Perseguição

707 Palavras
A estrada parecia infinita à frente de Valente. O caminhão avançava pesado pelo asfalto escuro, o motor rugindo forte enquanto as marchas subiam uma a uma. O volante vibrava em suas mãos, transmitindo cada irregularidade do pavimento. Mas naquele momento, nada disso importava. Porque, no retrovisor, as luzes azuis continuavam crescendo. Piscando. Cortando a noite. As sirenes ecoavam pela estrada vazia como um aviso impossível de ignorar. Valente apertou o maxilar. — Barbie… eles estão encostando. No bunker, Alice parou de andar pela sala. — Quanto? Valente olhou novamente pelo espelho. A primeira viatura agora estava muito mais próxima. O farol alto iluminava completamente a traseira do caminhão. — Muito perto. No segundo caminhão, Dioguinho também já sentia a pressão. A voz dele entrou pelo rádio com um chiado. — Os caras tão colando mesmo. — Tão pedindo pra gente parar. Como se confirmasse aquilo, uma voz metálica começou a ecoar atrás deles, amplificada pelo alto-falante da viatura. — CAMINHÕES À FRENTE. — ENCOSTEM O VEÍCULO IMEDIATAMENTE. O comando ecoou pela estrada deserta. Valente soltou uma risada curta, seca. — Agora querem que a gente encoste. No bunker, Alice fechou os olhos por um segundo. Pensando rápido. Muito rápido. — Não para — disse ela, firme. — Continua. Valente nem hesitou. Pisou mais fundo no acelerador. O caminhão respondeu com um rugido grave. O velocímetro subiu lentamente, como sempre acontece com veículos daquele tamanho. Mas subiu. Atrás, a sirene aumentou. Mais alta. Mais insistente. — CAMINHÃO À FRENTE, ENCOSTE IMEDIATAMENTE! A ordem ecoou novamente. Dessa vez mais agressiva. No carro de escolta que vinha alguns metros atrás, um dos homens olhou pelo vidro traseiro. — Chefe… — Tem outra viatura vindo. As luzes azuis agora eram várias. Piscando na escuridão. Como predadores perseguindo uma presa. No bunker, Alice sentiu o estômago apertar um pouco. Mas a voz continuou firme. — Valente. — Fica calmo. — Segue pela rota. Valente respirou fundo. — Copiado. Ele apertou o volante com força. O caminhão avançava pesado, mas constante. A estrada começou a fazer uma curva longa. E foi nesse momento que o primeiro impacto veio. Um estrondo seco. Algo bateu forte na lateral do caminhão. Valente instintivamente olhou para o lado. — Barbie… A voz dele saiu mais tensa. — Eles estão atirando. No bunker, Alice ficou imóvel. Por um segundo inteiro. Depois falou rápido. — Mantém o controle. — Não perde velocidade. No segundo caminhão, Dioguinho gritou pelo rádio. — Esses caras tão malucos! Outro impacto metálico ecoou pela carroceria. O som reverberou dentro da cabine como um trovão. Valente apertou os dentes. O coração agora batia forte. Muito forte. Mas as mãos continuavam firmes no volante. — Aguenta firme — disse ele pelo rádio. Atrás deles, as viaturas continuavam insistindo. A voz no alto-falante voltou. — ÚLTIMO AVISO. — ENCOSTEM O CAMINHÃO! Ninguém respondeu. Os motores continuavam rugindo. Os caminhões avançando pela estrada escura. No bunker, Alice apoiou as duas mãos na mesa. Tentando ouvir cada detalhe. Cada som. Cada mudança na respiração deles. Ela sabia que aquela parte do plano nunca havia sido prevista. Mas agora estavam dentro dela. E sair exigiria sangue frio. — Valente — ela disse. — Quanto falta pro ponto? Ele olhou rapidamente para o painel. Depois para a estrada. — Uns quinze minutos. Alice fez um cálculo rápido. Quinze minutos. Parecia uma eternidade. No caminhão de trás, Dioguinho falou novamente. A voz carregada de adrenalina. — Se eles continuarem assim, vão tentar fechar a gente. Valente respondeu rápido. — Então não deixa. A estrada ficou mais estreita. As árvores nas laterais criavam sombras que dançavam sobre o asfalto. As luzes das viaturas piscavam entre os troncos como relâmpagos azuis. No bunker, Alice respirou fundo. — Escuta todo mundo. O rádio ficou em silêncio. — Não perde a cabeça. — O objetivo continua o mesmo. Levar os caminhões até o ponto. Valente assentiu novamente. Mesmo sabendo que ninguém via. — Vai dar certo. Mas a tensão dentro da cabine continuava crescendo. A cada segundo. A cada curva. A cada sirene que rasgava a madrugada. Porque agora não era mais apenas um plano. Era sobrevivência. E atrás deles, as viaturas continuavam avançando pela estrada escura, determinadas a não deixar aqueles caminhões desaparecerem na noite.
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