Ágata, toda feliz, agora bem mais segura de si ao ver que o marido ainda a desejava, só de relembrar a noite anterior, seu corpo arrepiava. A chama estava acesa novamente.
— Está um dia lindo lá fora. Acho que vou tomar um banho de sol na piscina. — diz Ágata, olhando pela janela do quarto.
A esposa de Diogo vai até o closet, escolhe um biquíni, veste-o e se observa no espelho.
— Pena o Diogo ter ido para a empresa logo hoje, pois tenho certeza de que foi a trabalho que ele saiu...
Ela então lembra do que Rose havia lhe dito que costumava fazer: mandar fotos provocantes para o marido. Era costume, de fato, Rose mandar esse tipo de foto para Beto. O que Ágata não sabia era que esses nudes também eram enviados ao seu próprio marido.
— Será que devo? Ser um pouco mais ousada ontem funcionou. Nossa, fico morrendo de vergonha, mas a Rose, aquela maluca, disse que, quando a esposa não ousa com o marido, as de fora têm essa coragem... Ai... E se ele não gostar?
Ágata pega o celular, olha-se no espelho. Ao seu ver, tinha um belo corpo, que seu marido não cansou de elogiar a noite toda. Suas mãos tremiam, nervosas, mas ela registra a foto e, logo em seguida, fica receosa.
— Ágata! O que você está fazendo? — diz ela para si mesma.
Em um primeiro momento, pensa em desistir, mas, em um impulso, resolve arriscar. Com as mãos geladas e muito nervosismo, marca a foto, clica em compartilhar, procura o contato do marido, na letra "D", de Diogo, e, com muita vergonha, envia a imagem. Sorri como uma garota que acabou de fazer uma travessura, joga o celular na cama e sai correndo do quarto.
— Dona Ágata! Que felicidade é essa? — diz uma de suas empregadas, Silvana, a que trabalha há mais tempo com ela.
— Ora, Silvana! Não é nada! Apenas estou feliz hoje.
— Que bom! Faz tempo que não via a senhora assim...
— Todos os dias serão assim agora, Silvana! — diz Ágata, sorrindo.
Diogo estava a caminho de casa, depois de ir à casa de Rose tentar colocar um ponto final naquela situação, quando seu telefone toca. Ele freia bruscamente. Por sorte, não vinha outro carro logo atrás.
— Beto, meu amigo... O que você manda? — fala Diogo, tenso.
— Pode dar uma passada no meu trabalho agora? Tenho um assunto que gostaria de tratar com você.
— Será que podia me adiantar o teor da conversa?
Diogo estava cada vez mais ansioso. Seu medo era que o amigo soubesse o que estava acontecendo.
— É sobre trabalho. Na verdade, é algo que prefiro falar pessoalmente. Você é meu único amigo...
Diogo se alivia ao descobrir que não tinha nada a ver com o caso entre ele e Rose e resolve ir ao encontro do amigo.
— Tudo bem, Beto. Estou a caminho. Chego aí em quinze minutos. Hoje resolvi ficar em casa, sabe? Dar uma desacelerada e curtir a família, mas não posso deixar meu amigo na mão.
— Obrigado, amigo. Serei breve, prometo.
Diogo respira fundo, liga o carro e segue até o trabalho de Beto. Ele coloca o telefone sobre o banco do carro e não percebe a notificação de uma nova mensagem chegando.
Enquanto isso, Ágata pula na piscina de sua casa, nadando e sorrindo.
— Nem tenho coragem de pegar meu celular e ver o que o Diogo respondeu quando viu a foto... Deve ter ficado surpreso... — diz ela.
Nesse momento, Mateus aparece na janela de seu quarto e pergunta à mãe, que estava na piscina:
— Mãe! Agora ferrou! O pai foi trabalhar, e eu? Acordei agora. O velho deve estar bravo...
— Não esquenta, filho. O seu pai foi resolver outra coisa, parece. Relaxa, que você só começa na outra semana. Ele ainda vai te explicar o que você vai fazer. Anda, filho, desce e vem nadar na piscina! Está um dia lindo!
Mateus coça a cabeça, confuso.
— Bom, ao menos tenho mais um final de semana pela frente... Que seja... — diz Mateus.
Ele desce e vai tomar um pouco de sol na piscina, enquanto Ágata relaxava na água.
— Mãe, achei que seria hoje que eu começaria na empresa...
— Não esquenta, filho. Só na segunda... Relaxa, garoto...
— Você está feliz hoje... Espero que o pai também esteja. Chega de mau humor... — diz Mateus.
— Está, sim, filho. Olha, ouça o que ele tem a te falar. Faz tudo direitinho. Ele só quer que você seja mais responsável...
Mateus pensa em Vanessa e sorri.
— Responsável... Talvez seja bom uma parada dessas. Vai me ajudar com a mina que conheci ontem. Ela é bartender em uma boate em que fui. Juro que nem bebi, mãe...
— Filho... Você e suas aventuras... Vou ao quarto pegar meu protetor solar. Já volto...
Ágata sai da piscina, enxuga-se, coloca um roupão e entra em casa. Mateus é servido com o café da manhã.
Diogo estaciona o carro no edifício onde Beto trabalha como CEO da empresa. Tira o cinto de segurança, olha o celular e vê a mensagem que havia recebido. Ao ver o conteúdo, muda completamente de humor.
— Ficou louca? Perdeu a noção e o bom senso? O que você pretende fazer me enviando isso? — diz Diogo em um áudio.
Ágata chega ao quarto à procura do protetor solar. Quando olha para o celular em cima da cama, recorda-se da foto que mandou ao marido.
— Não vou aguentar... Tenho que ver o que ele respondeu...
Ágata pega o celular e, ao ouvir a mensagem enviada por Diogo, suas pernas tremem, e ela se senta sobre a cama.
— Mas o que foi que eu fiz? Não pode ser!