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1650 Palavras

Ricardo narrando… A boca tava um inferno. Rádio chiando sem parar, dois vapores batendo boca por causa de turno, um fornecedor enchendo o saco no preço, e uns moleque novo achando que podem falar grosso comigo. p***a, domingo e eu aqui dando aula de como não morrer à toa. A sala de comando cheirava a cigarro, dinheiro contado e suor de quem tá virando noite desde sexta. Eu assinei papel, cortei papo torto, botei cada um no seu quadrado. Controle. Sempre controle. Mas a cabeça… a cabeça não obedecia. Toda hora, no meio de um BO, do nada, vinha a cena dela. Vitória, naquela saia jeans alta, blusa preta agarradinha, cabelo liso batendo nas costas, pele brilhando de dança e calor. Rindo. Leve. Solta. A p***a da imagem atravessava como faca quente em manteiga. Eu respirava fundo, xingava ba

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