Depois do Jantar eu fui dormir, nós não poderíamos fazer muita coisa de noite.
Dormimos e nos acordamos bem cedo, um pouco mais cedo que o normal, para podermos ler um pouco mais do livro.
- Todos prontos? – Perguntei cochichando.
Eu já havia dormido bastante no dia passado, então, não estava com muito sono.
O Sol estava raiando, tinha uma chuva fraca do lado de fora.
Emilly e Alex ainda estavam com muito sono.
- Precisava ser essa hora? – Perguntou Alex, bocejando.
- Sim, a gente não vai ter muito tempo depois. – Falei. – E ainda temos que olhar o buraco.
- Calma, já falei, vocês estão se precipitando demais. – Falou a Emilly.
- Certo, agora foco, daqui a pouco todo mundo acorda e a gente precisa ir estudar. – Falei.
Eu abro novamente o diário e vou para a página do dia 3.
“ Dia 3 aqui, de novo, nós pegamos uma escada na dispensa e começamos a fazer nosso plano de fuga.
Usamos a escada para chegar no teto do nosso quarto, a madeira foi meio difícil de tirar, mas conseguimos fazer um buraco grande o suficiente para passar uma pessoa, porém, não conseguimos passar, tinha algo impedindo, algo muito pesado, tentaremos de novo amanhã em outro lugar do quarto, mas tivemos que devolver a escada, para ninguém suspeitar de nada.
Todo mundo do nosso quarto sabe.”
- Calma lá.... Andar de cima?? – Perguntou Emilly.
- Sim! Ele já havia falado na página anterior! – Falou Alex.
Nós estávamos todo esse tempo cochichando para não acordar ninguém.
- O Ponto não é esse Alex! O Orfanato não tem um segundo andar! – Respondeu Emilly.
- O Orfanato mudou desde 1920? – Perguntei olhando para eles.
- Isso é possível, mas não tem como a gente saber... – Falou Emilly.
- Na verdade... Temos sim! – Respondi olhando para eles.
- Como? – Perguntou Alex.
- A Secretaria, com toda certeza tem algum registro ou algum tipo de coisa do orfanato da época de 1920! – Falei.
- Talvez uma planta antiga do Orfanato! – Falou o Alex.
Nós saímos do quarto, sem fazer barulho e fomos para a secretaria.
Demos uma olhada aos redores, para vermos se tinha alguém que pudesse nos pegar, mas não tinha ninguém.
Encostamos nossos ouvidos na porta, para vermos se ouvíamos algo, e nada, parece que a sorte estava do nosso lado.
Entramos lá dentro e começamos a vasculhar um pouco.
Eu dei uma olhada em algumas gavetas e algumas caixas que haviam, e também em um armário de ferro que tinha lá.
Eu vi que na escrivaninha que tinha lá, havia uma gaveta, e a chave da gaveta também estava lá, aquilo me chamou muita atenção, parecia até que eu já havia visto aquilo alguma vez, o que era impossível, já que eu nunca havia entrado lá não é?
Essa pergunta martelou em minha cabeça, mas preferi esquecer.
Peguei a chave e destranquei a pequena gaveta e a abri.
Eu encontrei lá, um lasso de cabelo e uma caneta de tinteiro, ela era vermelha, e encontrei também uma pequena agenda.
Essas três coisas eram estranhamente familiares para mim...
- Achei! – Falou Emilly.
- Sério? – Perguntei, saindo e deixando a gaveta aberta.
- Aqui, uma planta do orfanato em 1920, mas, não tem nenhum segundo andar.... – Falou Emilly.
- Se nunca teve um segundo andar, para onde que ele estava querendo ir inicialmente? – Perguntou Alex.
- Talvez..... – Eu comecei a falar, mas eu não sabia como iria continuar aquilo.
- Um Sótão. – Falou Emilly.
Corremos novamente para o quarto, já estava perto da hora de todos nós acordarmos, mas decidimos dar mais uma olhada no livro
Página do dia 4.
“ Hoje pegamos a escada novamente e retiramos de novo um pedaço do teto, aquele outro, de alguma forma, conseguimos tampar novamente de forma que ele não caísse.
Agora quando abrimos esse lado, conseguimos ter acesso a um espaço enorme, como se fosse um andar de cima, ou mais conhecido como um Sótão, mas ele é grande de mais para ser um Sótão.
Lá estava cheio de sacolas com coisas velhas, móveis velhos e muitas seringas e remédios, provavelmente tentativas falhas daquelas coisas.
Há quanto tempo que eles fazem isso? Tenho medo disso estar acontecendo a muito tempo, eu preciso escapar daqui para expor tudo isso e futuramente salvar outras crianças de passarem pelo que eu passei.
Voltando, seguindo a planta do Orfanato, que nós conseguimos na secretaria, daqui de cima conseguimos chegar na porta dos fundos, onde vai ser nossa fuga, mas para conseguirmos tudo isso, precisamos de uma distração, não sabemos muito o que iremos fazer agora..”
- Se a gente tivesse lido um pouco mais, a gente teria nossa resposta, não precisaria dessa aventura toda.. – Falou o Alex.
- Se tivéssemos sido pegos, estaríamos fritos, mas isso não importa. – Falou a Emilly.
- Ela está certa, mas, o que me irrita nesse diário é que ele nunca conta o por que dele querer fugir...O que ele quis dizer com “tentativas falhas daquela coisa”? Que coisa? – Falei, começando a perder um pouco da paciência.
- A gente vai descobrir, só precisamos manter a calma, ok? – Falou Emilly.
- Ok, Vamos continuar lendo então.. – Falei.
Começamos a página do dia 5.
" Começamos a quebrar um pouco do teto da porta dos fundos, fomos a noite, sempre ficando atentos aos passos embaixo de nós, quase nunca passa alguém por ali, mas o medo é maior, e ainda não sabemos como iremos abrir essa porta, mas em algum lugar com certeza em uma chave.."
- Tudo bem, nós olhamos a planta do orfanato e sabemos que não mudou muita coisa, mas sabemos que já teve uma reforma aqui, já que tamparam o buraco que esse garoto falou, mas onde é esse quarto dele? Tem alguma chance da gente descobrir mais? - Perguntou Alex.
- Reforma? Você tem certeza? - Perguntei.
- Realmente, esse teto não parece um teto que foi reformado "recentemente" - Falou Emilly olhando para o teto.
A madeira estava velha e muito desgastada.
- Isso não faz sentido... - Falei.
- Na verdade faz sim. - Falou uma voz vindo de cima do beliche de Emilly.
- F-Fred? - Perguntei olhando para ele, que estava muito bem acordado.
- Eu não posso dizer muita coisa ainda. - Falou ele descendo as escadas do beliche. - Mas tem uma explicação para aqui não estar reformado.
- E qual seria Fred? E espera, você estava ouvindo nossa conversa? - Perguntou Emilly.
- Eu sempre estive ouvindo, mas isso não vem ao caso, vamos para o foco, pensem uma coisa comigo.
Esse orfanato é enorme, precisaria de muito dinheiro para reformar ele inteiro e uma vez eu já o Senhor Alberto falando sobre a inflação e coisas do tipo, eles provavelmente tiveram dinheiro para metade do orfanato. -
- Isso faz muito sentido Fred... - Falou Alex.
- Tudo bem então, talvez ainda tenhamos uma chance desse buraco que eles fizeram ainda existir.. - Falei. - Mas precisamos ler mais.
- Fred, agora que você já está aqui mesmo, você pode ajudar a gente a entender do que esse livro está falando! - Falou Emilly.
- Isso me parece interessante... - Falou Fred.
- Então... Vamos lá. - Falei