Arturo A sede dos Vultures, naquela noite, parecia um santuário profano. Luzes baixas. Silêncio de respiração contida. Nenhuma música. Nenhuma risada. Apenas tensão — aquela que se espalha pelas paredes feito veneno. Krane estava amarrado à velha cadeira de ferro da sala do conselho. Aquela que o próprio press mandou construir quando assumiu o cargo. Ela só era usada em casos extremos. Traidores. Espiões. Homens que esqueceram o que significava usar aquele colete. Agora, um dos nossos estava sentado nela. — Amarra direito — ordenei a Toro, sem tirar os olhos de Krane. Ele já estava com o rosto machucado desde o galpão. Mas o que mais me incomodava era o olhar dele. Calmo. Irônico. Como se ainda estivesse no controle. — Ninguém encosta nele até a gente saber o que precisa saber —

