufórico, Laura voltou correndo e apontou o dedo para Arthur sorrindo. Risos e uivos ecoaram pelas paredes, me senti sufocado, sabia que era só agradecimento pela torcida, mas queria que ela apontasse para mim, queria aquele gol, mas eu sempre estaria nos bastidores e nunca no palco, ela jamais me apontaria daquela forma e mesmo que dedicasse um gol pra mim, seria com um gesto discreto que não revelaria a minha identidade nem o que significávamos um para outro, mas sinceramente… O que realmente significávamos um para o outro? Eu não sabia. Se ela sabia, escondia isso muito bem e fingia não se importar com o que estava acontecendo entre nós, eu sempre a persegui, mas nunca pensei no que faria quando finalmente a tivesse nas mãos e quando eu a tive a única certeza que tive era que não queria soltá-la, não permitiria que ela se afastasse, eu a teria para sempre nos meus braços, eu só queria mais e mais, mesmo agora quando a via olhando e sorrindo para os outros desejava roubar todos os seus olhares e sorrisos para mim. Estava dividido, porque todos começaram a se dar conta do quanto ela é linda e incrível, quando ela sorria os seus olhos ficavam apertados e as bochechas reluzentes e coradas, ela não percebia como os garotos a olhavam, como eles a secavam cada vez que se abaixava ou quando se esticava para fazer uma defesa e a camisa subia e revelava um pouco da barriguinha levemente saliente e com aquele umbigo fundo e lindo. Parte de mim, gostava que os outros a admirassem, inflava meu ego saber que aquela garota linda era minha, mas a outra parte, a egoísta, essa temia que ela deixasse outro alguém se aproximar e conhecer tudo aquilo que eu mais amava, a raiva, a inteligência e sagacidade, as esquisitices, e apenas eu poderia saber disso, porque sempre fui obcecado por ela, sempre a vi como ela era e sempre amei tudo, absolutamente tudo. O apito soou me assustando e indicando o final do jogo, o pessoal comemorava ensandecido, assisti as meninas deixarem a quadra e nós a invadimos para começar o aquecimento. (...) Eu era um bom jogador, determinado, criativo, certeiro e leal, só tem uma coisa que não era... paciente. E a marcação do camisa três estava me deixando fodidamente irritado, ele não desgrudava de mim, saber que ele estava mexendo com a minha garota me deixava doido pra passar o rodo e cair de p*u em cima dele. Porém, havia um olheiro aqui, precisava jogar bem e corretamente, movimentei-me rapidamente deixando o babaca pra trás quando Arthur roubou uma bola cagada e corri para a frente, ele levantou a cabeça carregando a marcação nas costas e simultaneamente tocou, matei a bola no peito, vislumbrei o canto e meti uma trivela no ângulo que sacudiu a rede. — Chupaaaa, cambada de perna de p*u! — de longe ouvi o berro de Laura, e não acreditei quando a vi grudada nas grades e olhando-me, o seu rosto incendiou quando os nossos olhos se encontraram e com um sorriso tímido ela desviou, corri para o centro da quadra sorrindo. Ela estava torcendo por nós!? Ela nunca torcia por nós, eu sabia que não era só por minha causa, a escola ficava unida durante o campeonato, mas dessa vez era diferente e eu desejei que fosse por minha causa também. (...) O jogo estava acelerado, o placar era de 10 x 5 a nosso favor, o desespero se entranhou nos adversários, eles estavam começando a catimbar. Biel apertou o pivô e conseguiu desarmá-lo e lançar-me uma bola aérea, estava sozinho no campo ofensivo, dominei a bola e distraí-me quando Laura berrou. — Eduardo! — Ela só me chamava assim quando estava com raiva ou... olhei pro lado. O zagueiro vinha pra cima como um touro, tirei o pé do seu alcance e deixei o corpo no instante em que o vi levantar a perna, vi estrelas quando ele me atingiu com um encontrão, pisando no meu pê esquerdo, atravessei a quadra e caí aos tropeços em cima da comissão técnica. Tudo foi uma bagunça, o árbitro parou o jogo, os caras correram para mim, me ajudaram a levantar e a dor no meu pé explodiu como fogos de artifício quando tentei apoiá-lo no chão, não daria mais para jogar, saí mancando e fui substituído, o técnico arrumou uma bolsa de gelo, o meu pé esquerdo latejava, o jogo estava quase acabando, o zagueiro foi expulso e vi ele abrir um sorrisinho satisfeito ao sair da quadra, o seu sorriso alargou-se quando ele olhou para mim e além... ele estava encarando algo atrás de mim e me virei curioso. Algo não, alguém. Um alguém muito puto. Laura o encarava com uma fúria assassina, vi suas bochechas inalarem e ficarem ainda mais vermelhas os olhos escuros e irados, ele estava se vingando pelo que disse mais cedo, grunhi e me virei para observar o jogo, meus olhos pousaram em Biel, que sinalizou indicando que terminaríamos aquilo depois. Dez muitos se passaram e jogo acabou, procurei na outra extremidade pelo zagueiro e vi que o cara estava indo para o vestiário, escutei um murmúrio atrás de mim, Laura correu atrás dele escoltada por Marina. Que p***a é essa? Fiquei congelado quando a vi seguir o i****a, deixando um rastro de fogo em seu encalço, o Apito soou indicando o fim do jogo, fui abordado pelo técnico que queria me apresentar ao tal olheiro, olhei de esguelha para Biel e indiquei o vestiário, ele arrastou sua b***a pra lá seguido de nossos amigos e cerrei os punhos, tentando não sair correndo dali. Porra, eu a queria longe daquele i*****l. Fiquei ouvindo conversa fiada por cinco minutos até conseguir me livrar do cara, peguei as chaves na mochila e a larguei lá enquanto guardava as chaves dentro do short, talvez fosse melhor manter a ponta entre os dedos e socar o i*****l, grunhi e corri mancando em direção aos vestiários e banheiros, não trombei ninguém no caminho e fui para o vestiário masculino era o mais afastado e o único com a placa de "Em manutenção" e provavelmente o único com a porta trancada, bati na porta duas vezes. — Sou eu, abram! Ouvi algo ser arrastado, a porta se abriu, alguém me puxou para dentro, entrei aos tropeços e fiquei lívido quando vi a cena. O Zagueiro caído no chão, as duas mãos no rosto, sangue jorrando do nariz, os meus amigos tão perplexos quanto eu, Marina sorrindo que nem uma louca, Laura apenas de top esportivo com o contorno dos s***s pequenos a mostra e com o short justo do uniforme encarando o i*****l com uma raiva ofuscante. Porra. Ela comeu merda!? Meus amigos estavam aqui, esse babaca estava caído aqui, não queria que a vissem assim! Meu sangue esquentou e desceu direto para minha virilha, ela tentou esconder as mãos, então eu vi, ela ainda estava de munhequeira e segurava um pedaço de tijolo. Meu Deus. Ela quebrou o nariz dele com um tijolo? Jesus Cristo. Meu peito estremeceu de orgulho, ela baixou o olhar, confusa e envergonhada. — Sua p**a do c*****o! — ele choramingou e Biel o chutou nas costelas. — Olha a língua, seu merdinha! — rosnou e fiquei surpreso quando meu melhor amojo se agachou, pairando ameaçadoramente em cima dele. — Você não vai olhar nunca mais para ela, entendeu? Se alguém vier atrás dela o menor dos seus problemas será um nariz quebrado. Me abaixei até ele e o encarei, os olhos castanhos encontraram os meus e ele engoliu em seco. — Como foi que quebrou o nariz, cara? — perguntei despreocupadamente. — Bati numa parede, não estava olhando pra onde ia. — Balbuciou com uma voz ridiculamente nasalada. — Poxa cara, preste atenção daqui em diante. — Murmurei dando uns tapinhas no seu rosto do c*****o. — Mostrem a saída para ele. — disse ao observar Bruno e Biel erguerem o i****a por baixo dos braços e saíram do vestiário. — Precisamos conversar, Pitchula. — Tenho que ir para casa. — Rebateu como um robô, todos pararam. Marina nos observava completamente confusa enquanto Arthur tentava levá-la para fora, mas ela se enraizou no chão como uma árvore, esperando a amiga, provavelmente temendo por ela enquanto eu me levantava enfurecido, mas era Laura quem ainda segurava um tijolo na mão, Arthur me observava atentamente, provavelmente esperando pelo desfecho explosivo daquele confronto, ele conhecia muito bem meu temperamento e sabia que Laura não negava fogo, não para mim. — Tranquilo, eu te levo. — Sugeri docemente e Arthur pigarreou. — Não preciso de carona. — Ela grunhiu e o meu temperamento levou a melhor sobre a candura m*l ensaiada. — Não foi um pedido, Laura. — Esclarecei e pela visão periférica vi Arthur e Marina erguerem as sobrancelhas completamente surpresos, mas estava pouco me fodendo que agora eles sabiam sobre nós. Estava puto, a diaba acabou de me defender como se eu fosse a p***a do homem dela, não iria deixá-la voltar atrás agora, ela me olhou furiosa e me esqueci completamente do resto quando me aproximei dela, tomei o tijolo, o joguei de canto e a encarei, nossos rostos a centímetros, ambos imersos na troca de olhar mais quente que já enfrentei, puxei um cacho solitário que escapava da sua nuca, percebi quando a sua pupila dilatou, mas ela me ignorou, simplesmente me deu as costas e saiu pela porta. — c*****o. — Xinguei e olhei fulo da vida para Arthur que me olhava com um sorriso triunfante que dizia: "Quando é que iria me contar sobre isso entre vocês?". — Fica esperto, daqui a pouco te ligo pra ir me buscar. — Ow, espera ai! Não dá para dirigir assim, seu i****a! O ignorei e o deixei no banheiro com uma Marina completamente boquiaberta, os outros deram um jeito naquele cara, pois quando atravessei o pátio externo não havia mais rastros deles, segui Laura tentando correr enquanto mancava e para meu crédito a alcancei no estacionamento, ela caminhava apressadamente, a postura tensa e descuidada, claramente não esperava que alguém a estivesse seguindo, me embrenhei entre os carros para sair na frente dela. — Você claramente não me leva a sério. — Sussurrei ao sair detrás de um carro, ela pulou assustada, ainda estava de top e com a mochila no ombro. — Tá doido? Vá colocar gelo nesse pé e para de me atazanar! — Não sabia que se preocupava tanto com o meu pé, achei que você tinha outra parte do meu corpo como preferido. Sorri satisfeito quando ela ficou vermelha que nem pimenta. — Não há nada que goste em você. — disse entretendes, mas percebi o nó dos seus dedos ficarem pálidos quando ela apertou a alça da mochila surrada. Como uma deixa o meu m****o pulsou em protesto, os seus olhos desceram imediatamente para minha virilha, exatamente para o contorno nítido do meu p*u contra o tecido fino, ela ficou completamente boquiaberta, tão fofa que fiquei tentado a esconder o volume com as mãos, ela olhou para os lados em pânico, com certeza não queria que ninguém nos visse. — Cretino. — Vamos, não quer que ninguém a veja flertando com o mauricinho aqui né? Para o azar dela, ouvimos a euforia de uma multidão vitoriosa se aproximando do estacionamento, ela xingou e se emaranhou entre os carros, fui atrás dela e fiquei surpreso quando Laura foi diretamente para onde meu carro estava estacionado embaixo de uma árvore. — Chaves? — Você dirigi? — Claro que não i****a, mas não tenho como sair sem ser vista. Iremos esperar eles se dispersarem. Ah. Ela queria se esconder? Puxei o cordão do meu short, ela ofegou, puxei a chave que estava amarrada ali. — Credo, por que diabos guarda a chave aí? — Não tenho bolsos. — N-não tem bolsos!? — ela revirou os olhos. — Pelo amor de Deus, me dê isso e reze para não estar com cheiro de p***o! — Que fofo, colocou um apelido nele? — Zombei e ela ficou ainda mais vermelha, mas fala sério... quem é que chamava p*u de p***o? — p***o é p***o, o apelido é bastante usado, não é exclusividade sua. — Não o chamo assim. — Deu um nome pra ele? — Abri a boca para responder, mas ela ergueu a mão em protesto. — Esquece, não quero ferir seu ego, então vou reformular: É melhor que essa chave não esteja com cheiro de rôla. — Por que você não experimenta? Sorri estendendo a chave, ela aproximou-se e tentou tomar a chave das minhas mãos a ergui mais alto e destravei as portas, num movimento rápido abri a porta traseira e a joguei dentro do carro, ela percebeu que se esconder ali comigo não era uma boa ideia, pois tentou abrir a porta do outro lado, me estiquei para fechá-la e empurrei o pino para baixo travando imediatamente, o esforço fez meu pé latejar quando o apoiei no chão, ignorei a dor e travei completamente o carro antes que ela tentasse escapar de alguma outra forma. — Que p***a! — Você queria se esconder, nós vamos nos esconder. Passei os meus braços ao seu redor, mas ela se retorceu feito um gato levado para o banho e tive que manter meu pé machucado longe para que ela não tivesse uma vantagem. — Me solta! —Gritou irritada. — Você estava me defendendo? — sussurrei em seu ouvido. — Estava se vingando do babaca por ter me machucado? — ela se impulsionou para trás ao apoiar os pés no banco e arranhou meus braços, tentando me forçar a soltá-la, mas firmei ainda mais o agarre ao seu redor. — Se era isso, por que está fugindo? Eu sou seu... — ela exalou forte e o meu p*u enrijeceu mais. — Aquele o****o sabe, os meus amigos agora sabem também. Ela se acalmou, mas demorei para relaxar meus braços ao seu redor e encontrei os seus olhos selvagens através do retrovisor. — E agora eu tenho certeza de que você também me quer. p***a. Você quase me enganou… — Acha que fiz aquilo por você?! — Ironizou. — Você deve estar se achando pensando que preciso da sua proteção ou da cobertura dos bostas dos seus amigos riquinhos. Ela me encarou novamente. — Eu não preciso de você. — Rosnou. — Bati nele por casa das merdas que me falou, não preciso que alguém faça isso por mim, não preciso de ninguém. — Não. — Balancei a cabeça enfatizando. — Não precisa, mas isso não irá impedir a mim ou meus amigos de defendê-la se for necessário, e isso não a torna fraca, Laura. Ela me encarou, atordoada, confusa, selvagem, como um animal que estava acuado e demorei alguns segundos apara entender que aquilo não era sobre mim, era sobre ela, sobre os medos dela, os problemas dela. Problemas aos quais eu era ignorante, pois ela sempre manteve todos no escuro, mas as coisas mudaram entre nós e eu sabia de coisas apenas por observá-la, Laura estava com problemas em casa e eu tinha certeza de que o problema era seu pai. — O que você quer comigo, Eduardo? De verdade? — perguntou fragilizada e eu me perdi naquele olhar escuro e cheio de sentimentos que não entendia. Eles eram tão fascinantes, tristes e ao mesmo tempo ameaçadores, olhos que me desafiavam a buscar o X da questão e consolá-la, e então fiz a última coisa que deveria fazer, eu a abracei forte, já estávamos agarrados, mas aquilo foi uma péssima ideia. — Me larga! — sibilou, o clima esfriou e a decepção me atingiu em cheio ao notar a tensão em seu corpo, percebi o exato instante em que ela se fechou, que p***a eu fiz de errado? Merda. Fui rápido demais? Ela parecia estar precisando disso, ela estava precisando disso. — Você não vai me deixar pôr as mãos em você de novo, não é? — Por que deveria deixar? — Ela me olhou ao se afastar, lutando para se equilibrar e quase se sentando na extremidade do meu joelho enquanto eu ainda a segurava a distância de um braço, tão perto e tão distante... através do olhar penetrante e carregado de desprezo soube antes que ela abrisse a boca que odiaria o que ela diria a seguir. — Nos beijamos e demos uns amassos, foi legal. Agora acabou. Não somos amigos, não somos ficantes, não somos nada além de uma ficada no meio da tarde. Me acomodei no banco, agora com as mãos em sua cintura, a encarei, engoli a bola de mágoa que começava a se formar em minha garganta. Tentei raciocinar antes que a dor me impedisse de agir racionalmente, não havia ninguém para me segurar e eu não queria perder a linha com ela. Laura me defendeu. Laura ficou preocupada comigo. E Laura estava me chutando. Eu não conseguia acompanhar a troca de frequência dela, parecia que entrarmos em sincronia era um evento anual e o desse ano já passou. — Você gosta de mim. — Afirmei com um aceno firme, tentando convencer mais a mim do que ela, ela gosta de mim sim. Você sabe quando alguém está realmente afim de você, eu só não entendia por que ela estava dando no pé agora. — Não sei por que está fazendo isso, mas eu sei que gosta de mim. — Gostei de ficar contigo, mas não estou apaixonada por você. — Tudo bem. — Ótimo! — Ótimo. Concordei e vi que ela tentou esconder a surpresa com a minha concordância, acho que ela estava esperando por uma briga ou algo assim, ela gostava de estar no controle de tudo, talvez a situação no vestiário a amedrontou, já que ser protegida pelos meus amigos significava apenas uma coisa e amiga dela havia presenciado tudo, mas eu iria esperar, para ela eu teria toda a paciência do mundo, iria esperar até que ela aja sem falhar comigo, até que tenha tempo para mim e me assuma para sua família, para suas amigas, para essa droga de cidade e se ela não quiser isso, e apenas me quiser... bem, a quem quero enganar? Eu aceitarei essas condições porque aceitaria qualquer coisa dela, desde que fosse dado de bom grado. Eu a amarei, mesmo que ela se negar a me amar. Sabia que ela amava, sabia que ela sentia mais que qualquer um, mas também sei que ela virou uma especialista em negar o que sente, sei que ama, que sofre, que tem dúvidas, mas faz tudo em silêncio porque foi assim que aprendeu a lidar com os seus traumas e problemas, ela se convenceu de que era uma ilha, que precisava ser uma ilha e que ela bastava, apenas ela bastava e ela não precisava de ninguém. E enquanto eu olhava nos olhos da menina que amava, que sempre amei, percebi que ela estava confusa e perdida, que não sabia como deixar ninguém entrar, nem como pedir ajuda ou apenas se deixar ser amada, e era doloroso porque ela era amada por tantas pessoas. Aquilo doía. Porque havia a possibilidade de nunca passearmos por aí de mãos dadas, nem de nos beijarmos na rua ou trocar SMS tarde da noite. Também poderíamos nunca acordar juntos, ou dividir um café da manhã, brigar por coisas idiotas como: um espelho do banheiro respingado de pasta de dente, toalha pendurada na porta do quarto, o último pedaço de bolo de limão… Tínhamos tudo para não ser um casal perfeito, até por que até aqui foram apenas 99% das minhas expectativas agindo, mas o que vi no dia em que a persegui na sua casa, somado ao nosso primeiro beijo, somado a primeira vez que ela sorriu para mim e com a manhã que passamos juntos andando de moto, mais aquela faísca que vi seu olhar enfurecido encarando alguém que me machucou... juntando isso dá 1% de esperança, esse 1% que me impedia de desistir completamente dela, me forçava a ver além da selvageria, além da raiva e dos espinhos venenosos, havia algo errado e eu a ajudaria mesmo sabendo que ela pode não ficar comigo no final e tudo bem, desde que ela saia curada de tudo. Parecia ter se passado uma vida enquanto nos encarávamos num silêncio de palavras não ditas, confissões não confessadas e verdades amargas, engoli em seco mais uma vez e forcei um sorriso para ela. — Te levo em casa. Ela não protestou, não resistiu quando a tirei do meu colo e saí para o calor do final da tarde apenas para dar a volta e entrar novamente no carro, dessa vez no banco do motorista, ignorei a dor de pisar no pedal da embreagem a cada troca de marcha, percebi que Laura me olhava, intrigada, mas não perguntou nada, apenas me pediu para estacionar uma rua antes da casa dela, fiquei observando-a descer do carro e ir em frente, sozinha, determinada, quase destemida — uma garota contra o mundo — até que ela chegou no topo da ladeira, ela só precisava virar à esquerda e descer, era uma descida íngreme e eu a perderia de vista no instante em que desse o próximo passo, mas ela se virou para trás e apontou para mim, franzi o cenho, esperei, ela ficou parada apontando pra mim com um dedo frenético, olhei ao redor, havia apenas o meu carro na rua, não poderia ser outra pessoa, ela deu alguns passos para mais perto, abri a porta e estava a ponto de correr até ela quando ela parou. — Olhe no painel! — Gritou e saiu correndo ladeira abaixo. Olhei intrigado para dentro do carro e no painel bem em frente ao banco do carona, havia um post-it rosa-choque, reconheci a caligrafia pequena e confusa, entrei novamente no carro e peguei o papelzinho que continha uma citação: "Ele é mais eu do que eu. Seja o que for que nossas almas são feitas, a minha e a dele são a mesma coisa".¹ Ps. Só para esclarecer, o "Ele" aqui, é você. Foi como se fogos de artifício explodissem em meu peito, p***a, se isso não era uma declaração de amor eu não sabia mais o que era.
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