CAPÍTULO QUATORZE

1332 Palavras
ANASTASIA/LIZZY Minha mão tremia como se eu estivesse fazendo uma cirurgia arriscada de vida ou morte no presidente da Coreia do Norte, mas eu estou apenas tentando passar a droga de um batom. — Der’mo (merda em Russo) — Esbravejo jogando o batom na pia em frustração. — Anastasia você é a p***a de uma ex espiã russa, já matou mais pessoas do que consegue se lembrar, você consegue lidar com isso. Mas a verdade é que eu preferia invadir o pentágono só com uma faca de manteiga do que lidar com os sentimentos que isso me causam. Sempre que minha irmã estava envolvida na ecoação era como se todo meu sistema nervoso entrasse em curto. O nervosismo de fazer algo que possa afastá-la de mim novamente fazia meu coração se apertar no peito com a mera hipótese. Pegando minha bolsa, saí de casa pedindo um táxi até o restaurante. Estava retocando o batom usando um espelho de mão quando senti os olhares do motorista pelo retrovisor e percebi que ele estava desviando do caminho. — Sugiro que volte para o caminho do meu destino. — Digo tirando os leves borrados do meu batom. — Ou o que? — Seu tom de voz é nojento e repulsivo. Fechando o espelho sorrio maliciosamente abrindo mais o zíper do meu vestido mostrando a pequena pistola que havia entre os meus s***s. — É pequena, mas faz um estrago e... — Levantando um pouco o vestido mostrei a faca presa a uma cinta liga. — Ainda vai querer seguir com isso? Porque eu garanto que vou me divertir muito mais do que você. — Tenho certeza que o vi engolir seco ficando pálido instantaneamente logo voltando ao caminho. — Bom menino. Com um riso nasal fechei novamente o zíper do meu vestido. Eu já não saía de casa desarmada antes, agora com um Stalker piorou, ele não parece ser dos mais agressivos e, por mais que eu odeie admitir, foi até que divertido brincar com ele, uma boa distração, mas no minuto em que eu me cansar ele não verá a luz do dia novamente. — Não precisa pagar. — Disse quando chegamos ao restaurante. — Quem disse que eu pretendia? — Sorri saindo do carro batendo a porta com força. O ouvi me chamar de louca antes de acelerar o carro, mas é sempre assim não é? Quando um homem não consegue o que quer e encontra uma mulher que não está disposta a se curvar a ele, somos loucas, insanas, lésbicas (?). Que se danem! Entro no restaurante, um lugar aconchegante com uma iluminação suave e um aroma tentador pairando no ar. A hostess me acompanha até a mesa que reservei próximo a janela, um pequeno arranjo de lirios cor de rosa enfeita o centro da mesa. Sento-me, tirando o celular da bolsa e colocando-o na mesa, pronta para uma espera que parece interminável. Ela está atrasada como sempre. Eu deveria estar acostumada com o atraso de Helena, mas sempre me pego esperando ansiosamente por ela. Abro a minha bolsa novamente pegando a pequena caixa de veludo conferindo o colar com pingente de cisne, seu presente de aniversário. Guardo novamente na bolsa, quero que seja surpresa. Passam-se os minutos e, ainda assim, não há sinal de Helena. Começo a me preocupar, meu pé batendo insistentemente contra o chão em sinal da ansiedade que começava a me corroer. Pego meu celular. "Helena, cadê você? Estou te esperando no restaurante." Envio a primeira mensagem, tentando manter o tom leve, mas a preocupação já se insinua em minhas palavra, ao mesmo tempo que tento me convencer de que é apenas um atraso, nada mais que isso. Mas o tempo passa e ainda não recebo resposta. Começo a ficar inquieta, imaginando se algo aconteceu. "Helena, está tudo bem? Estou começando a me preocupar. Me avise assim que puder" Digito rapidamente, tentando afastar os pensamentos sombrios que começam a surgir em minha mente. Decido ligar para ela, mas o telefone só toca, sem resposta do outro lado. Deixo uma mensagem de voz, suplicando para que ela me retorne o mais rápido possível. — Helena, onde você está? Estou preocupada. Por favor, me ligue assim que ouvir esta mensagem. Mas o silêncio persiste. O restaurante ao meu redor parece cada vez mais vazio conforme as horas passam, enquanto eu me sinto abandonada e confusa. Será que aconteceu algo com Helena? Será que ela simplesmente esqueceu do nosso encontro? As horas continuam passando, e ainda não há sinal dela. Minha preocupação cresce a cada segundo que passa, e uma sensação de angústia se instala em meu peito. Peço uma taça de vinho ao garçom na tentativa de acalmar meus nervos, mas aacho que nem a garrafa inteira resolveria. — Com licença. — A voz suave de uma mulher ao meu lado chama minha ateção. Percebo ser a hostess. — É que já estamos fechando. Olho envolta e de fato sou a unica no restaurante enquanto os funcionarios já estão colocando as cadeiras sobre as mesas. — Ah, claro. Perdão. Poderia trazer a conta? Ela sorriu de forma gentil saindo e logo voltando com a conta. Deixo o restaurante com um aperto no peito. O medo começa a se infiltrar em meus pensamentos, misturando-se à preocupação que já estava presente. Será que Helena simplesmente não quer mais ter contato comigo? Será que minha tentativa de reaproximação foi em vão? Não… Pelo que vi dela, ela teria ao menos mandado uma mensagem. Caminho pelas ruas da cidade com os sons, carros e pessoas passando por mim como borrão já que estou envolta em meus próprios pensamentos tumultuados. O vento frio da noite corta minha pele, mas meu coração é o que dói mais. Não sei o que fazer, para onde ir, me sinto momentaneamente desnorteada. As ruas parecem ainda mais desertas agora, refletindo o vazio que sinto por dentro. Será que ela está bem? Será que algo aconteceu com ela? Lembro-me dos momentos felizes que compartilhamos quando éramos crianças, das risadas e das brincadeiras. Agora, tudo parece distante, como se uma parede invisível tivesse sido erguida entre nós. Helena era apenas um bebê… Ou melhor, Jude era apenas um bebê, não se lembra do que vivemos, das vezes que cuidei dela, talvez seja melhor assim. Não são lembranças felizes, melhor apenas eu ser atormentada pelos fantasmas do passado. Quando chego em casa troco de roupa me preparando para ir para cama. Levo Sirius comigo deitando abraçada a ele como se fosse um urso de pelucia gigante. Acariciar seu pelo e mantê-lo perto de mim era quase que terapeutico. — Seremos só eu e você por quanto tempo garoto? — Pergunto como se ele realmente fosse me responde, e de certa forma é o que ele faz ao lamber a minha mão. Mal consigo prestar atenção no que estou fazendo. Já até derramei café em um cliente hoje. Meus pensamentos estão longe. Verifico meu celular a cada 5 minutos. Inumeras mensagens minhas, mas nenhuma resposta de Helena. Ao sair do trabalho vou direto até sua casa. Helena mora com os pais em uma mansão luxuosa e confortavel no bairro nobre de Seattle, não é dificil de encontrar. Desço do táxi indo direto ao interfone. — Quem é? — Uma voz feminina soa do outro lado. — Me chamo Lizzy. Sou uma amiga da Helena. Ela está? — … — Um estranho silêncio é me dado como resposta. — Só um momento. Mas que merda está acontecendo? Sentindo-me ainda mais inquieta já estava roendo as unhas quando pelas grades do portão vi uma senhora com uniforme de empregada se aproximando com um semblante que não gostei nenhum pouco. — Onde está Helena? — Pergunto, tentando manter minha voz firme apesar do medo que se agarra à minha garganta. Os olhos dela parecem cheios de tristeza, avermelhados como se tivesse andado chorando, ela baixa a cabeça antes de responder. — Sinto muito. A senhorita Addams faleceu dois dias atrás.
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