NARRADO POR THALES Eu já tinha cedido. Pela primeira vez, não com arma na mão, mas com algo mais difícil: orgulho engolido. Yasmin estava ali. De pé, firme, com a mão estendida pra mim. Não por pena. Não por missão. Mas porque, de algum jeito torto, ainda acreditava que eu podia ser mais do que o casaco de merda que vesti nos últimos anos. Eu segurei. Tremendo por dentro, mas segurei. Ia começar. A tal da fisioterapia. Não só do corpo, mas da alma fodida que eu fingia ter enterrado embaixo do luxo, do álcool e do passado. Ela deu meia-volta, foi buscar os equipamentos, prancheta, sei lá o quê. Eu só fechei os olhos por um segundo. Respirei fundo. E então... a campainha. Três toques seguidos. Invasivo. Sem paciência. Yasmin congelou no meio do corredor, já com a bolsa de fisiotera

