NARRAÇÃO DE BELA...
Eu não fui a única a matar aula. Pensei que eu era a ovelha n***a da família Dawson, mas descobri que Lucas também faz isso…
Por isso ele não estava presente quando fui hostilizada na escola.
O encontrei na saída da escola, de cabelos molhados, abraçado à Emma. Pareciam ter feito as pazes, pelo olhar dela pra mim. Já não sentia mais ciúmes. Ela sorriu ao se aproximar e estendeu sua mão em forma de cumprimento.
— Oi, eu me chamo Emma. — Sorriu. Apertei sua mão com firmeza.
— E eu, Bela. Finalmente o Lucas falou de mim… — Ela sorriu constrangida e lançou um olhar de reprovação para o meu primo.
— Pois é… Não custava nada me apresentar. Eu confesso que não sabia da relação que vocês tinham, não imaginava se tratar de uma prima que cresceu com ele como irmã. — Ri. Também julguei Lucas, que coçava a cabeça constrangido.
— Ele é complicado… — falei, suspirando. Pensei bem e senti que não era o momento certo para desabafar sobre os ataques que recebi. Afinal, Kaito já havia me defendido.
Lucas suspirou ao colocar as mãos no bolso.
— Vamos? Quero apresentar a Emma para os meus pais…
Sorri animada. Pelos cabelos molhados dos dois… terminou em sexo e agora querem se assumir.
Fiquei em silêncio, segurando o riso. Nunca vi Lucas levar garota alguma para apresentar aos pais. Segurei o riso ainda mais quando ele dirigia com uma mão no volante e a outra segurando a mão dela. Achei fofo… Lucas tem sorte que o carro é automático, assim não precisa soltar a mão dela em momento algum.
Eu me sentia como uma vela, mas precisei interromper. Desabafei sobre o que eu e Kaito queríamos fazer. Senti confiança neles, pois Emma não se junta com as patricinhas invejosas. Ela é discreta, e acho que por isso Lucas se encantou por ela. Em determinado momento, ele comentou que ela havia desabafado sobre o quanto aquelas garotas eram venenosas.
Claro que ela ficou eufórica.
Já Lucas me encarou como se estivesse assistindo ao meu próprio velório, pois certamente papai iria me matar junto com Kaito. Mas ele não é Kaito, e sim Seo-Jun. Ao menos ele respeitou meu pedido de discrição.
Ao chegarmos à mansão, Lucas foi direto chamando toda a família para uma reunião na sala de estar, durante um café. Eu já imaginava o que viria…
Emma sorria constrangida, abraçando o próprio braço, claramente nervosa. Julie estava encostada na porta, de braços cruzados, tensa. Em breve irei conversar com ela…
Então Lucas anunciou o namoro com Emma. Tio Stefan, é claro, comemorou como se estivesse assistindo a um jogo de futebol. Tia Evelyn chorou e sorriu, dizendo que o bebê dela havia crescido.
Após toda a comemoração, vi meu pai subir as escadas, retornando ao escritório. Fui atrás, ansiosa, mesmo sentindo algo gritar na minha cabeça:
“Não faça isso.”
Mas, ao mesmo tempo, outra voz gritava:
“Faça. Descubra a verdade.”
Quando ele entrou no escritório, se assustou ao me ver logo atrás.
— Bela, pelo menos avise quando estiver me seguindo…
— Desculpa, pai… — Sentei na poltrona e sorri em silêncio, encarando-o. Balancei meus pés lentamente, fazendo a cadeira giratória se mover. Ele sentiu o desconforto; sabia que eu tinha algo a falar.
Ele perguntou como foi a aula. Apenas sorri e menti, dizendo que foi melhor do que ontem.
Aproveitei a deixa:
— Papai, hoje temos trabalho de casa em dupla. — Me levantei e sorri, entrelaçando os dedos atrás das costas.
Ele, como sempre, me encarou desconfiado, ajeitando a gravata vermelha.
— Não já tiveram ontem, Bela?! Todo dia é um trabalho?!
Suspirei, planejando falar com seriedade.
— Sim. Ontem foi em grupo, mas hoje o professor de História pediu um trabalho em dupla. Eu queria fazer dupla com o Lucas, mas ele escolheu a nova namorada. Então eu escolhi um coreano excluído… Escolhi porque, coitado, fala pouco, vive escondido no fundo da sala, ninguém fala com ele. Tem maior cara de nerd, nem sei se fala bem o nosso idioma… É triste, pai. Por isso escolhi ele! Vou ajudar a treinar o idioma. Pra ele, é de outro mundo! — Sorri empolgada, com o peito estufado.
Mas ele me encarou nervoso.
— E que coreano é esse? Qual o nome??
Suspirei, pensativa. Estava na ponta da língua… Ele falou, mas eu esqueci. Droga.
— Fala, Bela! — meu pai pressionou.
Meu cérebro funciona melhor sob pressão, pois lembrei na hora.
— Seo-Jun. Ele nem fala comigo, só come kimchi… — Sorri, com o coração disparado.
Ele me analisou, mas foi se acalmando.
— Ele chega que horas?
— Daqui a pouco, eu acho…
— Bela, você inventa cada uma! — esfregou as mãos no rosto, irritado.
Esperei ele sair do escritório. Me peguei rindo sozinha, mas o riso morreu quando lembrei da verdade. Deu até embrulho no estômago.
Kaito precisa ser como um coreano… A cara já ajuda. Ele só precisa ser mais… coreano, Jesus.
Em poucas horas, já havia tomado banho e colocado um vestido lindo e curto, mas, é claro, papai mandou eu me trocar. Exigiu calça jeans e blusa sem decote.
Respeitei na base do ódio.
Estou atraída pelo Kaito… Ele é gostosinho de abraçar.
Pouco tempo depois, a campainha tocou. Meu pai é tão ciumento que abriu a porta antes do mordomo.
Fui atrás dele, nervosa, ansiosa pra vê-lo.
Mas a cena à minha frente quase me fez rir.
Kaito usava um suéter horrendo, de pelos, verde como abacate maduro; óculos de grau escondendo sua beleza; calça larga e cropped.
CROPPED AZUL-MARINHO.
Meu sorriso sumiu. Estranhei. Não precisava aparecer tão bizarro.
Já meu pai sorriu ao abrir mais a porta.
— Seja bem-vindo, Seo-Jun.
Kaito sorriu de lado. Mesmo arrumado como um nerd, continuava lindo e charmoso. Ele se reverenciou, como os coreanos fazem antes de entrar.
Já amei.