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927 Palavras

Ricardo narrando… O som já se espalhava por toda a Maré antes mesmo de eu sair de casa. Dava pra ouvir o batuque do pagode ecoando nos becos, o riso do povo, o cheiro de churrasco misturado com perfume barato e fumaça de cerveja. Era o tipo de noite que fazia a favela pulsar. E, dessa vez, o morro tava em festa por minha causa também. Desci as escadas da minha casa devagar, ajeitando a corrente grossa no pescoço. O relógio de aço brilhava no pulso e o perfume — o mesmo importado que sempre usei — já tomava o ar. Não era vaidade, era presença. Quando eu chegava, todo mundo sentia. Short branco, camiseta vermelha colada no peito, tênis branco novo nos pés. Simples, mas no ponto. A camiseta marcava bem os músculos dos braços, os ombros largos. Cabelo recém cortado, barba feita. O

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