Ágata sai às pressas do escritório de Luiz, quase correndo. A secretária observa a cena sem nada entender, mas, pela expressão de Ágata, era possível notar que houve algum desconforto. Segundos depois, Luiz vai atrás dela, correndo.
Foram muitos anos de segredos guardados, escondendo e contendo sentimentos e desejos. Luiz fez de tudo para seguir em frente. Foram várias mulheres, várias noites de sexo, mas nenhuma mulher o satisfazia. Era como se em todas faltasse algo, algo que nenhuma tinha. Embora nunca tivesse havido nada entre ele e Ágata, nem mesmo um beijo, ele sentia como se apenas ela tivesse o que ele procurava.
— Ágata! Por favor, espera! — diz ele, alcançando-a.
— Luiz, eu tenho que ir. Por favor... Eu nem devia ter vindo aqui... Por favor...
— Eu deixo você ir, mas apenas depois... Depois de eu te dizer o que está entalado há anos aqui comigo!
Ágata fica nervosa. Sua atitude era fingir que nada daquilo era real.
— Luiz, não...
— Eu sempre, sempre fui apaixonado por você. Meu arrependimento foi nunca ter me aberto antes de você conhecer o seu marido. Eu era um nerd, esquisito... Você sempre foi linda...
Na mente de Ágata passa um filme. Os momentos do passado. Luiz era um amigo muito querido. Em dias de chuva, ele a esperava na saída da escola com um guarda-chuva. Nos apuros das provas, ele a ajudava. No dia de seu casamento, Luiz sumiu entre os convidados. Ágata recordava de tudo...
— Eu sempre respeitei você, mas sempre te amei. Amei e desejei. Era comigo que você deveria ter se casado, Ágata... Em nenhuma mulher eu consegui encontrar o que sei que só você... Só você tem.
— Você ficou louco? Vou fingir que nada aconteceu, que você não me falou nada disso, em nome da linda amizade que tínhamos...
Ágata caminha na direção do carro. Luiz, então, em um momento de impulso, puxa-a pelo braço. Ela gira em direção a ele. Luiz envolve sua cintura com os braços. Seus olhares se cruzam. Um podia ouvir a respiração do outro, sentir o coração do outro pulsar... Sentir o perfume...
— Já que você quer me esquecer, vou dar um motivo para lembrar de mim... Quero encontrar em seus lábios o que não acho em nenhuma outra...
O mundo ao redor deles parece congelar junto com o tempo. Luiz cola sua boca na de Ágata. Ela tem flashes de seu passado... Aquela noite da despedida de solteira... Aquela festa... A bebedeira com os amigos... A fantasia... Aquele estranho mascarado!
— Me solta! Nunca mais me toque novamente! Esqueça que eu existo! Esqueça nossa amizade! Eu espero que tenha, de fato, apagado a foto que mandou. Posso acabar com você, já que o advogado sabe como... Apenas espero mesmo... Para sua sorte, eu espero mesmo que ele não seja você! — diz Ágata, abrindo a porta do carro.
— Do que está falando? Ágata! Espera...
Ela o ignora e arranca com o carro, dirigindo em alta velocidade.
Luiz sorri, tocando os próprios lábios.
— Não... Eu desistiria se soubesse que aquele cara te ama de verdade. Mas agora, depois desse beijo, eu tenho que, no mínimo, mostrar a você com quem se casou. Depois disso, eu aceitarei sua escolha... — diz Luiz.
Ágata dirige o carro, distraída em seus pensamentos, relembrando o passado. A noite de sua despedida de solteira... Aquela festa... A bebedeira com os amigos... A fantasia... Aquele estranho mascarado, com quem ela ficou naquela noite, entregando-se como se não houvesse amanhã...
A campainha da casa de Rose toca. Ela vai abrir a porta.
— Já vai...
Quando abre a porta, Ágata estava tremendo, chorando.
— Rose... Amiga... Me ajuda, por favor... Ele me beijou! Ele me beijou! Eu não queria... Eu traí o Diogo! — diz Ágata, completamente abalada.