Capítulo 11 embate morro e máfia

892 Palavras
— Tu fala de "país de merda", mas tá aqui, de joelhos metaforicamente, implorando pelo meu suporte porque lá fora o teu sangue vale menos que uma dose de cachaça barata — continuei, a voz descendo pro fundo do inferno, carregada de uma crueldade que era o meu cartão de visitas. — Tu quer meus fuzis? Quer minha rota de saída? Quer o meu exército? Então vai ter que lamber o chão que eu piso se eu mandar. Tu não é nada aqui, Volkov. Só mais uma v***a estrangeira brincando de ser mafiosa num território onde a gente janta gente como tu antes do meio-dia. O rosto dela se contorceu numa máscara de fúria pura, mas sem uma gota de medo. Ela inclinou a cabeça, o hálito de tabaco e café batendo na minha boca, uma provocação que era um convite aberto pro desastre total. — Então me testa, Heitor. Me testa até eu sangrar, me testa até eu não aguentar mais ficar de pé — ela cuspiu as palavras, a voz carregada de uma crueldade que me fez ver que ela era muito pior do que eu imaginava nas minhas fantasias mais sombrias. — Mas toma cuidado, "Rei". Porque enquanto tu acha que tá me domando com essa tua força bruta de bicho, eu tô só escolhendo em qual parte do teu pescoço eu vou cravar os dentes pra arrancar a tua jugular. Tu se acha o dono do mundo porque manda nesse monte de barro? Eu já vi impérios de verdade, com séculos de sangue, virarem cinza em uma noite por causa de homens arrogantes como tu. Eu não sou "utilidade", seu merda. Eu sou a solução que tu não tem culhão nem inteligência pra executar sozinho. Ela forçou o corpo contra o meu, uma briga de poder física, crua, onde cada centímetro de pele que se tocava era um campo de batalha minado. As unhas dela agora subiam pelo meu pescoço, cravando de leve, marcando o território dela na minha carne com uma possessividade violenta. — Tu vai se arrepender de ter pedido, Volkov — soltei, a mão descendo para a cintura dela e apertando com uma força que ia deixar marcas roxas por semanas, uma marca do meu desrespeito. — Porque quando eu começo um jogo, eu não paro até a outra parte se ajoelhar e implorar por uma misericórdia que eu não tenho no vocabulário. E tu não tem cara de quem sabe dobrar o joelho por vontade própria. Eu vou adorar quebrar esse teu orgulho, estraçalhar essa tua pose de rainha do gelo, peça por peça, até não sobrar nada além de uma casca vazia. — Experimenta me obrigar — ela desafiou, os olhos injetados de adrenalina, a boca tão perto da minha que eu sentia o calor do hálito dela queimando a minha pele. — Experimenta me quebrar e vê se tu sobra inteiro pra contar a história pro teus soldados. Tu quer guerra, Feroz? Tu acabou de achar a tua general, mas não se engana: eu não sigo ordem de moleque que se acha Deus. Ou tu caminha do meu lado, como um homem, ou tu vai ser o primeiro cadáver que eu vou usar de degrau pra subir no meu novo trono. Porque esse morro aqui é pequeno demais pra nós dois, a menos que a gente decida queimar o resto do mundo juntos. O silêncio que se seguiu foi uma briga de foice no escuro absoluto. Éramos dois predadores, em uma sala fechada, com a certeza de que aquele encontro ia terminar em um banquete de sangue ou em uma aliança que ia fazer o Rio de Janeiro arder como nunca se viu. Eu apertei o pescoço dela um pouco mais forte, sentindo a pulsação frenética dela contra a palma da minha mão, e ela apenas sorriu um sorriso de quem já estava morta por dentro e não tinha mais nada a perder. — Tu é louca, gringa — rosnei, sentindo o cheiro de perigo e destruição exalando de cada poro dela. — E tu é um amador se achou que eu seria diferente — ela rebateu, soltando uma risada curta, seca e amarga, que ecoou no bunker como um tiro. — Agora tira essa mão pesada de mim antes que eu decida que não preciso da tua logística, só da tua cabeça num pote de vidro pra decorar a minha nova sala. Eu ri, alto e vulgar, sentindo a adrenalina explodir no meu peito. Eu sabia que ela era o meu fim, e ela sabia que eu era o caos que ela sempre buscou. O jogo tinha subido de nível. E o morro? O morro ia ser só o começo do incêndio que a gente ia causar. Apertei o corpo dela contra o meu uma última vez, sentindo a rigidez do aço na postura dela. Ela era afiada, c***l e não ia baixar a cabeça pra ninguém nem pra mim. E era exatamente por isso que eu não ia conseguir matar ela... ainda. — O relógio tá correndo, Volkov. Vamos ver quem cai primeiro. — Eu não caio, Heitor. Eu apenas desço pra ver os outros sofrerem. O encontro dos predadores estava selado. A partir dali, o Rio de Janeiro ia aprender o verdadeiro significado de terror. E eu ia adorar ver aquela russa c***l guiando o m******e ao meu lado.
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