Capítulo 30

672 Palavras

Vitória narrando O vento era frio, mas não doía. Doía era o que vinha de dentro. Eu estava ali, sentada naquela cadeira alta na beira da piscina, olhando a favela brilhar como se fosse um céu ao contrário. E, pela primeira vez em muito tempo, eu conseguia respirar sem sentir o peso da fome, sem ouvir os gritos da minha mãe me culpando por tudo. Mas quanto mais eu respirava, mais o nó crescia dentro do peito. Porque era impossível não pensar nela. A minha mãe. Se é que eu ainda podia chamá-la assim. Ela nunca me amou. Nunca me abraçou, nunca me disse uma palavra boa. Eu sempre fui só a filha que carregava sacolas, que lavava a louça, que deixava de estudar porque tinha que limpar a casa ou sair para trabalhar. Sempre fui a filha que ouvia calada enquanto ela se destruía nas drogas. E

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