ADVICES

2056 Palavras
-Joalin? Deixou de odiar a gente?- Lamar me questionou, completamente irônico- Aliás, fiquei sabendo do que rolou na sua aula de biologia, tem certeza que anda se protegendo direitinho? Eu vou dar na cara dele! Respira fundo, Joalin, respira fundo.  -Em primeiro lugar que tu nem sabe com quem eu estava para vir me dando lição de moral, ok?- olhei de r**o de olho para Bailey, extremamente vermelho- Agora eu acho que sua namoradinha iria adorar saber que você está preocupado com quem anda gozando na minha boca!  -Joalin deve confiar no cara que estava com ela- Bailey disse, dando de ombros e mordendo os lábios.  Babaca, s****o, gostoso.  -Eu tenho certeza disso!- Shiv era um anjo.  Um anjo que provavelmente imaginava que eu estava com o irmão dela.  -Não coloca Heyoon na conversa, a culpa não é minha se a escola inteira sabe o que você estava fazendo no intervalo. Inclusive, estavam dizendo que você falou aula ontem porque estava com vergonha do vexame.  -Como se eu ligasse para o que "a escola inteira" pensa, ou vai me dizer que ninguém ali dentro faz isso? Porque eu posso citar vários exemplos, inclusive mesmo entre seus amigos- O May pigarreou, tentando me manter de boca fechada- Agora veja, eu não posso nem ficar na minha casa, sofrendo da minha alergia e fumando da minha maconha em paz- revirei os olhos várias vezes.  -Jo, muito obrigada pelos conselhos. Você não faz ideia do quanto me ajudou!- Shivani intrometeu, provavelmente tentando desviar meu foco para que uma confusão não fosse gerada.  -Conselhos? Tem certeza que ela é a pessoa ideal para dar conselhos sexuais para sua irmã?- ouvi o britânico cochichando com Bailey, na hora que Shiv me abraçou em agradecimento.  -Eu posso dar na cara dele?- perguntei, no ouvido dela, que riu.  -E você chegou na escola chapado, depois do almoço e do tempo vago. Você estava com ela, Bailey?  -Ela é boa nos conselhos, em vários assuntos no geral- ele disse, em tom de voz normal- E eu já falei que estava no banco, cara. Por que eu iria para a casa de Joalin no meio da tarde?  -O que você anda pedindo de conselho para ela?- eles continuavam a falar baixo, atrás de mim.  -Vocês podem falar alto, porque as tentativas de serem discretos não estão funcionando- Shivani falou, eu ri.  -Vocês duas estão andando muito juntas- Bailey disse, dando a volta na sala e se enfiando entre nós, sentando no sofá.  -Sai, seu abusado- reclamei, me arrastando para mais longe, já que o espaço não era suficiente para ele. -Bailey, você é pesado- Shiv também reclamou.  -Quer saber, já deu minha hora. Acho que já vou indo- me preparei para levantar.  -Você fica aí que eu preciso falar contigo da inauguração da nova filial- ele segurou na minha cintura, me impossibilitando de viajar- já está sabendo da viagem para o Canadá? Ok, ele estava arrumando desculpa para me manter ali e seu melhor amigo nos encarava fixamente. Provavelmente, para ele, era estranho ver que Bailey estava completamente virado em minha direção, com seus olhos nos meus e seu rosto a dois palmos de distância.  -É óbvio que eu já sei! Agora você deveria se preocupar com a viagem para Tijuana, porque essa está mais próxima de acontecer.  -Você vai, Shiv?- seu irmão virou para ela, perguntando.  -Ainda não decidi, mas acho que não vai dar porque tenho prova na segunda.  -O que vão fazer em Tijuana?- Lamar se meteu.  -Trabalho- respondi simplesmente, um pouco grossa, como de costume.  -Então, voltando a falar do Canadá, parece que vamos ficar responsáveis por uns detalhes- ele novamente estava próximo de mim- Tenho que te entregar uns documentos, então é melhor você ficar aí.  Como ele conseguia ser um baita mentiroso e péssimo em inventar mentiras, ao mesmo tempo? Encarei Shivani, que também me olhava com uma expressão sugestiva.  -Tá, a gente resolve isso. Parece que, depois da viagem para Tijuana, vai ter mais de um evento comemorativo esse mês: Nova York, Vancouver e eu ouvi alguma coisa sobre ter uma festa "oficial", para o início da parceria, mas estou meio por fora então não sei se vai ser exatamente assim- falei, dando corda para sua mentira.  Ops, Lamar me encarava. Eu tinha acabado de utilizar o meu tom de voz ameno, simpático e interessado na conversa, enquanto falava com Bailey. Parece que quem fez m***a fui eu, dessa vez.  -É, minha mãe também falou que está planejando algo do tipo, com sua mãe. Eu posso confirmar e te falar depois.  -Tá- Dei de ombros e cruzei minhas pernas no sofá, vendo Lamar finalmente se sentar em uma poltrona.  -Alguém vai me contar ou é para eu desistir de saber?- Questionou.  -Cara, o negócio é o seguinte, eu cansei de esconder essa parte da minha vida, então vou falar, mesmo que vocês não concordem comigo.  Eu sabia que ele ia falar da maconha, mas um arrepio estranho subiu pelo meu corpo. Ele queria deixar aquela parte da vida dele exposta em pratos limpos, o que não significava que ele pararia de bancar o certinho, muita coisa ainda estava estatelada e ficaria assim até que ele tivesse coragem suficiente para admitir quem é e mostrar que pode balancear suas duas personalidades. As vezes parecia que Bailey era um comigo e outro com os amigos. Logo os amigos, que ele amava e confiava, mas não conseguia mostrar o seu outro lado, enquanto comigo, a garota que transa com ele e diz para ele cair fora, ele tinha ousadia o suficiente para equilibrar seu próprio Yin-Yang.  Eu tinha pena, pena por ele passar a maior parte do seu tempo sem ser totalmente verdadeiro, apenas por medo de desagradar os outros.  -Mano, se for pelo negócio da maconha, eu me surpreendi e fiquei preocupado, você sabe disso. Agora eu não tenho nada a ver com suas decisões, eu sou teu amigo e estou aqui para te apoiar e te orientar, se for preciso, não para te dizer o que você pode ou não, deve ou não deve fazer. Se você diz que está levando isso bem e de maneira responsável, eu acredito na sua palavra e acho que você está mais que certo em procurar alguma coisa que te faça bem.  -Eu tinha medo exatamente dessa reação que vocês poderiam ter, por isso nunca falei nada, por medo de decepcionar. Não quero mais manter segredos dos meus amigos, por isso decidi não esconder mais isso e poder ser cem por cento verdadeiro.  Prendi uma risada, fazendo todos olharem para minha direção.  -Cem por cento?- provoquei, mas Lamar não levou meu comentário a sério, aparentemente.  -Mas o que ela- apontou em minha direção- E seus conselhos, tem a ver com isso?  -Tinha até esquecido que esse era o rumo inicial da conversa- Shivani falou, me obrigando a concordar.  -Ela me pegou fumando no jardim da casa dela, no dia daquele jantar da empresa- ele falou, dando de ombros.  -E...- o britânico parecia ansioso para mais informações, fofoqueiro.  -E eu falei para ele que ele deveria seguir o meu exemplo e deixar a maconha para ocasiões raras, antes que virasse um vício e ele arrumasse problemas com isso.  -Na verdade ela foi um pouco menos agressiva, do que está sendo agora- Bailey explicou, me fazendo revirar os olhos.  Eu tinha acabado de dar mole e ser "delicada demais", qual é? Agora eu precisava restaurar minhas atitudes.  Shivani parecia já saber da história, seu irmão deve ter te contado quando conversou com ela. Enquanto para o Morris, tudo aquilo era novidade.  -E então a viagem para o Arizona foi uma ocasião especial?  -Ocasiões raras e ocasiões especiais são duas coisas muito diferentes. Meu irmão estava preocupado se eu conseguiria conviver com Bailey, então me deu aquilo- dei de ombros, com todo o meu deboche- Eu fico menos estressada, ele fica menos chato, todo mundo vive feliz e se suporta tranquilamente dessa forma.  -A gente estava sem fumar desde o dia na sua casa, não é?- ele se virou para mim, só confirmei com a cabeça.  O tom ameno de novo, dessa vez da parte dele. Nós dois estávamos nos perdendo. Aquilo não estava funcionando e olha que nem transando a gente estava, não mais.  -Então vocês estão fumando juntos? Você chegou chapado ontem e coincidentemente Joalin fumou na casa dela, vocês já tinham fumado juntos outras duas vezes. Isso parece um quebra-cabeça.  -Nem tente jogar isso nas minhas costas, eu estava em casa sozinha, sem conseguir parar de espirrar- sorri irônica.  -Eu não menti quando falei que fui no banco. Vim fumando no carro- Bailey pareceu seguro em sua desculpa.  -Se você diz- ele deu de ombros, me encarando. Revirei os olhos.  -Eu vou embora- me levantei, finalmente.  -Cara, só toma cuidado para não ter uma "ocasião rara" todo dia! Agora eu também vou vazar, tenho que passar na casa de Heyoon- ele falou, também se levantando da poltrona.  -Só que antes de você ir embora, eu preciso falar da inauguração do Canadá. E não faz essa cara de tédio porque eu sei que você adora trabalhar- Bailey falou na minha direção, enquanto ele e sua irmã nos seguiam até a porta da frente.  -Tchau aí para vocês duas. E você, Bailey, juízo- Lamar deu um tapinha nas suas costas, antes de sair de descer os degraus da frente da casa e entrar no seu carro.  -O que você quer comigo?- me virei para o filipino, enquanto seu amigo ainda dava partida.  -Eu? Você que apareceu aqui em casa, pulou minha sacada e invadiu meu quarto sem nenhum motivo aparente.  -Isso se chama vingança, não sei se se lembra que fez a mesma coisa comigo ontem.  -EU SABIA!- Shivani falou alto.  -Eu fui ver se você estava bem. -Aham!- eu fingi concordar, revirando os olhos.  Eu sabia que ele estava certo sobre toda aquela constatação, mas não admitiria isso.  Ele bateu a porta, me puxando pela mão em sua direção, logo em seguida. Meu corpo foi violentamente jogado em cima do seu e ele atacou meus lábios com tanta necessidade, que parecia que ali ai encontrar o oxigênio necessário para a sua respiração.  Suspirei sentindo sua língua em contato com a minha, puxei seus cabelos enquanto ele segurava em meu rosto e me agarrava pela cintura.  O juízo finalmente voltou para o meu corpo, me fazendo afastar abruptamente.  -Ei, ei ei. Quem te deu a liberdade de sair me beijando desse jeito?- questionei, colocando a mão na cintura com um pouco de raiva.  -Vocês são dois fingidos- Shivani se meteu- Fingem que isso não está acontecendo, fingem que se odeiam, fingem que vão conseguir parar e fingem que não estão gostando.  -Não é bem assim, Shiv- seu irmão tentou se, ou nos, defender.  -Vocês fingem que é verdade e eu vou fingir que acredito- ela se virou para mim- Obrigada pelos conselhos, mais uma vez- beijou minha bochecha- Eu vou para o meu quarto.  Foi só sua irmã virar as costas, já estávamos nos beijando de novo.  -Achei que tínhamos combinado de não fazer mais isso- afirmei, com meu rosto junto do seu, enquanto ele me roubava selinhos.  -Sério? Não estou me lembrando muito bem- me puxou para si mais uma vez, me fazendo relaxar os ombros e, por um segundo, apenas focar na sensação prazerosa de seus lábios junto aos meus.  Isso é, até ouvir barulhos de chave do outro lado da porta de entrada.  Rapidamente soltei Bailey, andando uns três passos para trás e tentando, de forma desesperada, me recompor.  -Então vai ser uma viagem bem rápida, devemos sair daqui depois do almoço de sábado, chegar lá, ir na festa, ir um pouco para a praia no dia seguinte e já voltar, para chegar antes de escurecer, fronteira terrestre é uma m***a- falei a primeira coisa que veio na minha cabeça.  -Joalin, que bom te ver por aqui- seu pai apareceu, sorrindo em minha direção. -Olá Matt, vim conversar com Shiv e aproveitei para combinar os detalhes da viagem de fim de semana- sorri, como eu era falsa.  -Ah, que ótimo! Tenho certeza que Bailey está ansioso para isso.  -Oh se estou- não sei se aquilo era ironia ou não, mas preferi não ligar.  -Bom, agora realmente está na minha hora. Tchau para vocês- falei, abrindo a porta e praticamente fugindo de lá. 
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