NARRADO POR YASMIN Ele me empurrou com palavras. Com o tom. Com a raiva. Com o orgulho inflado que fingia ser força, mas era só defesa de quem já tomou porrada demais. E eu? Fiquei. Porque apesar do grito, da explosão, do veneno cuspido em forma de frase… eu enxergava a rachadura. E era ali que ainda tinha chance. Aquela cena toda — a cadeira batendo na parede, a gaveta aberta, os talheres no chão — não era sobre mim. Era sobre ele. Sobre o caos interno que ele escondia por trás da postura de general. Eu queria gritar de volta. Queria quebrar alguma coisa também, só pra sentir que não era só ele que estava desmoronando. Mas não. Eu fui. Fui até ele com o peito batendo na garganta e a coragem quase furada. — “Tu quer ser tratado como o fodão? Pois bem, Montenegro. Tá aí o trat

