Capitulo 10

5000 Palavras
Edu Dias atuais... Ela acabou mesmo de dizer que o meu p*u era pequeno? Deus, ele não era. Era infantil como ela tentava me insultar, e era realmente ridículo como aquilo funcionava comigo e pela primeira vez na vida eu quis brochar, os seus olhos focaram em mim, nele, desejei ardentemente que aquela droga abaixasse para que não visse o maldito sorrisinho satisfeito no seu rosto, ela sabia que me afetava, pior, Laura sabia exatamente o que fazer para me tirar do eixo, para fazer o meu sangue esquentar e o meu coração palpitar. — Pitchula, sabemos que isso é uma mentira deslavada. — Depende do ponto de vista. — disse ainda com os olhos escuros brilhando de malícia. — Mas, em sua defesa, as coisas tendem a parecer maiores quando somos crianças. — Acho que já era grandinha o suficiente para saber se um p*u é pequeno ou não. — Dei um passo à frente e ela deu um para trás, sorri. — Para isso eu precisaria de uma referência e naquela época não tinha nenhuma. — Não é necessário referência para saber que uma anaconda é grande. — Outro passo, ela virou-se, segurou a maçaneta e começou a chacoalhar a porta, mas ela já sabia que estava trancada, os seus ombros endireitaram-se, ela virou-se e parou de sorrir, grunhiu um palavrão ininteligível sabendo que o nosso joguinho de provocações evoluía para outra coisa, algo mais denso e eletrizante que fazia o ar entre nós estalar. — Anaconda não existe. — Ah existe sim. — Sussurrei quando finalmente a alcancei e um sorriso m*****o surgiu ao perceber que ela não conseguia desgrudar os olhos do meu p*u. — Está olhando para ela. Ela suspirou, foi um suspiro fraco e trémulo, algo que passaria despercebido para qualquer pessoa, mas não para mim, jamais para mim que estudei cada expressão daquele rosto teimoso, cada trejeito daquela boca atrevida, o comportamento simultaneamente, evasivo e ofensivo, ela finalmente olhou nos meus olhos, ergueu o queixo com ousadia, mas Laura se mantinha grudada naquela porta de merda, como se pudesse escapar de mim novamente, ela deveria saber que se voltasse para esta cidade eu jamais permitiria que escapasse novamente. Foram malditos dez anos, p***a. Dez anos de saudade. Dez anos de coração partido Dez anos de raiva e arrependimento Dez anos tristeza. E de muito t***o reprimido e eu via o mesmo desespero luxurioso nos seus olhos, ela também estava com saudades. Laura era do tipo que conseguia tudo que queria, mas ela teria que estar interessada nesse objetivo em questão, interessada não, obcecada. E quando ficava obcecada ela ia até o fim, foi assim para aprender inglês, mesmo que a matéria na escola não desse uma base muito consistente, mas ela pesquisou, estudou e usou todo e qualquer conhecimento que conseguiu ter acesso para aprender e ela conseguiu, a danada saiu do país falando um inglês surpreendentemente fluente, foi a mesma coisa com o handebol, com a leitura e com a escrita. No entanto, se não estivesse interessada ela descartaria isso da vida como se nunca houvesse existido, e ela era ótima em desprezar e seguir em frente, foi o que ela fez comigo, e para garantir permanência na vida dela eu preciso manter o seu interesse, preciso mostrar que ela terá que cortar um dobrado para me ter nas mãos, eu não a deixarei tomar o controle novamente, não até que ela esteja completamente nas minhas mãos e de uma forma definitiva. Nós ainda estávamos a nos encarar reciprocamente, estudando o adversário, tentando prever o próximo movimento, nós não tínhamos mais 18 e 17 anos, estávamos mais maduros, confiantes e muito mais maliciosos do que éramos há dez anos. — Não faça isso. — Sussurrou, mas não era um pedido, era uma ameaça. Tive de apoiar a mão na porta para não a tocar, eu precisava agarrar-me a algo sólido porque a vontade de tocá-la estava me consumindo, me enlouquecendo, mas eu não queria dar o braço a torcer, ela era uma maldita bruxa manipuladora que conseguia tudo que queria e no instante que ela desbravasse o caminho para me desvendar eu estaria perdido nas suas garras, empurrei um gemido de frustração goela abaixo. Deus eu queria tanto tocá-la novamente, com calma, devagar, a madeira chacoalhou atrás da sua cabeça e cerrei o punho ao sentir o perfume amadeirado com notas florais, ele era malditamente delicioso na sua pele. — O que vai fazer? — Sussurrei de volta me inclinando sobre ela, o meu p*u tocou a sua barriga, ela gemeu e o meu abdome se contraiu, o calor fazendo a minha pele latejar. — Hein, Laura? — Vou revidar, como sempre. — Como sempre. — Concordei e um sorriso arrogante despontou dos seus lábios, estalei a língua a observando de cima, a curva suave dos s***s, as coxas grossas e definidas... eu iria deixá-la doida. — Mas será que você aguenta o tranco? Não sou mais um adolescente. Seus olhos incendiaram, ela ergueu a mão e passou uma unha escarlate pelas saliências do meu abdome, despertando um calafrio que surgiu na minha nuca e desceu ao longo da espinha até chegar a minha virilha fazendo o meu m****o pulsar entre nós. — Tolinho, acabo contigo em duas sentadas. — Respondeu toda arrogante, mas o sorriso misterioso e malicioso, os olhos brilhantes me disseram que aquilo ainda era a mais pura verdade, sempre foi, ela sempre acabou comigo. — Quer apostar? — Não. — Por que não? — Você não daria conta. — Respondeu e um sorriso provocante me tirou do sério. Eu mostraria a ela do que era capaz. Sorri em desafio, ela estreitou os olhos, a empurrei prensando-a contra a porta, a sacola caiu no chão e suas mãos empurraram meu peito tentando manter alguma distância entre nós, mas isso não me deteria, aquelas mãos minúsculas e talentosas não queriam me parar, não de verdade, via isso em seus olhos e na incerteza do seu toque. — Não devíamos fazer isso — Sussurrou e inclinei-me mais, a sua respiração quente batendo contra o meu rosto. — Eduardo? Porra, não gostava do meu nome, mas eu realmente ficava louco quando ele saía dos lábios dela, era como o canto de uma sereia, me seduzindo para as profundezas para que ela devorasse a minha carne, os seus dedos retesaram-se no meu peito e rocei os meus lábios nos dela, provocando-a. — Mas você quer, Pitchula... — Mordisquei o seu lábio inferior, as suas unhas afundaram no meu peito e grunhi, era gostoso, a ardência, a dor do desejo que aquelas garras maliciosas gravavam na minha pele. — Diga que não me quer. — Não te quero. — Disse e as minhas mãos foram para sua nuca, minha mão se encaixando perfeitamente na parte de trás daquele pescoço esbelto, nem muito longo e nem curto demais, do tamanho exato para acomodar a minha mão de forma que eu pudesse roçar o polegar na borda da sua mandíbula até chegar aos lábios, a minha boca salivou e o meu p*u inchou ainda mais e de uma maneira muito dolorosa, a puxei para mim grudando os nossos p****s até que o meu p*u ficasse acomodado entre nós contra o tecido macio da parte de cima do seu pijama. — Diga que não sentiu a minha falta nesses dez anos. — Grunhi olhando nos seus olhos, a sua respiração curta e entrecortada se chocando contra o meu rosto, a suas mãos aprisionadas entre nós enquanto as suas unhas se afundavam cada vez mais no meu peito. — Não senti —Arfou. — Em nenhum momento. — Declarou determinada. A envolvi com os meus braços erguendo-a contra porta de uma maneira que ela teria de enlaçar a minha cintura para se sustentar, ela não me decepcionou, ela não era pesada, uns 60 kg talvez? Mas seu corpo estava diferente, menos macio e mais firme, a minha Pitchula com certeza pratica musculação, ela deve ser uma ratinha de academia, grunhi, explorar o corpo dela novamente seria empolgante. — Eu bebi, comi, viajei, conheci pessoas, trepei com muitos, de várias nacionalidades, de todos os tipos e nunca pensei em você. Você foi só um estepe, te usei numa emergência na falta de alguém melhor, a maioria dos caras não quer se envolver com uma virgem... — A minha mão subiu novamente se enroscando no seu pescoço, estava irritado com as palavras dela, mesmo sabendo da verdade escondida ali — Alguém tinha de ser o primeiro, não é? Ela agarrou o meu pescoço, se esfregando contra o meu p*u, a costura do short quase me fazendo gozar com o atrito, ela deve ter percebido por que se inclinou, a língua envolvendo a pele sensível do meu pescoço, firmei o agarre no seu pescoço apoiando o peso contra a porta quando as minhas pernas vacilaram, meu Deus. — Então você deveria ter mantido as coisas assim. — Sussurrei entredentes quando ela chupou o meu pescoço. — Apenas um p*u que você usou, seria tão simples, não é? A beijei com raiva roubando seu fôlego enquanto ela deslizava a língua para dentro da minha boca da mesma maneira preguiçosa que a conduzia pelo meu pescoço instantes atrás, gemi enquanto Laura tomava total controle daquele beijo, me seduzindo, me provocando enquanto chupava a minha língua e puxava o meu cabelo, apertei o seu pescoço e ela gemeu, cobri completamente a sua boca tomando o controle novamente, passando e repassando os meus lábios sobre os dela ditando um ritmo para aquela língua teimosa. Me concentrei no seu pescoço, beijando e chupando cada pedaço de pele exposto, até que cheguei a seu colo, os s***s seriam o próximo passo, mas aquele pedaço de pano maldito me impediu de tocar sua pele, soltei o seu pescoço tempo suficiente para rasgar a blusa. — p***a, você ficou doido?! — Ela se contorceu quando joguei o que restou da blusa no chão. — Esse pijama foi uma fortuna! — Que se lasque. — Grunhi. Não deveria ser tão caro, quem diabos gasta tanta grana com pijamas? — Quero ver você. Um gemido escapou quando baixei o olhar para os s***s pequenos e reluzentes, os b***s cor de chocolate proeminentes e tesos, pressionei o meu peito nu contra eles, ela gemeu enquanto se movia contra o meu corpo se esfregando com mais força, a beijei novamente, levando a minha mão para baixo, Laura não usava calcinha para dormir, ao menos ela nunca usou quando morava aqui, a minha mão tateou a barra do short e subiu para o meio das suas pernas, encontrando um tesouro úmido e quente, ela gemeu quando os meus dedos tocaram a pele macia em busca do seu c******s, um roçar de dedos e ela retesou-se. Ah, algumas coisas não mudam. — Não está molhada demais para um estepe? — Zombei, ela tentou se soltar de mim e a empurrei contra a porta de novo sentindo os meus braços queimarem em protesto quando a ajustei contra o meu corpo sem tirar a minha mão do meio de nervos entre as suas pernas, deslizei dois dedos para dentro e ela me apertou encharcando a minha mão, p**a que pariu! Nossos lábios voltaram a se mover uns sobre os outros, dessa vez mais intensos e eufóricos, os meus dedos se movendo dentro dela num vai e vem constante e desesperado, os meus lábios curvaram-se num sorriso quando a suas mãos vagaram ao redor do meu pescoço, uma delas se alojando na minha nuca puxando o meu cabelo para inclinar a minha cabeça para trás fornecendo ainda mais acesso ao meu pescoço, ela mordeu o meu queixo me arrancando um gemido e arrastou os dentes pelo meu pescoço, o seu corpo estremeceu, ela estava perto e os meus dedos intensificaram o movimento, um barulho perfurou a nossa bolha, mas tudo que eu conseguia fazer era gemer enquanto ela chupava o meu pescoço. Estava perdido em sensações enquanto ela apertava as coxas ao meu redor, devorando o meu pescoço e fodendo a minha mão, apertei o braço ao seu redor me preparando para o que estava por vir, o seu corpo retesou, ela se afastou do meu pescoço, os olhos revirando, então eu ouvi. — Dudu? — Alguém chamou, Laura arregalou os olhos, mas era tarde demais, o seu corpo tremeu e ela levou a mão a boca mordendo a palma enquanto gozava nos meus dedos e eu a empurrava contra a porta no instante em que ela vibrou contra os meus braços com batidas firmes. — Eduardo, você está aí? Respirei fundo tentando acalmar a ereção latente, o corpo de Laura sacudiu em tremores e ela me olhou em pânico quase gritando para que eu respondesse, e que respondesse à coisa certa. — Oi Lucinha. — Respondi rouco. — Estou aqui. — Você viu a Laurinha? Ela sumiu! A encarei de cima, Laura ficou imóvel, claramente com medo do que eu diria, sorri e o seu olhar estreitou-se numa ameaça assassina e silenciosa. — Não vi, mas tenho certeza de que ela está bem... — Lauro mordeu o lábio, as bochechas coradas. — Bem até demais... — Sussurrei. — Eu vou deixar a chave aqui tá, vou pegar o turno da noite. Você avisa ela para mim? — Aviso, sim. Escutei os passos se afastando enquanto ela murmurava um agradecimento, ela devia suspeitar que eu estava com alguém, ela só não sabia que esse alguém era sua filhinha, Laura me empurrou e saltou de meus braços com a agilidade de um gato de rua, o encanto que havia entre nós se quebrando enquanto ela pegava o que sobrou da sua blusa no chão, ela xingou e foi para o meu guarda-roupa como se fosse a dona da casa, ela seria, ela era, bastava querer. Me afastei da porta e me sentei na beirada da cama tentando amansar a ereção pulsante quando ela abriu a gaveta das camisas, sabia qual ela iria pegar, sorri quando ela passou uma camisa preta sobre a cabeça, mas parei de sorrir quando percebi que ela estava indo embora me deixando na mão, de novo p***a. — Está me devendo. — Sussurrei rouco, massageando com força minha ereção. — Onde pensa que vai? Ela se virou, os olhos brilhando de fúria, Laura me olhou boquiaberta quando a minha mão se moveu para cima e agarrei meu m****o que já expelia pré g**o, acariciei a minha ereção devagar, maravilhado com o olhar dela focado no movimento. Ela congelou e percebi que não sabia o que fazer, então ela mordeu o lábio como se estivesse tentando se conter, respirou fundo e percebi que vinha merda por aí. — Te devendo? — Bufou. — Acha que é o único capaz de me dar um orgasmo? Quer o Nobel da paz por isso? Eu ri. Com certeza eu merecia um Nobel da paz por fazer uma demônia daquelas gozar. A minha risada tornou-se amarga quando percebi que Laura não havia acabado por aí, por segurança procurei algo para colocar entre ela e minhas bolas, mas Laura aproximou-se rosnando, enfurecida por sabe se lá o motivo, mantive-me ereto quando ela se inclinou sobre mim. — Sabe quantos caras me pediram em namoro? Quantos me imploraram por mais uma noite? Mais uma oportunidade de me fazer gozar? — Ela soltou uma risada escarnecida e cerrei os punhos. — Acha que me terá na palma da mão por uns meros centímetros entre as suas pernas? Eu respirava com dificuldade, meu p*u duro para c*****o, eu deveria ser um doente para amar alguém que me falava umas merdas dessas, alguém que era tão c***l e... — Cresça, Eduardo. Quando se trata de jogar, você não passa de um colegial e eu já tenho doutorado nisso. — Zombou. Antes que ela continuasse a jogar essas merdas na minha cara eu a puxei, ela se debateu e de alguma forma caiu montada em cima de mim, pisquei e a sua mão estava no meu pescoço, apertando enquanto eu apertava o seu quadril mantendo-a quieta no lugar, arfei quando Laura se contorceu tentando se soltar, movendo-se em cima do meu p*u com raiva. Gemi, estava prestes a gozar. Puta que pariu. Não conseguia me controlar, estava quase implorando para ela montar em mim e me f***r. Quase... — Por que fez aquilo? — Perguntei sem fôlego e ela arregalou os olhos enfurecidos para mim. — Agora mesmo sei que me quer, que nunca deixou de querer. — Então por que me deixou, Laura? — Me solta. — Grunhiu e firmei o meu agarre ao seu redor, ela poderia me bater, morder e arranhar, eu não a largaria, iria até o fim disso. — Você me fodeu. — Rosnei. — Você continua me fodendo. Ela se inclinou para trás, o aperto suave em meu pescoço, os olhos escuros me avaliando, brilhando na penumbra do quarto, então ela sorriu, o limiar dos dentes brancos me alertando que ela dominava tudo, e o pior, eu gostava, eu era um menino r**m desde sempre, e nunca encontrei ninguém para me pôr na linha, ninguém além dela. — E olha só, você continua querendo ser fodido. — Sussurrou e inclinou-se. — Tão ávido por qualquer migalha... Meu couro cabeludo pinicou onde ela agarrou com mais força. — Eu não te avisei? — Sibilou. — Avisei a você que era uma bagunça, para ficar longe, mas você não escutou, nunca escuta! — Eu sou um caos, Pitchula. — Sussurrei, o calor do seu corpo e o t***o me deixando tonto. — E amo o seu caos e não pode se livrar de mim, não agora e nem depois, porque agora eu vejo o que sempre esteve aí. Laura estremeceu, seu agarre no meu cabelo afrouxou-se e a sua expressão vacilou quando ela recuou no meu colo, ali, ali eu soube que estava certo, que antes eu só não tinha maturidade para ver. Ela não me deixou porque não me queria. Foi forçada a isso e para Laura Teimosia Macedo fazer isso, tinha que ser uma merda catastrófica. Ela se soltou de mim e levantou-se com uma rapidez impressionante, de alguma forma ela pegou a chave na mesinha e abriu a porta antes mesmo que eu tivesse tempo de reagir, estava atordoado, algo havia acontecido, e a minha intuição dizia que Gabriel sabia. — Pode fugir. — Gritei enquanto ela corria em direção a porta. — Irei atrás de você até o fim do mundo, não há onde se esconder, não de mim! Ela bateu à porta e fui em busca de uma cueca, eu tinha umas contas a acertar com o meu amigo. (...) Sabe o que não te contam sobre o amor? Você fica obcecado. A maioria das pessoas diriam que sou emocionado, cadelinha ou i****a, talvez até sem amor-próprio, mas eu sei que não sou nada disso, gosto de mim, de quem me tornei, mas com Laura na minha vida eu voltei a ter um objetivo, é fácil desistir de si mesmo quando há apenas você para decepcionar, mas o que ninguém quer admitir é que é muito mais difícil desistir das coisas quando há alguém te observando, Laura sempre foi esse alguém para mim, desde os meus 8 anos, e hoje eu só cheguei à conclusão de que é impossível esquecer alguém que te amou apesar do que você e não por quem você é. Eu a amei Ela me amou. Eu ainda a amo e ela também, e ainda estamos obcecados, e às vezes isso me assusta. A obsessão é tamanha que você esquece coisas básicas como comer, beber, dormir, respirar... a primeira vez que pensei a respeito do mecanismo da respiração foi aos 19 anos num terminal rodoviário, estava lá há quase 11 horas, e enquanto eu observava as chegadas dos ônibus, eu me vi curioso a respeito dessa ação involuntária do meu corpo, fiquei atento a minha respiração, até que aquilo me deixou tão perturbado que parei de respirar, não conseguia fazer isso sem pensar, devo ter feito isso outras vezes e me esqueci, acho que todos já fizeram isso, mas naquele dia eu não conseguia respirar sem pensar no movimento em si e obrigar meu corpo a executá-lo. Demorou meia hora até que me acalmasse e voltasse a respirar novamente sem pensar muito, mais uma hora até que o movimento se tornar involuntário e inconsciente, de lá para cá tive muitas crises, é estranho, de repente tudo está normal aí do nada você foca no movimento dos seus pulmões e não consegue voltar a fazer isso sem que perceba, é como se a nossa consciência se negasse a confiar essa função ao cérebro e aos demais mecanismos que faziam isso sem que ela notasse, será que é isso que chamam de crise de pânico? Ansiedade? Ainda acontece, mas perto de Laura até mesmo respirar se torna fácil e despercebido, voltou a ser um movimento involuntário desde que ela chegou e eu parei de pensar a respeito disso, o meu corpo funciona como uma máquina com manutenção em dia e bem lubrificada, ela me mudou de muitas formas, comecei a ter comportamentos que não tinha antes de ela partir e parei com alguns, poucos, mas havia uma coisa em especial que havia voltado a fazer, uma coisa que não fazia desde os 18 anos, me masturbar. Passei a odiar bater punheta. Foi depois que Laura me deixou, porque só conseguia me aliviar pensando nela e pensar nela sempre arrancava uma camada do meu coração e feria meu orgulho, depois de tanto tempo meu coração estava tão fino quanto uma folha de papel, mas ela estava gravada nele, na frente e no verso, do começo ao fim, no entanto, depois que Laura saiu tive de passar um tempo no banheiro para domar minha ereção o suficiente para sair de casa, era a quarta vez que fazia isso desde que ela chegou, o curioso é que só parei para contar agora. Fiquei tentado a bater na porta da frente e atormentar Laura até que me contasse tudo que eu queria saber, mas isso seria perda de tempo, ela era teimosa e orgulhosa e não falaria nada se realmente não quisesse, tranquei a porta e saí dali antes que mudasse de ideia, desci as escadas correndo até chegar no carro, dirigi pelas ruas em busca dos caras, na pressa eu havia esquecido o celular em casa, mas sabia por instinto onde procurar por eles, estacionei na praça principal perto dos trailers de comida, avistei Biel de longe sentado em uma das mesas rodeado por nossos amigos, saí do carro e atravessei a rua com o sangue latejando nas têmporas, puxei uma cadeira de plástico e acenei brevemente para o dono, nós o conhecíamos a vida toda, sempre passávamos para comer nos sábados à noite, antes ou depois de uma festa, que geralmente acontecia em outra cidade, o horário dependia de como nossa sexta-feira terminava. — Cara, onde é que você se meteu? — Arthur indagou. Não me dei ao trabalho de responder ao me sentar em frente a Biel, um hematoma já começava a aparecer no seu queixo se espalhando pela lateral da mandíbula, o lábio estava inchado, um corte nítido quase no canto na boca, ele deveria colocar gelo nisso, não me sentia culpado e a forma como ele sustentou o meu olhar me dizia que também não estava nem um pouco arrependido, ele parecia ter chegado a mesma conclusão sobre o nosso atrito, pois a boca se curvou num sorriso debochado. — Ele estava mendigando um pouco de atenção pro p*u carente dele. Todos riram, menos eu. Não que houvesse me ofendido ou algo assim, não gostaria que a cidade inteira soubesse que estava atrás de Laura novamente, mas não importava se os meus amigos soubessem, nós sempre zoávamos mutuamente e isso nunca foi motivo de discussão ou de ressentimento entre nós, mas quando eles perceberam que não estava rindo com eles, as risadas pararam e Biel se endireitou, os ombros rígidos enquanto ele adotava um sorriso despreocupado, um que eu sabia que ele usava quando tinha culpa no cartório, cerrei os punhos. — Será que chegou o momento em que me pede desculpas? — Bufei uma risada. — Achei que tivesse sido claro da última vez. — Disse ao me servir com um pouco de Coca-Cola, Biel franziu o cenho confuso e esclareci. — Você mereceu o soco. — Você tinha dito para não a xingar, não falou nada sobre tocá-la. O encarei, eu queria muito socar ele de novo. — Tenho certeza de que deve ter xingado também, mas sobre não tocar... — Beberiquei um pouco do refrigerante para esfriar o meu temperamento, não funcionou. — Não é preciso ter uma placa de "PERIGO, NÃO PULE" num precipício, é uma informação implícita. Te avisar para não tocar na Laura é a mesma coisa. — Sempre tem um doido para se aventurar num precipício. — Ele comentou sorrindo. — É verdade, mas esse ser assume o risco, você se arriscou e pagou o preço. — Ótimo. — Ele bateu uma palma ao se levantar sorrindo de orelha, Arthur e Bruno se entreolharam, ninguém estava entendendo nada. — Então já que estamos resolvidos vou dar uma volta e... — Senta aí, p***a. — Rosnei e ele me encarou, não havia sorriso no seu rosto quando ele se sentou devagar e perguntou. — O que foi que ela disse pra você? — Você já foi mais inteligente, cara. — Seja o que for, não acredite nela, ela é uma v***a mentirosa. Vadia. Meu corpo tremeu. Já estava cansado dessa merda. Me levantei, a cadeira caiu para trás quando me curvei sobre a mesa de plástico e acertei Gabriel novamente, dessa vez no olho, um soco certeiro que fez o sangue escorrer pela lateral do seu rosto. — p**a merda! — Ei! Parem com essa zona no meu trailer! — Desculpe, Betinho. — falei ofegante quando Bruno me segurou, sacudi o braço e Biel se levantou da cadeira e passou a mão no olho, mas não foi o fato de ter tirado sangue do meu melhor amigo que me feriu, foi o olhar acusador dele, o choque em seu rosto, já havíamos brigado antes, mas nunca por uma garota e nunca foi de verdade. — Você tá comendo na mão dela... de novo. — Ele soltou uma risada amarga quando viu a mão suja de sangue. — Sabe, estou quase torcendo pra dar certo, pra vocês ficarem juntos de novo só para ver tudo indo pro c*****o no final, sabe por quê? Antes que Arthur o segurasse ele rodeou a mesa e parou na minha frente quase grudando em mim, não me intimidei, ele era rápido, mas eu também era e tinha alguns quilos de músculos a mais que ele. — Porque não tem final feliz pra vocês, seu i****a do c*****o. — Ele rosnou. — Não há forma disso dar certo. Não percebeu? — Isso não depende de você, nem de ninguém além de nós. — Ah, mas quem disse que serão os outros que vão fuder tudo? — Do que é que você está falando? — A sua preciosa Laura estava comigo naquela noite. — Confessou e pude ver a satisfação no seu rosto conforme eu entendia a que noite ele se referia. O meu estômago se revirou, agarrei a sua camisa, ele me acertou no queixo, mas m*l senti o soco quando o ergui até que ele estivesse na altura do meu rosto. — O quê? — Ah... você não sabia? — Zombou. — Naquela noite não era a Karen que estava comigo no terreno abandonado, era a Laura. — Não. — Balancei a cabeça, ela teria me contado, p***a. — E advinha só, não fui eu quem disse à polícia que você havia planejado tudo. Meu cérebro parou e simplesmente esqueceu de mandar os meus pulmões respirarem, de novo, sorri amargurado, algumas coisas não mudam, eu te avisei, ela disse Ela avisou mesmo, sempre deixou claro que era egoísta e que sempre escolheria a si mesma, e ela escolheu. Laura me dedurou. Essa era uma daquelas regras não verbais entre nós, não seja dedo duro, mas ela nunca fez parte disso de qualquer forma, ela me entregou. A decepção me atingiu como uma bola de demolição, soltei Biel devagar, as vozes dos meus amigos eram apenas ecos distantes, olhei pro carro do outro lado da rua, dividido entre ouvir o resto da história de Gabriel ou ir até o apartamento e tirar isso a limpo com Laura, dividido entre continuar na ignorância ou ter o meu coração rasgado em mil pedacinhos por ela, era a última camada de um órgão gasto, ele já fora usado e rasgado, mas ela pode fazer o que quiser com ele, não é? Sempre foi dela mesmo, o que ela poderia me dizer que seria pior do que dez anos de abandono e desprezo? Nada, p***a. Não havia mais nada. E eu iria saber de tudo, Tim-Tim por Tim-Tim. Me livrei dos braços que tentaram me segurar, mas eu era o maior que eles três e habilidoso o suficiente para me afastar de marcadores do meu tamanho e de zagueiros até mesmo maiores, praticamente arranquei em direção à rua e quase fui atropelado por um carro, levantei a mão num pedido de desculpas, entrei no carro e dei partida, saí cantando pneu, precisava chegar em casa, iria pular a porcaria da janela dela se necessário, arrombaria a p***a da porta, mas hoje eu saberia de tudo. Hoje ela não me escapa. Hoje Laura vai me dizer por que foi embora e porque me deixou ser acusado de um crime que não cometi, não que não quisesse cometer, planejei tudo, era um bom e era mais do que merecido, mas há uma diferença entre ser acusado de algo que fez e de algo que não fez, e tudo só deu errado porque ela interferiu, agora sei que foi ela porque foi Laura quem se escondeu nas sombras naquela noite.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR