LOBO NARRANDO Depois que eu falei que ia cuidar dela e do bebê, o silêncio que ficou entre a gente foi diferente. Não era mais aquele silêncio pesado de briga. Era um silêncio cheio de emoção. A Bárbara ainda estava chorando, os olhos vermelhos e o rosto molhado de lágrimas, mas quando eu segurei as mãos dela eu senti que ela estava mais calma. Ou pelo menos tentando ficar. — Vem — eu falei baixo. Ela me olhou um pouco confusa. Eu puxei ela devagar pela mão. — Vamos subir. Subimos as escadas em silêncio. Eu conseguia ouvir os passos dela atrás de mim, leves, quase inseguros. Quando chegamos no quarto dela, ela entrou devagar, como se estivesse tentando organizar tudo dentro da própria cabeça. Eu fechei a porta atrás da gente. Ela se sentou na beirada da cama. Ficou alguns s

