Olá, meu nome é Felix! Eu tenho dois melhores amigos, Emilly e Alex! Moro aqui no orfanato Santo Alfredo desde pequeno, nós não nos desgrudamos nunca.
Eu tenho 16 Anos.
Me consideram como encrenqueiro desse lugar, eu consigo deixar ele de ponta cabeça se eu quiser.
E agora, estou a caminho de minha aula, aqui dentro do orfanato mesmo!
Chegando na aula, eu me sentei do lado da Mirella, uma garota que eu tinha umas fagulhas.
Ela também tem 16 anos.
Eu sorri para ela e ela sorriu para mim de volta.
Durante a aula, eu comecei a escrever um bilhete para ela.
“Biblioteca, 16:00”
Enrolei o papel, e para minha infelicidade, quando fui entregar, a freira que é nossa professora estava ao meu lado.
Com sua cara maligna ela pegou o papel de minha mão e leu.
Ela olhou para mim novamente.
- Posso saber que pouca vergonha é essa senhor Félix? Detenção, agora! – Falou ela batendo a régua na minha mesa.
Me levantei indiferente.
Olhei para a Mirella, ela estava com rosto de pena.
Mandei um beijinho para ela e sai da sala.
A Professora/Freira me seguiu até a sala da Detenção.
Eu sabia que não ficaria lá por muito tempo.
- Os corredores estão precisando de uma limpeza, pegue o esfregão e os limpe, agora, sem mais atos libidinosos seu garoto insolente! – Falou ela gritando.
- Mimimi sem atos libidinosos – Falei.
Peguei o esfregão e comecei a limpar pelo corredor da frente da detenção.
Comecei a limpar o corredor.
Então depois fui para outro corredor, outro, outro, outro e outro.
Isso tudo foi bem cansativo, mas quando terminei, larguei o esfregão em qualquer lugar, tomei um banho e fui para o quarto.
Eu me deitei e comecei a pensar na minha vida, apenas enrolando.
Nesse exato momento eram 15:20
Quando finalmente deu 16:00 eu sai para andar, eu dei uma olhada, procurando a Mirella, e fui para o lugar que nós sempre nos encontrávamos.
- Oi Amor. – Falei abraçando ela.
- Oi Amor, você já terminou a detenção? – Perguntou ela.
- É claro que sim, mas sabe... Eu meio que estou com saudades da sala da detenção. – Falei baixinho no ouvido dela.
- Na sala de detenção? Você tá louco? Podem entrar lá a qualquer momento, você sabe que ninguém sabe exatamente o que temos não é? – Perguntou ela.
- Sim, e até hoje não entendi o porque. – Respondi.
- Aqui é muito rígido, nós dois sabemos que não vai dar certo se descobrirem. – Falou ela, me abraçando.
- Tudo bem então, mas vamos lá, rapidinho.. – Pedi.
- Ta... – Falou ela ainda meio relutante.
- Olha, se você não quiser tá tudo bem, mas eu acho que lá é um lugar mais quieto.... – Falei.
- Mas vamos, se der errado eu te bato. – Falou ela sorrindo.
Ela me seguiu ate a sala de detenção.
Chegando lá ficamos nos beijando apenas.
Até ouvirmos passos no corredor.
Não tivemos tempo de tentar nada, a porta já se abriu e lá estava a Senhora Williams.
- Vocês dois de novo? – Exclamou ela, gritando.
Ela me puxou pelos cabelos e puxou a Mirella pelo braço.
Ela nos levou primeiro para um quarto.
Ela jogou a Mirella no chão, ajoelhada, em frente uma cruz que tinha.
- Agora peça perdão pelos seus atos! – Falou a Senhora William fechando a porta.
- Agora você! – Falou ela.
Ela me levou para o porão do Orfanato.
Lá eu vi que tinha alguma espécie de “cela”.
Então essa é a verdadeira detenção que todos falam.
Ela me largou dentro dessa “Cela”
- Você vai passar um tempo ai! E depois que eu te soltar, eu não quero ver você perto daquela garota! – Falou ela gritando.
Ela me largou lá dentro.
Essa “cela” estava bem empoeirada, o chão de madeira tinha umas tábuas faltando, e algumas saltadas.
Mas uma tábua especifica me chamava a atenção.
Na parede da minha “Cela” havia uma pequena seta, apontando para uma tábua saltada.
Curioso, eu decidi dar uma investigada.
Puxando a tábua, uma névoa de poeira.
Depois que a névoa de poeira dissipou, eu consegui ver um caderno.
Ele tinha uma capa de couro.
Ele era um caderno um pouco grosso e estava muito empoeirado.
Eu dei uma limpada na poeira e abri o caderno.
Tinha um nome de uma pessoa lá.
Albert Miller.
E uma data.
Aquele livro era de 1920.
Eu comecei a dar uma folheada no livro, tirando a poeira, o livro parecia estar intacto.
Aquele Livro parecia um diário.
Eu voltei para o inicio do livro e comecei a ler.
“ Dia 1.
Eu finalmente descobri.
Olá, provavelmente tem alguém lendo esse livro, provavelmente ele virou algum livro muito famoso, com minha grande história de escape, por que eu finalmente sei.
Eu sei o que as paredes desse “orfanato” escondem.
Esse livro não é meu primeiro diário.
Eu o perdi em algum lugar, talvez no buraco perto da biblioteca..
Enfim, isso tudo não importa.
Eu não posso deixar totalmente claro o que eu sei aqui, talvez eles peguem meu diário e eu esqueceria tudo!
Tudo que vocês podem saber por agora é.
Eu estou planejando escapar daqui.
Eu preciso planejar tudo corretamente, por que eu preciso tirar todos daqui.
Nesse primeiro dia, eu vou apenas contar isso para vocês, preciso dar mais uma olhada e começar a planejar tudo.
Eu preciso sair daqui.”
A Página do dia 1 acabou.
Eu dei mais uma limpada no livro, e consegui ver.
Tinha umas manchas de sangue no livro.
- O que aconteceu? – Me perguntei.
Eu comecei a ler a página “ Dia 2”
“ Olá, estou aqui de novo.
Eu comecei a dar uma planejada como eu poderia escapar.
Dei uma olhada em lugares que eu possivelmente poderia escapar.
Acho que a melhor alternativa é a porta dos fundos, que eu tenho acesso pelo forro do telhado.
Meus amigos sabem da mesma coisa que eu.
Eles estão desesperados, mas estão tentando manter a calma, nós todos precisamos manter a calma.
Eu ainda não achei o caderno, e eu tenho zero vontade de ir naquele buraco checar, provavelmente ninguém vai entrar lá também.
O Buraco não é grande, mas também não é pequeno.
Ele fica na parede da direita da biblioteca, naquela parede da curva do corredor.
Enfim, mais um dia nesse lugar, não vejo a hora de sair e tirar todos daqui.”
Eu comecei a folhear aquele diário, eu estava curioso, mas ao mesmo tempo não estava no clima.
Eu passei a noite inteira lá e definitivamente não foi uma boa experiencia.
Quando amanheceu ela veio me tirar de lá, tudo que eu queria era dormir bem, já que a ultima noite em um colchão fino não é nada bom.
Eu levei aquele diário comigo, eu arrumei uma forma de esconder em minha roupa, de forma que não parecesse estranho.
Ela me levou de volta para meu quarto, mas eu não tive muito tempo de dormir, já estava de manhã e tínhamos coisas a fazer.
Primeiramente eu me banhei e fui estudar, depois o café da manhã e depois as coisas que eu fazia no meu tempo livre, que hoje foram trocadas por um belo cochilo.
Eu fui acordado por meus amigos, Emilly e Alex.
- Félix! – Falou Emilly me sacudindo para eu acordar.
- Ah, Oi, boa tarde...- Falei me acordando e me sentando na cama.
- Onde você tava Félix? – Perguntou Alex.
- Eu.... Eu estava no porão. – Falei Respondendo o Alex.
- O que você foi fazer no porão? – Perguntou Emilly.
- Eu não fui por conta própria, a Senhorita Williams me levou para lá. – Respondi.
- Por que ela te levou para lá?.. – Perguntou Alex, olhando para mim e para a Emilly.
- Ela me pegou junto da Mirella.. – Falei, eu ainda estava bem cansado.
- Ai meu deus! – Falou a Emilly sentando-se do meu lado. – Eu já avisei para vocês dois serem mais cuidadosos!
- Ela está certa! Vocês não tomam nenhum cuidado e acaba dando nisso! – Falou Alex me repreendendo.
- Gente é sério? Vocês me acordaram para me dar sermão? Se a resposta for sim, da licença, eu quero voltar a dormir. – Respondo.
- A gente está te dando sermão por que a gente se preocupa com você, b****a. – Falou Emilly dando um t**a atrás da minha cabeça.
- Ei! – Olho para ela irritado enquanto massageio minha cabeça na parte onde levei o t**a.
- Enfim, esqueçam isso, eu encontrei uma coisa lá no porão..- Falo para eles.
Na mesma hora eles ficam intrigados, interessados, eles sabem muito bem que não é muita coisa que chama minha atenção, e quando chama ou é importante ou interessante.
Eu puxo o diário que eu havia deixado embaixo do meu colchão quando eu havia voltado para cá.
- Isso aqui, é um diário. – Falei.
- Se você falasse a gente nem perceberia. – Falou Alex dando umas risadas.
Eu apontei as partes que eu tinha lido para eles, eles ficaram extremamente intrigados com tudo aquilo.
- Um buraco perto da parede da biblioteca da virada do corredor?..... – Perguntou Alex. – Espera um minuto....Eu sei de que lugar ele está falando!
- Como assim você sabe?? – Emilly perguntou.
Eu estava tão confuso quanto ela.
- Eu lembro de um dia... – Começou Alex.
Eu estava entediado, e eu não tinha nada melhor para fazer então eu comecei a andar pelos corredores do orfanato.
Até que eu cheguei bem nessa parte descrita nesse livro, ou nesse diário, que seja.
O Caminho todo eu fui batendo na parede, sabe quando você não tem nada para fazer e fica batucando as coisas e “fazendo” uma música? Eu estava fazendo exatamente isso.
O Problema foi, por eu não estar prestando atenção em muita coisa, além da minha “música” eu não vi que o chão estava molhado.
Então eu não tive cuidado, quando virei para ir para a biblioteca eu escorreguei e cai, batendo a cabeça na parede.
Não foi nada demais, só que o porém é, onde eu bati a cabeça, fez um barulho como se a parede estivesse oca...
Acho que vocês já entenderam o que eu quis dizer com isso não é? –
Nós nos olhamos.
- Tudo bem, vamos com calma, a gente sabe onde é esse buraco, mas a gente nem terminou de ler esse livro, ou esse diário, a lógica não seria entender esse aqui primeiro? O Que ele quis dizer com “Orfanato”? Por que ele iria querer fugir daqui? – Perguntou Emilly.
Quando a Emilly terminou de falar, a porta de nosso quarto se abriu repentinamente, e lá estava a Senhora Williams.
- Isso não é possível! Quanta demora para apenas chamar uma pessoa para um jantar! Venham, Agora! – Ela gritou com todos, eu consegui esconder o diário debaixo dos meus lençóis e enquanto ela ia embora, eu guardei ele debaixo da minha cama novamente.
Nós fomos jantar, um dia no porão já me fez não ter mais vontade de desobedecer.