O Dia seguinte começou normalmente, eu e o Alex nos acordamos e fomos tomar café da manhã, ontem havíamos ficado acordados até tarde da noite então acordamos um pouco em cima da hora.
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03 de Março, 10:36
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- Eai? Já pensou como você vai deixar essa caneta lá sem que ninguém perceba que sumiu? – Alex me perguntou enquanto comia.
- Na verdade, não, mas eu vou pensar em alguma coisa. – Falei.
Vimos a Emilly vindo da direção da cozinha, com um prato de comida na mão e uma expressão de sono.
- Oi. – Falou ela chegando e se sentando em uma cadeira ao meu lado.
Ela começou a comer e não falou muito.
Nós sabemos que ela fica assim quando está com sono então não questionamos nada.
- Já devolveu a caneta? – Perguntou ela depois de muito tempo calada.
Balancei minha cabeça dizendo que não.
Por mais calmo que parecesse que eu estava sobre o assunto, eu estava zero calmo, não fazia a mínima ideia de como fazer aquilo e me julgava a todo momento por ter pego essa caneta.
- Relaxa cara, a gente da um jeito. – Falou Alex colocando a mão no meu ombro, como se lesse meus pensamentos.
Nós continuamos comendo e conversando até a Senhora Williams aparecer na sala de jantar.
- Atenção todos! Eu não irei repetir e não tenho tempo a perder com vocês então calem a boca! – Falou a Senhora Williams grosseiramente. – O Senhor Alberto estará aqui hoje, então, fiquem no mínimo decentes.
Antes dela sair, ela olhou para mim, aquele olhar arrepiou minha espinha, aquele olhar me fez desconfiar que ela sabia...
Eu abaixei minha cabeça rapidamente, por que eu não usei um pouco do meu cérebro alguma vez na vida?
Depois que ela foi embora o murmurinho começou na Sala de Jantar.
- O Senhor Alberto? – Falou Alex. – Faz muito tempo que não vejo ele!
- Muito menos eu, quando vi ele para a ultima vez eu tinha 7 anos! – Falou Emilly.
Eu não prestei muita atenção no que eles falavam, eu ainda estava preocupado com a caneta.
- Eu vou para o quarto. – Falei me levantando e indo embora sem esperar nenhum tipo de resposta vindo deles.
Chegando no quarto, levantei meu colchão e peguei a caneta.
- O que eu faço com você? – Falei baixo.
Logo me ocorreu uma ideia.
Guardei a caneta em meu bolso e me levantei de minha cama.
- Vamos lá. – Cochichei.
Olhei para os lados para checar se ninguém vinha e comecei a vasculhar as maletas de todos, a procura de algo que pudesse me ajudar.
Vasculhando a maleta do Fred, achei uma agenda pequena, igual a que todos nós tínhamos, aquilo era perfeito.
Abri a agenda em uma página aleatória e coloquei a caneta dentro.
Depois disso saí discretamente pelo corredor e fui para a secretaria.
Chegando lá, bati na porta e abri.
- Com licença Senhora Williams. – Falei chegando perto da escrivaninha.
Agora que meu plano iniciava.
- O que você quer Matheus? – Perguntou ela, não prestando muita atenção em mim e continuando a olhar para uns papéis que tinha em sua mesa.
- Eu encontrei essa agenda aqui, no chão, não sei de quem é, achei melhor trazer para a senhora. – Falei.
- Ora, abra a agenda e descubra o nome da pessoa, simples. – Falou ela, ainda sem prestar atenção.
Isso era tudo que eu precisava.
Eu abri a agenda na página que a caneta estava, a fazendo cair em meu pé, o sapato amorteceu a queda então não fez nenhum barulho.
Enquanto eu folheava a agenda para chegar ao inicio dela, eu discretamente empurrava a caneta para baixo da escrivaninha dela.
- Aqui, achei, é do Fred. – Falei.
- Então entregue para ele e saia da minha sala. – Ela falou.
- Tudo bem senhora Williams! – Nesse meio tempo a caneta já estava embaixo da escrivaninha então eu saí da sala.
Eu fui correndo para o nosso quarto e deixei a agenda do Fred em cima de sua cama.
Depois de um tempo ele apareceu no quarto.
- Oi Fred! Eu deixei sua agenda em cima da sua cama por que eu encontrei ela largada aqui no chão do quarto e vi que era sua! – Falei para ele.
- Ah, valeu Matheus, eu sou muito desatento com essas coisas! – Ele falou e guardou a agenda.
Um tempo depois ele saiu de dentro do quarto e eu pude comemorar.
- Eu sou um gênio! – Falei comigo mesmo.
- Matheus! – Ouvi uma voz me chamando na porta.
Eram Emilly e Alex.
- Onde você estava? Nós reviramos esse lugar de cabeça para baixo e não te achamos! – Falou Alex.
- Eu estava devolvendo a caneta! – Falei Sorrindo.
Eles se olharam incrédulos.
- Você conseguiu devolver? – Emilly me perguntou.
- Claro! – Respondi.
- Espera um minuto, explica direito. – Falou Alex.
Eu expliquei tudo para eles, que prestaram bastante atenção na história.
- Você sabe que isso foi extremamente arriscado não é? – Perguntou Emilly.
- Claro que sei, mas vocês tinham alguma outra ideia? – Falei.
Eles se olharam e depois balançaram a cabeça dizendo que não.
- Mas isso poderia dar muito errado! – Falou o Alex.
- É gente, mas não deu! A ideia é que ela pense que ela derrubou na hora de por na gaveta e esqueceu de por de volta, simples! – Respondi.
- Eu não sei não.... – Falou Alex.
- Pelo amor de deus, vocês são muito pessimistas. – Falei revirando os olhos.
- Enfim, o importante é que você entregou e em teoria está tudo bem, mas você esqueceu que o Senhor Alberto vai estar aqui hoje? – Falou a Emilly.
Eu parei para reparar e eles já estavam bem vestidos.
O Alex com um terno e a Emilly com um vestido preto azulado.
- Meu deus eu esqueci completamente! – Falei e me levantei rápido. – Depois vejo vocês.Fi
Peguei minha roupa e corri para o banheiro, para eu tomar banho o mais rápido possível antes que o Senhor Alberto Chegasse.
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12:50
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Depois que me vesti fui para o Salão de entrada.
Cheguei lá e encontrei a Emilly e o Alex e fui para o lado deles.
- Cheguei. – Falei cochichando.
- Finalmente! – Cochichou Alex.
Ficamos conversando um pouco enquanto esperávamos o Senhor Alberto.
Até que ouvimos uma batida na porta.
Logo a senhora Williams abriu um sorriso e foi em direção da porta para abri-la.
Quando ela abriu a porta, muitos se esgueiraram para ver para fora.
Tem um ponto que eu não falei.
Nós somos restritamente proibidos de ir para o lado de fora do Orfanato, não podemos ver nada fora daqui.
A única visão que temos do “lado de fora” são pelas janelas, que dão para um muro enorme que o Orfanato tem para a nossa segurança.
O único lugar que temos uma visão do mundo de verdade é pela porta de entrada, que não podemos abrir.
Nós fazemos tudo aqui, temos educação aqui e tudo mais.
Eu já ouvi uma história, de muito tempo atrás, de uma pessoa que quis sair aqui do orfanato, e recebeu a ameaça de que se saísse não voltaria.
Eu nunca achei isso r**m, afinal, desde sempre foi assim, então para mim não muda nada.
Por mais que nós nunca tenhamos saído para o mundo, nós conhecemos ele muito bem, aqui eles nos dão um lar, que lá fora nós não teríamos, eles querem nossa segurança.
A visão que tentamos ter do lado foi barrada por uma pessoa.
Um homem de aparentemente uns 70 anos, grisalho, usava um monóculo e um terno, esse era o Senhor Alberto.
- Olá crianças! – Falou o velho homem.
- Olá senhor Alberto! – Todos responderam em uníssono.
- Vejo que todos estão muito bem cuidados e receptivos! Faz muito tempo que não venho aqui não é mesmo? – Falou o Senhor Alberto falando conosco.
Ele começou a conversar com todos, ele é um homem bom, ele é quase um avô para todos.
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13:05
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- Crianças! O Senhor Alberto irá contar a trajetória dele para vocês, portanto vão para o auditório as 15:00, por agora ele vai descansar da viagem, já que ele veio de muito longe! – Falou Senhora Williams sorrindo e pela primeira vez sem tom de desprezo na voz.
Todos começaram a dispersar.
Para falar bem a verdade, nesse meio tempo eu não prestei atenção no Senhor Alberto, eu estava procurando a Julia, novamente ela não estava ali, mas por que ela não estaria em um evento tão importante? Talvez eu devesse ir perguntar a Amelie.
Me despedi da Emilly e do Alex e fui procurar a Amelie.
Depois de uns 15 minutos, finalmente encontrei a Amelie, que estava conversando com outra garota.
- Amelie! – Falei chegando perto dela. – Desculpa atrapalhar a conversa de vocês duas.
- Ah, oi Matheus! Pode falar! – Ela se virou para mim.
- Então, você viu a Julia hoje? Eu estranhei quando vi que ela não estava lá no salão principal esperando o Senhor Alberto. – Perguntei.
A Amelie e a outra garota se olharam e deram umas risadinhas.
- A Julia teve uma tontura hoje pela parte da manhã, agora ela deve estar repousando na enfermaria! – Falou a Amelie se virando de volta para mim.
- Ah, obrigado Amelie, te vejo por ai! – Falei.
Quando eu ia saindo a Amelie se virou de volta para a outra garota e eu reparei em seu cabelo, que estava sem laço e parei.
Me lembrei do laço dela na gaveta da Senhora Williams e infelizmente a minha curiosidade foi mais forte que eu.
- Amelie! – Falei me virando.
- Oi Matheus! – Ela respondeu.
- Desculpa a pergunta, mas por que você está sem laço hoje? Não quero ser insensível, só estou curioso, você nunca ficou sem laço. – Sorri enquanto falava.
- Ah, meu laço? – Falou ela olhando no fundo dos meus olhos.
- Eu guardei ele hoje, quis dar uma mudada. – Ela falou sorrindo, com uma expressão feliz.
Sua expressão feliz mudou rapidamente para um rosto de medo, um olhar vazio e depois para feliz de novo.
- Na verdade, perdi ele! Sou muito desatenta! – Ela riu.
- Ah.. Entendi, eu vou indo tudo bem? – Aquela mudança repentina de humor me deixou com medo, mas tentei parecer o mais natural possível.
Ela acenou para mim e eu fui embora.
Passei pelo corredor e fui diretamente para o corredor da enfermaria.
Sei que não é da minha conta, mas eu estava preocupado com a Julia, queria saber se ela estava bem.
Chegando na porta da enfermaria, que tinha um pequeno vidro para ver o lado de dentro, vi que não tinha ninguém então entrei.
Vi a Julia em uma das macas, ela estava dormindo.
Mas ela não parecia bem, sua expressão mesmo dormindo, estava preocupada ou com medo, eu não sabia identificar.
Será algum pesadelo? Me perguntei.
Seu lençol estava jogado no chão, ela se mexeu tanto para ter caído no chão?
Me ajoelhei e peguei o lençol do chão e comecei a cobri-la.
Antes de chegar o lençol em sua cintura, eu notei que havia algo no bolso de sua calça.
Peguei discretamente e vi que era um papel.
Abri o papel para ler e tinha algumas coisas escritas, com uma tinta vermelha..
- A Caneta.... – Cochichei.
Olhei para a Julia e comecei a ler o papel.
“ O Efeito começou a passar, eu preciso arrumar um jeito de fugir pois ela está vindo, hoje é meu dia.
Eu sei e Eles sabem que eu sei.
Eu preciso sair daqui.”
O Papel não fazia o mínimo de sentido para mim, mas decidi guarda-lo, talvez fosse importante.
Terminei de cobrir a Julia e saí da Enfermaria.
Saindo da enfermaria eu ouvi vozes, elas estavam longe, mas quanto mais eu andava para frente mais alto as vozes ficavam.
Até eu chegar na esquina de um corredor, eu espreitei e vi a Senhora Williams e o Senhor Alberto conversando, até eu começar a prestar atenção.
- Depois de muitos anos, eu acho que finalmente iniciaremos a fase 2, você sabe, pegue o livro na ala de funcionários da biblioteca, C 12 – O Senhor Alberto falou.
C 12? Do que eles estão falando?
- O Seu pai estaria orgulhoso senhor. – Falou a Senhora Williams. – Mas o senhor não me respondeu, o que eu faço com eles?
- Você realmente acha que essas três crianças são uma ameaça? – Perguntou o Senhor Alberto.
- Sim senhor, ontem eu encontrei os três fora da cama, dois vinham da direção da secretaria e uma estava acobertando eles. – Falou Senhora Williams.
- Mas no que isso é r**m para nós? – Perguntou o Senhor Alberto.
- Enquanto as duas garotas se debatiam tentando sair, dois itens que elas levavam caíram, eu os peguei e guardei em minha sala, logo após eu encontrar os dois garotos fora da cama, uma das coisas sumiram. – Falou ela. – E coincidentemente hoje o garoto Matheus, que eu acredito ser a cabeça da operação, veio me deixar um caderno que haviam perdido, mas ele realmente achou que eu não havia visto ele derrubando a coisa que sumiu para parecer que eu havia perdido. –
Minha garganta deu um nó, então ela sabia, mas por que não fui punido?
- O Garoto é esperto não é? – Falou o Senhor Alberto. – Realmente precisamos tomar mais cuidado, porém não podemos precipitar as coisas, se as crianças voltarem a morrer as coisas vão voltar a dar errado, vamos um passo por cada vez.
Morrer? Do que eles estão falando?
Ele olhou diretamente para minha direção.
Eu parei de espreitar e tentei fingir que eu não estava ali mas não adiantou.
Comecei a ouvir passos vindo em minha direção, então não pensei em outra coisa além de correr.
Tentei correr o mais discretamente possível.
Não sei se ela me viu mas decidi ir para o auditório logo.
Quando eu cheguei, procurei a Emilly e o Alex, mais em cima vi eles sentados em umas cadeiras.
Corri e me sentei ao lado deles, eu estava ofegante.
Eles me olharam surpresos e eu só fiquei calado tentando respirar.
Quando me acalmei eles me perguntaram o que aconteceu.
- Eu ouvi, a Senhora Williams falando com o Senhor Alberto. – Falei.
- Tudo bem, mas o que te deixou assim? – Perguntou a Emilly preocupada.
- Ela sabe! – Eu falei. – Ela sabe de tudo, ela sabe que a gente esteve na Secretaria, ela sabe que eu peguei a caneta, ela sabe que eu tentei enganar ela!
Nós estávamos falando meio baixo, para que ninguém ouvir nada.
- Não é possível! Você falou que ela nem olhou para você, como ela viu? – Perguntou Alex.
- Eu não sei Alex, mas não sei o que fazer agora! – Falei.
O Desespero começou a me consumir.
- E depois disso eles ainda começaram com uma conversa estranha de remédio, crianças morrendo e... – Comecei a falar.
- Crianças morrendo? – Falaram Emilly e Alex juntos.
- Eu não sei do que eles estavam falando! – Falei. – E Eles falaram de uma tal fase 2 e um livro e C 12
- Do que você está falando? – Perguntou Emilly. – Nada do que você está falando faz sentido!
- Tudo bem, calma.. – Respirei fundo. – Ele falou que finalmente ia começar a Fase 2, e que era para a Senhora Williams pegar o livro na área de funcionários na biblioteca, e logo depois falou C 12.
- Ok isso é muito bizarro... – Falou Alex.
Fomos interrompidos quando o Senhor Alberto entrou na sala.
- Olá crianças! – Falou o Senhor Alberto se sentando na cadeira que tinha para ele no mini palco.
Todos respondemos de volta.
- Acho que muitos aqui não sabem nenhum pouco da historia desse orfanato, então, estou eu aqui para conta-la para vocês! – Falou o Senhor Alberto.
Eu não consegui prestar muita atenção no que ele dizia, minha mente ainda estava a mil, o que significava c 12.
Eu só consegui prestar atenção depois de um bom tempo.
- Eu herdei esse orfanato do meu pai, esse orfanato existe desde 1900! – Falava o Senhor Alberto.
Eu comecei a reparar algo estranho.
Ele não parava de olhar para os funcionários atrás da gente, batendo o dedo em uma mesa que tinha em sua frente.
- Gente... – Comecei a cutucar o Alex e a Emilly.
Eu já havia entendido o que tinha acontecido.
- O que foi? – Perguntou Emilly.
- Olhem para a mão dele! – Falei.
Os dois olharam e logo perceberam.
- Código Morse.. – Falou Emilly.
Nós sabíamos código morse.
Há um bom tempo atrás, nós encontramos um livro na biblioteca sobre código morse, como foi criado, o por que de ter sido criado e quem criou.
E lá também tinha uma tabela de tradução de código morse.
Como crianças que se contentam com tudo, nós achamos aquilo fascinante, então decoramos.
- Eu acho que pegamos a mensagem pela metade, mas olhem! – Falei.
- Aréa de funcionários, c-12 – Falei traduzindo a mensagem.
Nós nos olhamos.
- Eu falei. –
- O Que será que isso significa? – Perguntou Alex.
- Só tem um jeito de descobrirmos.. – Falei.
- Você tá louco? Eles já sabem o que nós fizemos! Se nós formos pegos lá estamos ferrados! – Falou Alex.
- Tem alguma coisa muito suspeita acontecendo! Vocês não percebem? – Falei. – Vocês não querer saber o que está acontecendo?
- Claro que a gente quer, mas isso vai dar errado! – Falou Emilly.
O Alex nos olhava sem saber o que dizer ou fazer.
- Nós precisamos ir! – Falei.
- Nós não precisamos, você que quer, nós não temos nada a ver com isso! – Falou Emilly.
Nós começamos a discutir baixo, para ninguém ouvir.
- Não mente, você está curiosa sobre as crianças que morreram e sobre esse livro tanto quanto eu! – Falei para a Emilly.
- Eu não quero saber de nada disso, eu não ligo se você é um enxerido que não consegue parar quieto sem arrumar confusão, eu não vou me afundar junto com você por que você quer! – Respondeu Emilly.
Por mais b***a que aquilo pareceu, doeu.
Até a Palestra do Senhor Alberto acabar eu fiquei calado.
Depois que terminou, não olhei na cara de nenhum dos dois e fui para o quarto.
Comecei a bolar um plano de como entraria na área de funcionários da biblioteca.
Fiquei um bom tempo lá, até Emilly e Alex aparecerem na porta.
Fingi que não havia visto eles e continuei a pensar.
- Nós vamos com você. – Falou Alex.
- Não preciso da ajuda de vocês. – Respondi.
- Para de ser dramático. – Falou Emilly.
A Emilly recebeu um olhar de “ Cala a boca” de Alex.
- Foi m*l, força do hábito. – Falou Emilly. – Enfim, como vai ser?
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22:30
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Fomos escondidos para biblioteca, estava escuro e chovendo do lado de fora porém já estávamos acostumados.
- É para lá não é? – Perguntei apontando para o fundo da biblioteca que tinha uma porta.
- Sim. – Falou a Emilly.
Chegamos na porta e viramos a maçaneta.
A porta estava destrancada, abrimos devagar para não fazer barulho.
Vimos várias prateleiras com vários livros diversos.
- Onde a gente vai achar esse livro aqui? São muitos! – Falou o Alex.
- Gente! É simples! C 12. – Falou Emilly.
- O que tem C 12? – Perguntei.
- Imagina o seguinte, aqui são as Letras A, b, c, d e E. – Falou ela apontando para a fileira vertical da esquerda. – E aqui embaixo são os números, 1, 2, 3, 4, 5 e por ai segue!
- Nós só precisamos achar na posição certa! – Concluiu Emilly.
- Emilly você é uma gênia! – Falei. – Eu vou procurar por ali, procurem por aqui! – Falei.
Saí e comecei a procurar.
Depois de um bom tempo, dei uma olhada na ultima estante e finalmente achei o livro.
- Achei! – Cochichei para mim mesmo.
Abri o livro e comecei a dar uma olhada.
Eu comecei a tremer, eu não conseguia acreditar no que eu estava lendo.
“ Fase 2, Iniciação.
Após o desastre que foi os experimentos em 1922, nós começamos a evoluir, muitas crianças cobaias morreram, mas agora, o remédio está dando muito certo.
Deixando em uma espécie de transe, fazendo mais e mais afirmações você conseguirá manipular a mente.
Quando todo o experimento tiver uma formula sem riscos as pessoas que utilizam, começaremos a usar nas pessoas fora do experimento, a dominação de mente será finalmente bem sucedida.
Agora os próximos passos para o experimento são- “
Fui interrompido por um barulho de algo pesado batendo no chão.
Comecei a andar rápido, mas sem correr para não fazer barulho.
Cheguei na região que o Alex e a Emilly estavam procurando o livro e não os achei.
- Gente? – Chamei baixo.
Eu não tive tempo para sair de onde eu estava, eu senti um braço envolvendo meu pescoço, me dando um mata leão.
Tentei me debater para conseguir sair mas não consegui, a cada vez mais eu ficava sem ar e minha visão foi escurecendo.
Depois disso eu tive apenas algum flashes.
Eu me acordei em uma maca, preso.
Olhei para os lados e vi a Emilly e o Alex deitados também desmaiados.
Eu tentava me debater mas não conseguia me mexer direito e vi alguém chegando perto de mim.
- Oh, você acordou? – Uma das freias do Orfanato falou comigo, com uma seringa não mão. – Pode relaxar, não vai doer, não muito.
Ela sorriu malignamente e eu gritei, ela tampou minha boca rapidamente e continuou a injetar algo na minha veia e eu apaguei novamente.