Escondidos no escuro

1016 Palavras
NARRAÇÃO DE BELA... Ok... Kaito sofreu, tadinho, ficou muito assustado, e não o julgo. Pois, se meu pai estivesse ferido, eu teria a mesma reação. E com todo esse caos — tornado, acidente, meu pai — nem mesmo deu pra curtir o que fizemos... Assumo, eu sou muito... intensa. Talvez essa seja a palavra. Sou curiosa e quero mais. Esperei a vida toda por um beijo, e foi tão rápido... só dez minutos dentro da biblioteca. Por isso deixei um aviso para ele. Quero entrar em seu quarto quando todos estiverem dormindo. E como o temporal havia se acalmado um pouco, aguardei meu pai falar com Kaito. Fui até o meu quarto, procurei um vestido de pijama. Sob o reflexo da janela, pude ver as primeiras partículas de neve caindo. Me apressei, abri a janela decepcionada. O tornado adiantou o inverno... Enquanto meu semblante estava caído, percebi Julie entrar no quarto. Parou ao meu lado. Diferente de mim, ela abriu um sorriso largo, esticou seu braço e abriu a mão, esperando um floco de neve cair na palma da sua mão. — Eu vou sentir falta do calor... — resmunguei. — Já eu não... Podemos fazer um boneco de neve juntas. — Aah, Julie, eu não sou mais criança. — Desde quando precisa ser criança pra montar um boneco de neve? — Julie entortou o cenho ao me encarar. Segurei o riso. — Eu não sou mais criança, pois pela primeira vez beijei na boca. Julie parou de sorrir, arregalou os olhos, quase que desacreditada. — Você não fez isso, Bela! — Aah, não foi nada demais. Você deveria fazer isso com alguém. Julie tampou minha boca aos risos. Depois fitou a porta. — Pare de falar isso... Eu não quero estar na sua pele quando nosso pai souber de toda a verdade. Retirei sua mão da minha boca. — Vai dar tudo certo... Agora vai logo! Eu preciso descansar. Praticamente empurrei Julie do meu quarto. Eu só queria fazer hora o suficiente para invadir o quarto do Kaito. Assim eu fiz. Já estava tarde. Aguardei pacientemente, deitada na cama, escondida sob os cobertores. Eu conheço os passos do meu pai de cor e salteado. Antes de dormir, ele sempre entra em nosso quarto em silêncio, deposita um beijo na testa, mesmo quando finjo que estou dormindo. Naquela noite não foi diferente... Ele entrou no quarto, caminhou até mim. Acariciou meus cabelos, senti ele me fitar enquanto dormia. Sentou do meu lado. Aah, eu odeio fingir que estou dormindo quando ele faz isso, pois sinto vontade de rir... Finalmente, ele beijou minha testa e sussurrou ao dar boa noite. Meu coração parecia sair do peito. Podia escutá-lo bater alto enquanto ele saía do quarto. Aguardei mais alguns minutos, impaciente. O corredor ficou silencioso. Então me levantei, coloquei os pés no chão com todo cuidado. Saí do quarto na ponta dos pés, segurando a bainha do vestido, secando os dedos que insistiam em suar. O quarto de hóspedes não era tão distante. Ao me aproximar da maçaneta, girei lentamente. Segurei o riso quando abri. Mas o sorriso morreu ao ver Kaito usando apenas uma calça de moletom. Os gomos do seu abdômen brilhavam com a luz da noite. Ele me encarava, pressionando a mandíbula, marcando seus traços. Entrei e tranquei a porta com os dedos suados. Caminhei até a cama e subi. Ele se aproximou e me puxou, fazendo-me ficar sentada em seu colo. Acariciava minha cintura, olhando dentro dos meus olhos. — Você está melhor? — perguntei com a voz mais baixa que pude. Ele sorriu e confirmou. Mas, sem dizer uma única palavra, se aproximou e beijou minha boca. Mergulhei meus dedos em seus cabelos. Suguei sua língua. Sua respiração quente me esquentava naquela noite fria. Acariciava seus cabelos, pescoço, passava as unhas levemente sob seus ombros. Ele estremeceu, parou de me beijar e me olhou sedento. — Precisamos resolver os problemas deles logo, pois não quero continuar mentindo para o seu pai. Eu quero pedir a permissão pra namorar com você, Bela... — ri baixo. — Ele não vai deixar, então é melhor namorar escondido até a nossa maioridade. Tornei a beijá-lo com mais sede. Ele me puxou, enfiando toda sua língua em minha boca. Novamente senti aquele volume em suas calças, que com facilidade me fazia sentir um frio e t***o em meu ventre. Rebolei, mesmo sentindo o atrito das nossas roupas. Ele gemeu baixinho. É gostoso dar amasso em uma noite de inverno. Acho que estou começando a mudar a percepção do tempo frio... Mas então paramos de nos beijar. Bastou escutar a porta bater três vezes. A voz do meu pai me fez perder o ar. — Seo-Jun, está acordado? Kaito arregalou os olhos para mim. Depois encarou debaixo da cama. Saí do seu colo desesperada, me escondi debaixo da cama, tampei a boca, evitando fazer qualquer barulho. Escutei os passos de Kaito. Ele destrancou a porta e voltou rapidamente para a cama. Quando sentou, senti partículas de poeira caírem sobre o meu rosto. Tenho rinite... Tampei o nariz pra não espirrar. Ao menos meu pai não entrou. Apenas abriu a porta, segurando a maçaneta. Só pude ver seus sapatos de dormir. — Eu estava quase dormindo... — Kaito respondeu. — Desculpe, não queria incomodar. Mas acabei perdendo o sono após aquela conversa. Eu nunca parei pra refletir sobre aquele passado. Pensando bem... acho que eu possa ter feito uma grande besteira. Afinal, Josh nunca foi um amigo verdadeiro. Agora minha consciência pesou. E se eu machuquei Dom Louis na escola injustamente? Apertei meu nariz com mais força... Meu Deus, muita vontade de espirrar... — Tenta se desculpar com ele, mesmo que seja por uma carta escrita, caso não queiram se falar — Kaito aconselhou. — Eu vou pensar... Mas, novamente, agradeço pelos conselhos. Agora vou deixar você dormir. Meu pai riu, deu boa noite e fechou a porta. Kaito se apressou e a trancou, contendo o riso. Saí debaixo da cama, soltei o nariz e finalmente espirrei. Kaito gargalhou baixo, pedindo silêncio. Acho que vou voltar para o meu quarto.
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