CAPÍTULO QUINZE

1178 Palavras
ANASTASIA/LIZZY Com o coração em pedaços e uma mistura de emoções me inundando, recuso-me a aceitar o que a empregada acabou de me dizer. Helena não poderia estar morta. Não podia. Minha mente se recusa a aceitar essa possibilidade, mesmo que meu coração esteja quebrando lentamente dentro de mim. Não. Isso não é verdade. — Abra o portão! — Exijo. A empregada balança a cabeça, seus olhos cheios de pesar. — Não posso, senhorita. Por favor, tente entender… Vá embora. Mas eu não quero ouvir desculpas, quero a verdade, não é como se um portão fosse me impedir de algo. Olhando a altura do portão, ele é alto, mas nada difícil de escalar então apoio meu pé em uma parte da grade começando a escalar. — Senhorita! Pare com isso! Pare com isso já! — A empregada tenta me impedir, suas mãos estendidas em um gesto de súplica. Já no alto do portão com um salto, aterrissei no outro lado do portão sem a menor dificuldade. Minha mente está focada apenas em uma coisa: encontrar Helena. Corro pelo jardim, meus passos ecoando no silêncio da manhã. Meu coração martela no peito, minha respiração rápida e irregular. — HELENA! HELENA! — Grito o nome dela, alto o suficiente para qualquer Helena do quarteirão responder. Sinto minha garganta arranhar conforme grito a plenos pulmões. — Senhorita pare! Isso é invasão! — A empregada segue atrás de mim. — f**a-se! Entro na mansão empurrando a porta dupla, minha voz faz até eco pela casa grande. Subo as escadas, percorrendo os corredores focada em encontrar algo que me mostre onde minha irmã está. Finalmente, chego ao quarto dela e empurro a porta com força, minha respiração presa na garganta. O quarto está vazio. Volto a descer as escadas dessa vez vendo dois seguranças armados. — Parada aí! — Diz um deles apontando a arma pra mim. Reviro os olhos frustrada por não ter trazido uma única faca comigo. Vejo o pai de Helena aparecer diante de mim, seu rosto uma mistura de confusão e irritação. — O que merda esta acontecendo aqui? Quem você pensa que é para invadir a minha casa? — Ele parecia de fato estar prestes a espumar pela boca, ao mesmo tempo que o tom de soberba não deixava sua voz. — Onde está Helena? O que vocês fizeram com ela? — Se ele estava irritado, eu estava duas vezes mais. Ele me olha com suspeita, seus olhos estreitando-se em desconfiança. — Quem é você? — Ele pergunta, sua voz carregada de autoridade. — Como ousa invadir minha casa assim? Vou ligar para a polícia! Sinto uma guria me consumir e antes que ele possa fazer qualquer coisa, arranco o celular de sua mão e o atiro pela janela aberta, minhas mãos tremendo de raiva. — É a última vez que pergunto. Onde está Helena? — Dessa vez grito o ditando diretamente nos olhos ignorando seus malditos seguranças com as armas apontada pra mim. Ele me encara com fúria, seu rosto contorcido em uma careta de desprezo. — Helena está morta! — Ele rosna, suas palavras cortantes como lâminas afiadas. — E você não passa de uma intrusa aqui. Saia da minha casa agora! Se os anos da Instituição me ensinaram alguma coisa é saber quando um verme está mentindo, e eu não via um pingo de verdade nos olhos daquele homem. Sinto um fogo arder dentro de mim. Um ódio alimentado pelas mentiras que saia da sua boca imunda. Ele havia conseguido uma inimiga. Com um último olhar para o homem que agora é apenas um estranho para mim, viro-me e saio da casa, posso jurar que meus passos deixam pegadas de fofo pelo chão. Algo de errado está acontecendo. Helena não está morta. Não importa o que ele diga, não importa o que faça, ninguém vai ficar entre mim e a minha irmã novamente. Retorno para casa em um estado de transe, um hiperfoco eu diria. Sirius pula em mim quando entro, mas pela primeira vez apenas faço um carinho rápido em seu pelo indo direto ao meu quarto. Abrindo o guarda-roupa tiro um notebook da gaveta me sentando sobre a cama. A determinação fervendo dentro de mim, preciso de algumas respostas básicas. Com dedos rápidos, abro o navegador e começo a minha pesquisa. Clico em links, digito palavras-chave e me encontro mergulhando em um labirinto de informações em busca de respostas. E então, finalmente, encontro o que procuro: O atestado de óbito de Helena. Meu coração para e pela primeira vez sinto um arrepio de medo seguir pelo meu corpo, sinto medo de essa ser a verdade de fato, mesmo que meu instinto grite com todas as forças de que é uma grande mentira. — Foco Anastasia… Foco. — Repito a mim mesmo. Clico no documento começando a ler as informação nele. Helena Addams. Data de óbito: 08/02/2025 Causa da morte: Insuficiência respiratória aguda. Cemitério: Lake View Cemetery — Lake View… — Murmuro. É uma viagem de carro de quase duas horas. Fecho o notebook. Abro novamente o guarda-roupa dessa vez abrindo um cofre pegando uma quantia de dinheiro suficiente para comprar um carro usado. Estaciono o carro em frente ao cemitério, tarde da noite não há mais ninguém, com exceção de alguns seguranças que patrulham o lugar. Contei apenas dois. Eles levam uma hora para andar o lugar, vão até uma construção semelhante a uma capela e repetem o processo em duas horas. Tempo mais que suficiente. Quando os vejo entrar na construção aciono um cronômetro de 1 hora e 45 minutos no meu relógio de pulso. Pego a pá no banco do carona e enfim saio do carro. Pulo o portão e logo estou caminhando entre as lápides, minha roupa preta se camuflando com a escuridão da noite, apenas ouço o som de alguns grilos já que meus passos são tão leves que nem eu mesmo consigo ouvi-los na terra. Quando chego a área onde vejo que há mais terra mexida recentemente, tiro o celular do bolso e ligo a lanterna olhando os nomes nas lápides. Até enfim a hr o familiar. Helena Addams, amada filha, era o que estava gravado na pedra fria. Sem hesitar, cravo a pá na terra fofa e começo a cavar, a terra se desfazendo sob o impacto da minha pá. Minhas mãos tremiam com a mistura de medo e raiva, minha mente gritando por respostas que pareciam sempre escapar de mim. Cada punhado de terra que eu retirava era um ato de desafio, uma recusa obstinada em aceitar o que me fora dito. Sinto o suor escorrendo pela minha testa, mas nem mesmo Deus seria capaz de me fazer parar agora. Continuo a cavar até que ao bater a pá ouço o som oco da madeira do caixão. Afasto a terra mais rapidamente, a madeira do caixão se revela sob a terra úmida. Com um golpe forte e certeiro a pá atravessa a madeira. Acerto mais um e mais um até abrir um buraco no caixão de madeira escura. Vazio.
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