BÁRBARA NARRANDO Assim que eu entrei na lanchonete, o cheiro de fritura e café fresco normalmente me trazia conforto. Hoje não. Minha mãe levantou o rosto do caixa no mesmo instante em que me viu. O sorriso automático que ela sempre usava para os clientes morreu antes mesmo de se formar. Ela me conhecia demais. Veio na minha direção já com o cenho franzido. — Bárbara, minha filha… o que aconteceu? Eu forcei um sorriso que nem eu acreditei. — Nada, mãe. Tá tudo bem. Ela segurou minha mão. Apertou. — Não tá. E saiu me puxando antes que eu pudesse argumentar. — Lisa, eu já volto. Segura as pontas aí pra mim! — Pode deixar! — Lisa respondeu do balcão, já entendendo o clima. Minha mãe me levou para os fundos da lanchonete. Passamos por um corredor estreito que eu quase nunca usava

