THOUGHT

1621 Palavras
Sexta com certeza era um dos melhores dias da semana, principalmente quando a data era presenciada por uma festa de aniversário. Passava das nove da noite quando eu estacionei meu carro na frente da casa de Nour, uma garota rica que costumava andar com Bailey e seus amiguinhos.  -Será que o irmão dela vai estar aqui?- falei com meus irmãos, enquanto descia do carro e esperava por Noah, Sina e Sabina, já que o americano ainda parava seu carro atrás do meu.  -Nem sabia que ela tinha um irmão- Sofya deu de ombros. -Ele faz faculdade de medicina e é lindo- falei, fingindo não ter stalkeado a garota, antes de vir para a sua festa.  -Como vamos nos dividir na volta?- a Hidalgo se aproximou, junto dos outros dois.  -Gente, eu quero voltar bem cedo. Sei que amanhã só vamos viajar a tarde, mas não quero beber muito e realmente quero descansar porque sei que quase não vamos dormir em Tijuana e eu que vou dirigir na ida e na volta, né?- dei de ombros me explicando.  -Tá bom, então eu levo todo o resto para casa- Noah se ofereceu.  -Só avise quando estiver indo embora- Josh falou, passando o braço pela minha cintura e me guiando em direção a grande porta de entrada.  A decoração estava incrível. Logo na entrada, a aniversariante recepcionava os convidados e nos encaminhava para uma parede onde tirávamos fotos com a mesma. Entregamos seu presente e seguimos pela festa.  Tentei não me importar com o aperto que os saltos de tiras preto causavam em meus pés e segui meus amigos, pista de dança a dentro. Tiramos muitas fotos em grupo e tratei de encaminhar algumas pelos meus stories, eu poderia dizer que tinha um número grande de seguidores para alguém que não faz das redes sociais um trabalho.  -Jojo, podemos falar com você?- Sina segurou no meu braço, me puxando delicadamente para um corredor mais silencioso, assim que assenti.  -Essa é a hora que vocês me contam que estão namorando- Encarei ela e Noah, com um sorriso no rosto.  -Na verdade... Estamos meio que vendo onde tudo vai dar, mas dispostos a entrar em algo sério, daqui algum tempo- Noah deu um sorriso, encarando seus próprios pés.  -Isso é ótimo, eu sabia que não ia demorar para acontecer- falei, verdadeiramente feliz.  -Você parece um pouquinho no mundo da lua ultimamente, meio afastada de nós também. Então queríamos saber se está tudo bem, por você. Você teve um papel importante nisso que estamos construindo e queremos o seu aval, uma vez que você estava tão envolvida quanto nós- Sina falou, estalando os dedos e parecendo um pouco nervosa.  -Eu realmente ando meio avoada ultimamente- bati com a mão na minha testa- Mas não se preocupem, eu super aprovo e fico feliz por vocês!  -Eu amo você- Noah disse, me abraçando e dando um beijo na minha bochecha.  -Eu também te amo, Urrea! Se lembre que eu vou ser a madrinha dos seus filhos, promessa é dívida- falei, puxando a alemã para dentro do abraço.  -Não vamos esquecer disso- ele confirmou.  -Ótimo- sorri- Agora se vocês dois me permitem, vou andar por aí e aproveitar um pouquinho da festa, antes de ir embora.  -Vai lá- meu melhor amigo deu um t**a estalado na minha b***a, antes que eu caminhasse para fora do corredor com um sorriso no rosto.  Eu estava extremamente feliz sobre os dois, mas também um pouco reflexiva. Um relacionamento entre Noah e Sina era incrível por um milhão de motivos diferentes, mas um em específico aquecia o meu coração: meus ex sempre tiveram ciúmes dele, assim como as suas ex também não gostavam de mim.  Com a Deinert era tudo diferente, ela nos conhecia o suficiente para saber que Noah não deixaria de me puxar para o seu colo, por exemplo, mas que a partir do momento em que ele está compromissado, aquele contato seria um carinho sem malícia, entre irmãos. Eu nunca seria uma ameaça e ela sabia disso.  Por outro lado, algumas reflexões mais profundas me atingiram. Joguei meu corpo na bancada do bar e pedi um drink fraco para o barman.  Ultimamente, algo estranho não me levava a necessidade ou vontade de ficar com Noah ou até mesmo Sina. Interpretei isso como um sinal do destino, que me fez "afastar" de forma natural e não sentir a novidade de hoje como um ultimato para a nossa amizade colorida.  Eu sempre tive o pensamento de que seria difícil me dar tão bem com alguém na cama, como me dava com Noah. Por um tempo, até pensei que se encontrasse alguém que conseguisse me satisfazer melhor que ele, essa seria a pessoa certa para mim.  Era besteira, porque Bailey por exemplo, ele era um cara que me surpreendeu na cama, que se encaixou comigo e me levou a loucura, superou qualquer outra transa. Ao mesmo tempo, não conseguíamos ter a mesma sincronia no dia a dia.  Isso tudo realmente me fez enxergar como o s**o não era nada. No dia que eu parasse com alguém, no dia que eu encontrasse a pessoa certa para mim, se essa pessoa só pudesse me satisfazer em um ponto: cama ou vida, eu escolheria na vida.  Arrumar um vibrador para segurar o fogo de um relacionamento seria bem mais fácil do que precisar encontrar aquela vibração do amor sozinha, nas pequenas conquistas diárias, nas conversas românticas e no carinho que não precisava de toque. Se fosse para me enfiar em um relacionamento cheio de termina e volta, brigas e discussões, eu com certeza preferiria ficar sozinha.  Ao mesmo tempo, toda essa reflexão me deixou meio para baixo. Por que era tão fácil encontrar uma conexão carnal e tão difícil achar a pessoa que iria te completar em todo o resto? Parecia ainda mais impossível ter os dois juntos.  -Uma moeda pelos seus pensamentos?- uma voz rouca me tirou do transe. Ajeitei minha postura com o susto, bebendo o resto do meu drink de uma única vez.  Olhei para o lado. Bailey May, perfeitamente alinhado em calças pretas e blusa social azul marinho.  -Só estou meio desanimada- fiz careta.  -Há alguma coisa que eu possa fazer para melhorar isso?- ele me encarou, com um sorriso amigável.  -Na verdade- fui cortada pelos meus irmãos, vindo em nossa direção.  -Jojo, vem dançar- Sofya me chamou, enquanto Josh tentava me puxar pela mão. -Eu vou para casa, Soso. Estou com um pouco de dor de cabeça- dei de ombros.  -Bebeu demais?- Josh questionou.  -Não, só tomei um drink.  -Quer que eu vá com você?- voltou a perguntar.  -Não, Josh. Está tudo bem- falei- Aproveitem a festa, tudo bem?  -Qualquer coisa liga- a caçula falou, se aproximando e beijando minha bochecha.  -Te amo- meu gêmeo me abraçou, andando de volta para a pista.  -Também te amo, Joshua.  -Mas então... Por que está desanimada?- Bailey sacou que eu tinha mentido sobre a dor de cabeça.  -Quer sair daqui?- questionei.  -Uhum- ele concordou com a cabeça e eu pulei para fora do banco, caminhando para a parte externa daquela mansão e o deixando me seguir.  Destravei meu carro e entrei no banco do motorista, não antes de ter certeza que realmente ninguém nos veria ali dentro, pelo lado de fora.  -Noah e Sina estão tendo algo mais sério- falei de uma vez.  -E você está com ciúmes? -O que? Não, lógico que não!  -Então, não estou te entendendo.  -Eu só fiz uma longa reflexão sobre a vida, relacionamentos, s**o casual e cheguei em duas conclusões.  -Seria mais fácil de te ajudar se você me dissesse quais são essas duas conclusões- ele argumentou, assim que parei de falar.  -Em primeiro lugar: eu não estou pronta para namorar de novo, eu detesto relacionamento ioiô, detesto dizer que ama mas viver em pé de guerra e eu quero ficar solteira por um bom tempo.  -Mas...  -Mas eu não consigo viver sem s**o e Noah facilitava muito a minha vida nesse ponto, mas não existe outro Noah e não tem como se construir uma relação desse tipo, não sem que um dos dois acabe apaixonado no final.  -Então você está feliz pelo Urrea, mas triste porque perdeu o cara que você transava o tempo todo, quando quisesse, sempre, mas que não iria se apaixonar por você e nem você por ele?  -Eu diria que triste é uma palavra muito forte, eu estou reflexiva.  -Se você está com tanto medo de não ter alguém para levar para a cama- o cortei: -Babaca -Eu não terminei de falar- tocou meus lábios- Eu posso me oferecer, espontaneamente, para t*****r com você essa noite, desde que você não fique pensando em Noah enquanto está comigo.  -Eu não faço o tipo que está com um enquanto pensa no outro, May.  -Se você diz... Agora essa não é a hora que você liga o carro e me leva para a sua casa?  -Como você pode ter tanta certeza que quero t*****r com você, essa noite?  -Você nunca me chamaria para conversar, no seu carro, se sua intenção não fosse essa- as palavras saíram de sua boca em tom debochado.  -Odeio admitir que você tem razão- revirei os olhos, passando o cinto pelo meu corpo e ligando o carro.  Bailey sorriu vitorioso e fez o mesmo, tirando seu celular do bolso e se desligando do resto do mundo, enquanto eu dirigia.  -Sabia que você dirige muito bem?- o filipino começou, enquanto eu destrancava a porta de casa. Para minha surpresa, não havia ironia em sua voz.  -Shiii, meus pais estão em casa. Vamos direto para o meu quarto- sussurrei.  Mas parece que aquele não era mesmo o meu dia de sorte, porque logo depois de falar isso, ouvi duas pessoas pigarrearem bem atrás de nós. 
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR