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970 Palavras

Ricardo narrando… O pagode tava pegando fogo. O som das caixas de som fazia o chão tremer, o povo gritava, dançava, ria alto. A favela inteira parecia pulsar. Era o tipo de noite que lembrava por que a Maré tinha vida própria. E, no meio de tudo isso, eu ainda tentava manter o controle. Fazia tempo que eu não descia pra ver o povo de perto. Passei boa parte da festa no camarote, observando tudo de cima, com Pedro me atualizando sobre os convidados, os aliados, as rotas. Mas em algum momento, não sei se foi o cheiro da fumaça, o calor, ou o copo de whisky que esvaziei rápido demais, eu decidi descer. Queria sentir de novo o chão batendo, o barulho vivo, o rosto da minha gente. Atravessar a multidão foi fácil — todo mundo abria caminho, alguns me cumprimentavam, outros só desviavam

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