Capitulo 12 Tentado

863 Palavras
Diogo chega ao escritório do amigo. Sua vergonha era tamanha que m*l conseguia olhar nos olhos de Beto ao lembrar do caso com Rose. — Beto, bom dia! Posso entrar? Sua secretária me falou que eu poderia... — Bom dia, Diogo. Por favor, entre... — diz Beto, interrompendo o amigo. Ao entrar na sala, Diogo cumprimenta Beto com um aperto de mãos. Os dois se sentam. Sobre a mesa, Diogo nota um porta-retrato com uma foto de Rose e desvia imediatamente o olhar. Beto era CEO de uma rede de concessionárias de automóveis. Aos quarenta e nove anos, tinha cabelos grisalhos, era elegante e possuía olhos castanho-claros. — Diogo, somos amigos há mais de vinte anos. Nossas esposas nos aproximaram, e eu tenho uma grande consideração por você... Diogo fica desconfortável. Afinal, poucas horas antes, estivera na casa de Beto para encerrar o caso que mantinha com Rose. Ela havia feito sexo oral nele, gravado tudo e ainda o ameaçado. A tensão o consumia. — Meu amigo, sou grato pela sua consideração. Se eu puder ajudar em alguma coisa, conte comigo sempre. — Muito obrigado, Diogo. Você deve olhar para mim e pensar: "Beto tem um ótimo emprego, ganha bem, tem uma bela esposa..." Mas, meu amigo, estou passando por sérios problemas... — Já lhe disse e repito: conte comigo. — Diogo... Eu tenho um vício. Estou viciado em jogos. Demorei para admitir isso. No começo era apenas curiosidade. Queria conhecer um cassino. Fui com alguns amigos daqui do trabalho... — Beto, não sei como você entrou nessa, mas reconhecer o problema já é um grande passo. Você precisa se abrir com a Rose. Ela sabe disso? — pergunta Diogo. — Sabe. Eu contei tudo para ela. Ela me pediu para nunca mais voltar àqueles lugares. Só que... eu contraí uma dívida enorme e não faço ideia de como vou pagar. — De quanto é essa dívida? — Dez... dez milhões de reais. — Dez milhões? Beto, isso equivale praticamente ao seu patrimônio inteiro! É um valor absurdo! — diz Diogo, espantado. — Penhorei meu apartamento, meus carros, meu sítio e fiz outros empréstimos. Inclusive com um agiota, para cobrir o restante da dívida. Agora esse homem está me ameaçando. — Beto, eu me recuso a acreditar que você chegou a essa situação. Diga, quanto você deve ao agiota? Eu vou ajudar você. Vamos sair dessa. — Fico envergonhado e, ao mesmo tempo, feliz por poder contar com você. Isso tem sido um pesadelo. No início eu devia quinhentos mil, mas, com os juros que ele aplicou, mesmo pagando parte da dívida, ela já está perto de um milhão e quinhentos mil reais. Diogo olha novamente para a fotografia de Rose e, por um instante, se pergunta se a forma como ela vinha agindo seria reflexo dos problemas que enfrentava no casamento. Afinal, ela mesma havia dito que a relação entre os dois estava destruída. — Bem... passe os dados da sua conta bancária. Vou transferir o dinheiro para você quitar a dívida com o agiota e recuperar seus bens. — Não, Diogo... Não posso aceitar. Já me bastaria você emprestar o dinheiro para eu pagar o agiota. — Somos amigos, Beto. O banco cobra juros. O agiota cobra juros. Eu não vou cobrar nada. Você me paga quando puder. Só pare com isso. Não jogue mais... E cuide do seu casamento. Enquanto isso, Ágata conversava descontraidamente com Luiz em seu escritório. Já nem se lembrava do motivo que a levara até ali. — Luiz... Você podia nos visitar qualquer dia. É muito agradável conversar com você. — Seu marido não pensa assim. Lembra daquela festa? Eu vi quando ele reclamou por você ter vindo conversar comigo. Fiz a leitura labial. Ágata fica sem jeito. Aquilo havia acontecido alguns anos antes. Enquanto Diogo conversava sobre negócios com alguns amigos, ela avistara Luiz e fora conversar com ele. Na ocasião, Diogo não gostou de vê-la se afastar para falar com outro homem. — Então foi por causa daquilo? — pergunta ela. — Foi. Nós estávamos apenas conversando. Tenho certeza de que ele também tem amigas... Conversa com outras mulheres. — Sim, tem... Mas ele é respeitoso. Diogo nunca me traiu. — Ágata... Isso não é... — Luiz interrompe a própria frase. Naquele instante, uma lembrança invade sua mente. Meses antes, ele havia visto Diogo em um momento de i********e com outra mulher. E aquela mulher não era Ágata. Luiz sabia que Diogo a traía. — O que você ia dizer, Luiz? Pode falar. Luiz respira fundo. — Eu ia dizer que me afastei de você porque sempre fui apaixonado por você. Desde a época da escola. Mesmo depois de todos esses anos, continuo sentindo a mesma coisa. Nada mudou. Isso me destrói. Posso ter a mulher que eu quiser... menos aquela que eu amo. Ágata fica completamente sem reação. Não sabia o que responder. — Guardo isso dentro de mim há tantos anos... Ágata, eu... — Luiz... Eu preciso ir. Foi bom encontrar você. — Ágata, espera! Ainda tenho tanta coisa para lhe dizer... — Adeus, Luiz. Meu marido está me esperando. Até mais... — diz ela, nervosa, saindo apressadamente em direção à porta.
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