O preço do segredo

1013 Palavras
NARRAÇÃO DE KAITO... Quanto mais nos arriscamos, mais perigoso fica. Minha alma parecia congelar. Bastou escutar três batidas na porta, em seguida a voz tão temida de Dom Dawson. Porra… eu estava de p*u duro! Sua filha me beijava e rebolava em meu colo com desejo. Depois que Bela se escondeu debaixo da cama, precisei destrancar a porta e correr de volta para a cama. Sentei e escondi o volume da minha calça. Porém, o susto foi trocado pelo alívio… Dom Dawson reconheceu um erro do passado. Ele é um bom homem. Horas antes, eu saí do banho e retornei para o seu escritório. Ficamos conversando, e ele me contou em detalhes sobre o seu passado: o quanto ficou depressivo após uma traição, o quanto foi difícil confiar novamente, o quanto foi difícil aceitar outra mulher em sua vida. Acho que esse assunto o fez repensar ainda mais, a ponto de perder o sono… Eu nunca torci tanto para ele enviar uma carta destinada ao meu pai. Pedir desculpas talvez seja o primeiro passo para quebrarem a mágoa, a inimizade de décadas. Assim que ele saiu, Bela ficou nervosa, espirrava. Ela fica fofa até espirrando… A ponta do seu nariz fica vermelha, e o som do seu espirro é comparado ao de um ratinho de desenho animado. Bela riu, tocando em seu nariz. — Preciso ir, a alergia atacou — ela passou por mim, mas segurei em sua mão. Ela olhou-me contendo o riso. — Eu ainda não te fiz esse pedido… Aceita namorar comigo, Bela? Mesmo que, a princípio, seja escondido? Ela riu, corou, se aproximou e depositou um selinho em meus lábios. — Aceito mesmo… Papai que lute. Ri alto. Precisei tampar a boca para abafar o som. Novamente ela espirrou aos risos, depois se despediu. Quando fiquei sozinho, deitei na cama pensando em meu pai. O sorriso sumiu, e a preocupação se fez presente… O resultado foi a insônia. Fiquei acordado até o céu clarear. Naquela manhã, a neve caía ainda mais forte. Olhei pela janela, o inverno finalmente se apresentou. Era cedo demais, todos dormiam. Então decidi deixar um recado em um papel sobre a cama. Eu só queria voltar logo para o hospital. Saí da mansão, andei a pé por alguns minutos, depois liguei para um dos seguranças me buscar. O frio cortante daquela manhã era como um castigo por tudo o que estava fazendo. Havia mais de vinte chamadas perdidas da minha mãe. Eu não tinha visto. Sei que estarei encrencado com ela. Ao chegar ao hospital, pedi para os médicos me levarem até o meu pai. Quando abri a porta, meu semblante caiu. Minha mãe estava segurando a mão do meu pai, acordado. Ambos me encararam com uma decepção estampada. E, mesmo que estivessem irritados comigo, no fundo do meu coração senti alívio por ver meu pai acordado. — Pai… — Kaito, você passou dos limites! — minha mãe falou. As lágrimas começavam a se formar, juntou as sobrancelhas em negação. — Desde quando se tornou um adolescente irresponsável? Tem ideia do que seu pai passou? Do que eu passei a noite toda?! Respirei fundo, sem coragem de responder, pois o que eles não imaginam é que eu sei exatamente o que meu pai passou. Abaixei a cabeça. — Me perdoem… Minha mãe soltou uma lufada, lutando para não chorar. Meu pai apenas me encarava, sério. — Querida, me deixe conversar com ele — meu pai falou firme. Minha mãe se levantou e passou por mim, deixando-me a sós com meu pai. — Onde você estava? — perguntou com a voz fraca. Tocou a costela, sentindo dor. — Na casa de uma colega. É a novata. Como tinha um trabalho para fazer juntos, ela insistiu, pois é muito nerd e não queria fazer o trabalho sozinha. — Em pleno tornado? — Quando cheguei lá, não havia tornado. Aconteceu muito rápido, e eles me abrigaram… — Quero conhecer essa amiga nerd. Desde quando falou dela, você mudou… Anda mais distante, aparece em casa apenas para dormir. — Pai, ela não é o motivo de nada… Foi apenas… — Quero saber quem é, Kaito! Respirei fundo, tentando pensar rápido. — Ela está fazendo intercâmbio, não me lembro de qual país veio. Ela comentou, mas eu me esqueci. O nome dela é Brenda. — Ótimo, Brenda. Convide-a para um almoço em nossa mansão. Se, por acaso, ela for o motivo da sua rebeldia, eu quero que essa amizade seja interrompida. — Ela não é o motivo! Pelo contrário, ela tem mais juízo do que eu… Não entendia por que meu coração batia forte. Senti um profundo aperto. Então entendi: bastou sentir a ameaça de proibir de ficar próximo dela. O médico entrou no quarto e avisou sobre a alta do meu pai. Eu o ajudei a se levantar. Mesmo com alta, ele sentia dor na costela, então resmungou tocando na ferida. — Quero saber quem me ajudou… Eu me recordo apenas do meu carro saindo da pista pela força do vento, bateu na árvore e tudo se apagou… Suei frio, apoiando seu braço em meus ombros. Preferi manter o silêncio. Na saída do hospital, minha mãe ainda me reprovava com o olhar, braços cruzados, segurando sua bolsa. Ajudei meu pai a entrar no carro, depois a olhei. — Mãe, me perdoe… — Você não imagina como me fez chorar, Kaito. Entre no carro e não fale nada. Agora eu não quero falar com você. Obedeci, constrangido. O clima dentro do carro era tenso. Procurei encarar os flocos de neve caindo sobre o painel do carro. Uma ótima distração… O silêncio era pior do que receber um tapa. Ao chegarmos em nossa propriedade, o clima ficou ainda mais tenso. Ajudei meu pai, andando ao seu lado, apoiando seu braço em mim. Então o mordomo abriu a porta, nos cumprimentou e depois estendeu uma carta destinada ao meu pai. — Dom Louis, enviaram esta carta ao senhor… Meu coração disparou quando ele a pegou. Eu estava mais ansioso do que ele. Eu sabia: só podia ter sido enviada por Dom Dawson.
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